Paciente com 21 anos de idade, sexo feminino, relata um epi...

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Q243653 Odontologia
Paciente com 21 anos de idade, sexo feminino, relata um episódio de pericoronarite no dente 46, há cerca de dois anos. No momento desta consulta, a paciente está
assintomática, porém o achado radiográfico mostra radiolucidez central circundando o foco da inflamação com área periférica da radiopacidade granular que se mistura com o osso normal adjacente. Este quadro é compatível com o diagnóstico de osteomielite
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Tema central: Osteomielites dos maxilares e seus padrões clínico-radiográficos. A questão exige reconhecer o padrão típico da osteomielite crônica esclerosante focal (OCEF), também chamada de osteíte condensante.

Alternativa correta: D - crônica esclerosante focal

Justificativa: Em jovens, na região de molares mandibulares, um processo inflamatório crônico de baixa intensidade (ex.: pericoronarite prévia) pode induzir esclerose óssea localizada. Radiograficamente, é típico: radiopacidade focal de aspecto granular que se mistura (“blending”) com o osso normal, podendo haver área radiolúcida central associada ao foco inflamatório. O quadro costuma ser assintomático. Essas características alinham-se à OCEF descrita em Neville & Damm (Oral & Maxillofacial Pathology) e White & Pharoah (Oral Radiology).

Como raciocinar na prova: destaque as palavras-chave: assintomática + foco inflamatório crônico + radiopacidade focal granular com “blending”. Esse tripé aponta para OCEF, e afasta formas difusas ou supurativas.

Por que as outras opções estão erradas?

A) Alveolar aguda (alveolite pós-exodontia): dor intensa após extração, halitose e osso exposto; não é lesão óssea esclerótica e não é achado radiográfico típico. Contexto clínico incompatível.

B) Aguda supurativa: curso agudo com dor, febre, trismo; imagem inicial radiolúcida difusa e mal definida (ou até normal), sem esclerose granular que se mistura ao osso.

C) Crônica esclerosante difusa: esclerose difusa envolvendo um quadrante ou mais, limites mal definidos, episódios de dor/exacerbação; típica de adultos de meia-idade. O caso é focal e assintomático.

E) Crônica supurativa: história de fístula/drenagem, sequestros ósseos e padrão misto (radiolúcido-radiopaco) mal delimitado. Nada disso foi descrito.

Conduta prática (quando cobrada): tratar a fonte irritativa (endodontia/exodontia do dente causal) e acompanhar radiograficamente. A esclerose pode persistir como cicatriz óssea. Antibióticos não são necessários na ausência de sinais de infecção ativa. Referências: Neville & Damm; White & Pharoah; revisões clínicas em UpToDate sobre infecções odontogênicas.

Pegadinha comum: confundir OCEF com osteomielite esclerosante difusa ou com displasias cemento-ósseas. Na OCEF o padrão é focal e o “blending” com o osso adjacente é marcador importante; nas displasias há, em geral, halo radiolúcido de separação do osso normal.

Gabarito: D) Crônica esclerosante focal

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Vamos ver as características de cada tipo de osteomielite apresentado nas alternativas:
 
Osteomielite Alveolar Aguda
Área radiolúcida em região de corpo de mandíbula e na região mais anterior de maxila, mostrando a perda de tecido ósseo. Pode, entretanto, não apresentar imagem radiográfica por se tratar de uma inflamação rápida. Ocorre em qualquer idade, normalmente em pacientes imunodeprimidos ou que sofrem quadro de subnutrição, com condições sistêmicas desfavoráveis. Tem prazo de evolução limitada a, no máximo, um mês. Pode ser causada por trauma. O tratamento consiste em antibioticoterapia.
 
 
Osteomielite Aguda Supurativa
Pode ocorrer a partir de abscessos dentoalveolares causados por infecção ou trauma ou devido a uma osteorradionecrose (por altas doses de irradiação). Geralmente apresenta pus (infecção por Staphilococus). O paciente relata dor ou parestesia.

Aspectos Clínicos
-Úlcera e exposição óssea persistente
-Sequestros ósseos
-Trismo severo
-Fraturas patológicas
-Odor fétido

Osteomielite Crônica Esclerosante Difusa
Mais comum em pacientes idosos, em mandíbula edentada. Sua etiologia se dá a partir de uma infecção de baixa virulência resultante da Osteomielite aguda supurativa (desaparece a sintomatologia aguda e a lesão se cronifica).

Aspectos Clínicos e Radiográficos
-Clinicamente evolui sem sintomatologia.
-Exacerbações: decorrentes de exodontia.
-Área extensa de reabsorção e neo-formação óssea.
-Podendo ser multifocal.

Osteomielite Esclerosante Focal
Também conhecida como osteíte condensante. É uma reação incomum do osso a uma infecção, ocorrendo em casos de resistência tecidual extremamente elevada ou em casos de infecção de baixa intensidade. Afeta quase que exclusivamente pessoas jovens, por volta da idade de vinte anos com maior predileção pelo sexo feminino. Os dentes mais comumente envolvidos são os molares inferiores, que geralmente apresentam lesão por cárie. Pode não haver outros sinais e sintomas da doença a não ser dor ligeira, associada com a polpa infectada.

Aspectos Radiográficos
-Radiopacidade circular ou ovóide.
-Limites bem definidos.
-Região periapical ( dentes comprometidos endodonticamente).

Osteomielite Crônica Supurativa
Ocorre na maxila e/ou mandíbula. Sua etiologia está ligada a infecções odontogênicas (estafilococos e estreptococos), fraturas infectadas e ferimentos por arma de fogo.

Aspectos Clínicos
-Dor (moderada a intensa)
-Fístulas com drenagem espontânea de pus
-Trismo
-Linfonodos inflamatórios submandibulares e cervicais
-Febre e leucocitose

Aspectos Radiográficos
-Estágios iniciais, difícil observação
-Imagens radiolúcidas irregulares e difusas

alternativa D

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