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Um escolar de 9 anos de idade é avaliado em uma emergência p...

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Q4069550 Medicina
Um escolar de 9 anos de idade é avaliado em uma emergência pediátrica, com queixa de urina escura há 48 horas. A mãe negou dor abdominal, disúria, febre, diarreia ou vômitos. No exame físico, estava com bom estado geral, eupneico, afebril, anictérico. Auscultas cardíaca e respiratória normais; pressão arterial acima do percentil 95 e abaixo do percentil 95 + 12 mmHg; abdome depressível, indolor à palpação; Giordano negativo. Foi observada a presença de discreto edema em região palpebral e de membros inferiores, além de manchas hipercrômicas cicatriciais em membros inferiores.
De acordo com a principal hipótese diagnóstica deste paciente, é CORRETO afirmar que
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: C

Fundamento decisivo: O quadro é de síndrome nefrítica aguda: hematúria macroscópica escura, edema e hipertensão em escolar, com pista de infecção cutânea estreptocócica prévia pelas cicatrizes em membros inferiores. Isso aponta para glomerulonefrite pós-estreptocócica e sustenta a alternativa com penicilina benzatina IM em dose única para erradicação do estreptococo residual.

Tema central: Síndrome nefrítica aguda
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque a fisiopatologia do quadro sugerido é de retenção hidrossalina por redução da filtração glomerular, com edema e hipertensão, e não de hipovolemia. Expandir com soro fisiológico em criança hipertensa e edemaciada pode agravar a sobrecarga volêmica. Urina escura aqui sugere hematúria glomerular, não desidratação.
B
Errada
Está errada porque albumina endovenosa não é conduta de rotina para síndrome nefrítica com edema discreto e hipertensão. Essa estratégia se relaciona a situações com hipoalbuminemia importante e edema por síndrome nefrótica, o que não é o padrão clínico deste caso. Aqui o edema é explicado principalmente por retenção de sódio e água.
C
Certa
A alternativa correta se apoia na etiologia mais provável do quadro: glomerulonefrite pós-estreptocócica após foco cutâneo prévio compatível com impetigo. Nessa situação, a penicilina benzatina intramuscular em dose única tem papel de erradicar o estreptococo remanescente e reduzir manutenção do foco/transmissão. O ponto técnico importante é que o antibiótico não reverte diretamente a lesão glomerular imunomediada já instalada, mas continua indicado pela hipótese etiológica associada ao quadro nefrítico.
D
Errada
Está errada porque proteinúria acima de 50 mg/kg/dia caracteriza faixa nefrótica e não é requisito diagnóstico da principal hipótese. O caso é nefrítico, definido clinicamente por hematúria, edema e hipertensão. Além disso, o edema nesse contexto não depende de proteinúria maciça e hipoalbuminemia, mas sobretudo de retenção hidrossalina.
E
Errada
Está errada porque a glomerulonefrite pós-estreptocócica na infância costuma ter evolução autolimitada e bom prognóstico. Recorrência e cronificação não são o curso habitual dessa doença, de modo que a afirmação contraria o padrão prognóstico esperado.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre síndrome nefrítica e síndrome nefrótica: há edema, mas a combinação decisiva é urina escura por hematúria glomerular + hipertensão + edema discreto, e as cicatrizes cutâneas funcionam como pista de impetigo prévio. Outra armadilha é achar que antibiótico não cabe porque a nefrite é imunomediada; ele não trata a nefrite em si, mas erradica o estreptococo.
Dica para questões semelhantes
  • Se a criança tiver hematúria macroscópica escura, edema e hipertensão, pense primeiro em síndrome nefrítica, não em síndrome nefrótica.
  • Edema em glomerulopatia só aponta para síndrome nefrótica quando vier com proteinúria maciça e hipoalbuminemia; no quadro nefrítico, o mecanismo central é retenção hidrossalina.
  • Em escolar com síndrome nefrítica e pista de infecção cutânea prévia, glomerulonefrite pós-estreptocócica ganha força e justifica erradicação do estreptococo.
  • Não indique expansão volêmica ou albumina automaticamente em criança edemaciada; antes, confronte com a presença de hipertensão e o mecanismo do edema.

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