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Q3767939 Medicina
No manejo de doenças crônicas prevalentes, uma mulher de 58 anos, sedentária (trabalha sentada), na consulta de rotina na Atenção Primária à Saúde apresenta uma glicemia de jejum 145 mg/dL (confirmada 2 vezes), HbA1c 7,2%, IMC 32 kg/m², sem neuropatia ou retinopatia e história familiar de diabetes mellitus tipo 2 (DM2) , com a mãe diagnosticada com 50 anos.

Assinale a alternativa que indica corretamente o manejo farmacológico inicial de acordo com o Protocolo da Sociedade Brasileira de Diabetes e Ministério da Saúde 2025.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: Pelo PCDT do DM2 do Ministério da Saúde, pela Linha de Cuidado do DM2 na APS e pela Diretriz SBD 2024/2025, adulto com DM2 recém-diagnosticado, assintomático, metabolicamente estável, sem doença cardiorrenal descrita e com HbA1c de 7,2% deve iniciar metformina como primeira escolha, com titulação progressiva, medidas não farmacológicas desde o diagnóstico e reavaliação em cerca de 3 meses; esse é exatamente o núcleo da alternativa D.

Tema central: Início farmacológico do DM2
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque propõe iniciar metformina já associada a inibidor de DPP-4 em paciente com HbA1c 7,2%, assintomática e sem falha prévia de metformina, quando a diretriz e o protocolo apontam metformina isolada como primeira escolha. Além disso, glicemia capilar pós-prandial diária não é monitorização de rotina obrigatória em DM2 inicial sem uso de insulina.
B
Errada
Está errada porque insulinização basal com NPH no diagnóstico não é indicada neste perfil. A paciente está metabolicamente estável, com glicemia de jejum de 145 mg/dL e HbA1c de 7,2%, sem sintomas ou catabolismo. Segundo a base, insulina inicial fica para hiperglicemia muito mais acentuada, sintomas, catabolismo ou falha de antidiabéticos orais. O esquema com monitorização 4 vezes ao dia também é excessivo nesse cenário, e dizer que essa estratégia prioriza evitar hipoglicemia noturna é tecnicamente inadequado, pois a insulina aumenta esse risco.
C
Errada
Está errada porque iSGLT2 em monoterapia não é a estratégia inicial padrão para essa paciente na APS, na ausência de doença cardiovascular, insuficiência cardíaca ou doença renal descritas. O critério decisivo da base é que, sem indicação cardiorrenal específica, a primeira escolha permanece sendo metformina. A proposta de monitorar cetonas urinárias semanalmente também não faz parte do manejo rotineiro desse caso, e associar iSGLT2 a jejum intermitente adiciona risco metabólico inadequado para o cenário.
D
Certa
A alternativa D reproduz a conduta inicial padronizada para DM2 estável na APS. O diagnóstico está confirmado pela glicemia de jejum de 145 mg/dL em duas ocasiões e pela HbA1c de 7,2%. Como não há sintomas de hiperglicemia, catabolismo, glicemias muito elevadas nem complicação que imponha outra estratégia imediata, a primeira escolha farmacológica é metformina, com aumento gradual até dose terapêutica usual. A alternativa também acerta ao associar educação em autocuidado, dieta hipocalórica, atividade física regular e redução do sedentarismo, além de prever reavaliação da HbA1c em 3 meses, que é o intervalo adequado para medir resposta ao tratamento. A meta de HbA1c < 7,5% não é a meta-padrão universal para uma adulta de 58 anos sem fragilidade descrita, mas esse ponto não invalida o eixo decisório da questão, que é o manejo farmacológico inicial.
E
Errada
Está errada porque associa sulfonilureia desde o início sem necessidade, quando a base define metformina isolada como conduta inicial preferencial nesse quadro. Gliclazida acrescenta risco de hipoglicemia e ganho de peso, o que é desfavorável em paciente com IMC 32 kg/m². Também é incorreta a ideia de meta de HbA1c < 6,5% em 1 mês, porque a HbA1c deve ser reavaliada após cerca de 3 meses para refletir adequadamente a resposta terapêutica.
Pegadinha da questão
A banca mistura um núcleo correto de conduta inicial com detalhes acessórios potencialmente confundidores. O que decide a questão não é escolher fármaco 'mais moderno' nem insulinizar por ser diabetes novo, e sim reconhecer que HbA1c 7,2% em paciente assintomática e estável indica metformina como primeira linha. A menção da meta < 7,5% na alternativa D pode gerar dúvida, mas não muda o fato de ela ser a única que traz o manejo inicial protocolar correto.
Dica para questões semelhantes
  • Se o DM2 é recém-diagnosticado, assintomático e sem descompensação importante, pense primeiro em metformina com titulação gradual.
  • Reserve insulina inicial para hiperglicemia acentuada, sintomas, catabolismo ou falha posterior de terapia oral, não para todo diagnóstico novo.
  • Em APS, o tratamento inicial do DM2 sempre deve vir junto de educação em autocuidado, intervenção nutricional, atividade física e redução do sedentarismo.
  • Use a HbA1c de cerca de 3 meses como marco de reavaliação da resposta terapêutica; propostas de controle pleno em 1 mês destoam do manejo protocolar.

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