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Q1373972 Medicina

Uma criança de três anos de idade, procedente do município de Barreiras, interior da Bahia, apresenta febre diária, de grau moderado, há vinte dias, acompanhada de inapetência, perda de peso e palidez cutaneomucosa. As vacinas estão em dia, e a criança não apresenta vômito nem diarréia. Ao exame físico, registra-se esplenomegalia, com o baço palpável a 4 cm da borda costal. A criança mostra-se apática, emagrecida. Na pele, identificam-se petéquias na região do tronco e nos membros inferiores, além de algumas equimoses. Nota-se, ainda, palidez cutaneomucosa acentuada e gânglios aumentados de volume nas cadeias cervicais, axilares e inguinais. A ausculta cardiopulmonar é normal e a freqüência respiratória também é normal. Os exames laboratoriais revelaram anemia normocrômica e normocítica, com dosagem de hemoglobina de 8 g/dL. A contagem de plaquetas foi de 30.000/mm3 e a de leucócitos, 60.000/mm3 . A eletroforese de proteínas plasmáticas foi normal.


Considerando esse caso clínico, julgue o item que segue.


O mielograma é o exame mais adequado para definir o diagnóstico. Esse exame, no entanto, só deverá ser realizado após a primeira semana de prova terapêutica para calazar, em virtude do risco de sangramentos decorrentes da plaquetopenia.

Alternativas

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O tema central desta questão é o diagnóstico de doenças hematológicas em uma criança que apresenta sintomas como febre prolongada, esplenomegalia, petéquias, equimoses, anemia, trombocitopenia e leucocitose. Esses achados clínicos e laboratoriais sugerem uma investigação aprofundada para condições graves como leucemia ou calazar (leishmaniose visceral).

O enunciado sugere que o mielograma é o exame mais adequado para definir o diagnóstico. O mielograma, ou aspirado de medula óssea, é um exame essencial na investigação de doenças hematológicas, pois permite a análise das células da medula óssea. Este exame é indicado para investigar a causa de pancitopenia, leucocitose ou esplenomegalia, como visto neste caso.

No entanto, a questão afirma que o mielograma deve ser feito apenas após uma semana de prova terapêutica para calazar, devido ao risco de sangramento pela plaquetopenia. Essa afirmação está errada por alguns motivos:

  • A prova terapêutica não é a abordagem inicial recomendada em suspeitas de leishmaniose visceral. O diagnóstico deve ser confirmado por métodos laboratoriais antes de iniciar o tratamento específico. Segundo as diretrizes do Ministério da Saúde, a confirmação pode ser feita por meio de exames como punção esplênica ou mielograma, que têm alta sensibilidade para a detecção do parasita.
  • A decisão de adiar o mielograma devido à plaquetopenia não é justificada. Embora o risco de sangramento seja uma consideração, os procedimentos invasivos podem ser realizados com cuidados adequados, como a administração de plaquetas, se necessário, para evitar complicações.

Portanto, a alternativa correta é E - Errado, pois o mielograma deve ser realizado para o diagnóstico preciso, antes de qualquer prova terapêutica, especialmente em um contexto de suspeita de leishmaniose visceral.

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Comentários

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O item está incorreto. O mielograma não é o exame mais adequado para definir o diagnóstico nesse caso clínico. O texto sugere que a criança apresenta sintomas compatíveis com Leishmaniose Visceral, também conhecida como calazar, uma doença infecciosa transmitida pela picada do mosquito-palha. O diagnóstico pode ser confirmado através de exames sorológicos e de biópsia de medula óssea ou fígado, não sendo indicado o mielograma. Além disso, o texto sugere que o tratamento para calazar já foi iniciado, o que indica que o diagnóstico já foi feito e o mielograma não é mais necessário. O risco de sangramentos decorrentes da plaquetopenia é real, mas não é motivo para adiar o início do tratamento. É importante que o tratamento seja iniciado o quanto antes para evitar complicações graves da doença.

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