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Q412025 Português
                       Internet e a importância da imprensa

       Este artigo não é sobre a pornografia no mundo virtual nem tampouco sobre os riscos de as redes sociais empobrecerem o relacionamento humano. Trata de um dos aspectos mais festejados da internet: o empowerment (“empoderamento”, fortalecimento) do cidadão proporcionado pela grande rede.
       É a primeira vez na História em que todos, ou quase todos, podem exercer a sua liberdade de expressão, escrevendo o que quiserem na internet. De forma instantânea, o que cada um publica está virtualmente acessível aos cinco continentes. Tal fato, inimaginável décadas atrás, vem modificando as relações sociais e políticas: diversos governos caíram em virtude da mobilização virtual, notícias antes censuradas são agora publicadas na rede, etc. Há um novo cenário democrático mais aberto, mais participativo, mais livre.
       E o que pode haver de negativo nisso tudo? A facilidade de conexão com outras pessoas tem provocado um novo fenômeno social. Com a internet, não é mais necessário conviver (e conversar) com pessoas que pensam de forma diferente. Com enorme facilidade, posso encontrar indivíduos “iguais” a mim, por mais minoritária que seja a minha posição.
       O risco está em que é muito fácil aderir ao seu clube” e, por comodidade, quase sem perceber, ir se encerrando nele. Não é infrequente que dentro dos guetos, físicos ou virtuais, ocorra um processo que desemboca no fanatismo e no extremismo.
       Em razão da ausência de diálogo entre posições diversas, o ativismo na internet nem sempre tem enriquecido o debate público. O empowerment digital é frequentemente utilizado apenas como um instrumento de pressão, o que é legítimo democraticamente, mas, não raras vezes, cruza a linha, para se configurar como intimidação, o que já não é tão legítimo assim...
       A internet, como espaço de liberdade, não garante por si só a criação de consensos nem o estabelecimento de uma base comum para o debate.
       Evidencia-se, aqui, um ponto importante. A internet não substitui a imprensa. Pelo contrário, esse fenômeno dos novos guetos põe em destaque o papel da imprensa no jogo democrático. Ao selecionar o que se publica, ela acaba sendo um importante moderador do debate público. Aquilo que muitos poderiam ver como uma limitação é o que torna possível o diálogo, ao criar um espaço de discussão num contexto de civilidade democrática, no qual o outro lado também é ouvido.
       A racionalidade não dialogada é estreita, já que todos nós temos muitos condicionantes, que configuram o nosso modo de ver o mundo. Sozinhos, nunca somos totalmente isentos, temos sempre um determinado viés. Numa época de incertezas sobre o futuro da mídia, aí está um dos grandes diferenciais de um jornal em relação ao que simplesmente é publicado na rede.
       Imprensa e internet não são mundos paralelos: comunicam-se mutuamente, o que é benéfico a todos. No entanto, seria um empobrecimento democrático para um país se a primeira página de um jornal fosse simplesmente o reflexo da audiência virtual da noite anterior. Nunca foi tão necessária uma ponderação serena e coletiva do que será manchete no dia seguinte.
       O perigo da internet não está propriamente nela. O risco é considerarmos que, pelo seu sucesso, todos os outros âmbitos devam seguir a sua mesma lógica, predominantemente quantitativa. O mundo contemporâneo, cada vez mais intensamente marcado pelo virtual, necessita também de outros olhares, de outras cores. A internet, mesmo sendo plural, não tem por que se tornar um monopólio.

                                       (CAVALCANTI, N. da Rocha. Jornal “O Estado de S. Paulo”, 12/05/14, com adaptações.)


Ao empregar a construção “Não é infrequente que dentro dos guetos, físicos ou virtuais, ocorra um processo que desemboca no fanatismo e no extremismo.”, o autor quis dizer que a ocorrência dentro dos guetos, físicos ou virtuais, de um processo que desemboca no fanatismo e no extremismo é:
Alternativas

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A questão apresentada requer a interpretação do texto, especificamente no uso da expressão "Não é infrequente" pelo autor. A compreensão dessa expressão é fundamental para responder corretamente à pergunta.

A expressão "Não é infrequente" é uma dupla negação que, na prática, tem o mesmo efeito semântico de "é frequente". Ou seja, o autor está afirmando que o processo que leva ao fanatismo e extremismo dentro dos guetos, tanto físicos quanto virtuais, ocorre com frequência.

Agora, vamos analisar as alternativas:

A - Rara: Esta alternativa está incorreta, pois "rara" implica que a ocorrência é pouco frequente, o que contradiz o sentido da expressão "não é infrequente".

B - Incomum: Também incorreta. "Incomum" implica uma baixa frequência, enquanto o texto sugere que o fenômeno é comum.

C - Contumaz: Esta é a alternativa correta. "Contumaz" significa algo que ocorre habitualmente ou frequentemente, alinhando-se perfeitamente com o sentido de "não é infrequente".

D - Pouco regular: Incorreta. "Pouco regular" sugere irregularidade ou baixa frequência, o que não corresponde ao significado pretendido pelo autor.

E - Bastante ocasional: Incorreta. "Bastante ocasional" indica que algo acontece esporadicamente, o que é contrário à ideia de frequência constante apresentada no texto.

Portanto, a resposta correta é a alternativa C - Contumaz, que reflete o sentido de frequência contínua e constante.

Para resolver questões de interpretação como essa, é essencial prestar atenção a palavras-chave e expressões que alteram o sentido, evitando armadilhas de dupla negação ou construções que possam ser confusas.

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Comentários

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Significado de Contumaz

adj. Que demonstra muita obstinação; que tende a insistir; insistente.
Jurídico. Diz-se da pessoa que, por vontade própria, não comparece diante do juiz que o tenha intimado.
Que desenvolve hábito; que tende a ser habitual; costumeiro.
s.m. Jurídico. O indivíduo que não compare quando intimado.
Sujeito que é extremamente teimoso; insistente.
(Etm. do latim: contumax.acis)

NÃO INFREQUENTE = NEGAÇÃO "NÃO" ANULA PREFIXO DE NEGAÇÃO "IN", LOGO FICA  é frequente que dentro dos guetos.....

SE É FREQUENTE É COSTUMAZ - Gab C.

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