Um paciente de 58 anos, hipertenso e com dor torácica, é su...
Gabarito comentado
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Tema central: Hipertensão renovascular por estenose de artéria renal (EAR). O Doppler mostrou redução luminal com fluxo turbulento e alta velocidade — achados típicos de estenose hemodinamicamente significativa, que pode causar hipertensão secundária por ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona.
Alternativa correta (B) — Justificativa: É plausível discutir angioplastia com stent ou outra intervenção, ponderando o perfil clínico, para controle da PA e preservação da função renal. Diretrizes (ACC/AHA, ESC, KDIGO; UpToDate; Harrison’s) apontam que não se indica stent rotineiramente, mas considera-se revascularização quando há:
- HAS resistente a ≥3 fármacos (incluindo diurético),
- Edema agudo de pulmão recorrente (síndrome de Pickering),
- Declínio acelerado da TFG, estenose bilateral ou rim único funcional,
- Intolerância a IECA/BRA com creatinina ↑ >30%.
Ensaios ASTRAL e CORAL mostraram benefício limitado do stent vs. tratamento clínico isolado em casos não selecionados, reforçando a seleção criteriosa dos candidatos.
Como interpretar o enunciado: Palavras-chave como “alta velocidade” e “turbulência” no Doppler sugerem estenose significativa (p. ex., PSV > 200 cm/s, RAR > 3,5, onda tardus-parvus distal). Em um homem de 58 anos hipertenso, a etiologia mais provável é aterosclerótica.
Conduta prática inicial (resumo guiado por diretrizes):
- Otimizar terapia clínica: IECA/BRA (cautela em EAR bilateral/risco de TFG), diurético, estatina, antiagregante, controle de fatores de risco.
- Confirmar extensão se necessário com CTA ou ARM e avaliar TFG.
- Discussão multidisciplinar (nefrologia/vascular) para decidir sobre revascularização nos cenários de alto risco acima.
Análise das incorretas:
A — Minimiza achado relevante e sugere “sedativos”: abordagem sem base científica, postergando cuidado e risco de progressão da doença.
C — “Tomografia urgente em regime privado” sem validação: não há urgência documentada; deve-se integrar achados clínico-laboratoriais e envolver nefrologista/vascular antes de novo exame.
D — Afirma que a estenose não se relaciona à HAS: contraria a fisiopatologia da hipoperfusão renal com ativação da renina; ignorar o achado pode perder oportunidade de controle da PA e proteção renal.
Pegadinhas de prova: Nem toda EAR exige stent imediato; porém, não banalize Doppler sugestivo de estenose significativa. Procure pistas de “alto risco” e lembre que o tratamento clínico otimizado é base, com revascularização seletiva.
Referências sucintas: ACC/AHA e ESC (Doenças Vasculares Renais); KDIGO (Doença Renal Crônica); UpToDate; Harrison’s Principles of Internal Medicine; ASTRAL (NEJM 2009), CORAL (NEJM 2014).
Gabarito: B.
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