Ave viaja dos EUA ao Brasil e anilha aponta que animal voou
mais de 7 mil quilômetros
Uma ave marinha viajou 7.451 quilômetros dos
Estados Unidos em Massachusetts e foi parar na praia de
Regência, em Linhares, no Norte do Espírito Santo.
A ave da espécie Trinta-réis-boreal foi resgatada pelo
Projeto de Monitoramento de Praias da Petrobras.
Quando a ave foi levada para o Instituto de Pesquisa
e Reabilitação de Animais Marinhos (IPRAM) em Cariacica,
na Grande Vitória, a equipe de biólogos e veterinários
percebeu que o animal tinha uma anilha na pata.
Ao fazerem a pesquisa, as equipes descobriram que a
ave possuía uma anilha estrangeira dos Estados Unidos de
uma instituição científica chamada United States Geological
Survey.
No sistema constava que a ave foi anilhada quando
ainda era um filhote incapaz de voar.
Segundo o médico veterinário do IPRAM, Luis Felipe
Mayorga, a ave encontrada tem comportamento migratório
e pode ser encontrada com frequência no litoral do estado.
"Essas aves se reproduzem no hemisfério norte, e
quando se aproxima o inverno lá, se aproximando o verão
aqui no hemisfério sul, elas migram para cá. No Espírito
Santo, os bandos migratórios podem se aglomerar em
bancos de areia na foz do Rio Doce", explicou o veterinário.
O veterinário contou sobre a importância do
anilhamento dos animais para pesquisas científicas. Segundo
Mayorga, assim é possível saber informações ecológicas e
hábitos de vidas dessas aves.
Mayorga disse ainda que o pesquisador, que estuda
essa ave no lá no hemisfério Norte, quando ela migra e vai
embora, não consegue acompanhar os bandos.
"Com os anilhamentos, você consegue ter um
relatório mostrando as rotas migratórias. Ao longo do
caminho vão ficando aves, que ficam fracas e morrem. O
anilhamento permite construir o caminho por onde essas
aves passam. Quando o sistema é comunicado a instituição
original já é comunicada. Ou seja, lá nos Estados Unidos já
sabem que a ave foi encontrada, onde foi", explicou o
veterinário.
O veterinário também explicou que qualquer pessoa
que encontrar uma ave com anilha pode comunicar e
colocar as informações em um programa que acompanha os
animais.
Mayorga explicou que no Brasil é usado um programa
realizado pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação
de Aves Silvestres (CEMAVE) do ICMBio.
"O IPRAM anilha todas as aves marinhas que solta.
Qualquer pessoa pode comunicar, se quiser, não precisa ser
pesquisador. Aqui mesmo no Brasil, se uma pessoa comum
avistou uma ave com anilha e conseguiu o número, ou achou
uma carcaça de ave com anilha, ela pode comunicar o
CEMAVE. Essas informações são muito valiosas", afirmou o
veterinário.
(Fonte: G1 - adaptado.)
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