Na anemia hemolítica, ocorrem ações na força vertical, torna...
Na anemia hemolítica, ocorrem ações na força vertical, tornando as hemácias cada vez mais esféricas, ficando incapazes de se deformarem ao passarem pela circulação esplênica e pelos pequenos capilares. Uma das causas da ocorrência da anemia hemolítica consiste em, EXCETO:
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Tema central: Hemólise por defeitos “verticais” na membrana da hemácia, que causam esferocitose e sequestro esplênico. Esses defeitos ocorrem na ligação entre o citoesqueleto (espectrina/ankirina) e a bicamada lipídica (Banda 3, Prot. 4.2).
Gabarito: E – Deficiência de anidrase carbônica
Justificativa da correta (E): A anidrase carbônica (CA) é uma enzima citossólica da hemácia que catalisa CO₂ ⇄ HCO₃⁻. Não é proteína estrutural da membrana e sua deficiência não gera perda de área de membrana nem esferocitose. Sindrome por deficiência de CA II pode cursar com osteopetrose e acidose tubular, mas não é causa clássica de anemia hemolítica por defeito de membrana. Pegadinha: a CA interage funcionalmente com a Banda 3 (AE1), mas não confundir interação metabólica com papel estrutural. Referências: Harrison’s Principles of Internal Medicine; UpToDate (Hereditary spherocytosis: pathogenesis).
Análise das alternativas incorretas (todas causam esferocitose hereditária):
A) Deficiência de anquirina e espectrina: A ankirina (ANK1) ancora a espectrina à Banda 3. Defeitos aqui rompem a ligação vertical, levando à perda de microvesículas e formação de esferócitos. Causa frequente de esferocitose hereditária (EH).
B) Deficiência da Banda 3: A Banda 3 (AE1/SLC4A1) é o trocador Cl⁻/HCO₃⁻ e ponto de ancoragem do citoesqueleto. Sua deficiência reduz estabilidade da bicamada e causa EH autossômica dominante em muitos casos.
C) Deficiência da Banda 4.2: A proteína 4.2 (EPB42) estabiliza o complexo ankirina–Banda 3. Deficiência clássica (mais descrita em japoneses) produz EH com hemólise extravascular.
D) Deficiência isolada de espectrina: A espectrina (SPTA1/SPTB) é o esqueleto principal da hemácia. Deficiência isolada (especialmente β-espectrina) é causa bem estabelecida de EH, variando de leve a grave.
Estratégia de prova: Para itens sobre membrana, associe defeitos verticais a EH: Espectrina, Anquirina, Banda 3, Prot. 4.2. Lembre que enzimas (p.ex., G6PD, piruvato-quinase, anidrase carbônica) não são proteínas estruturais; podem causar hemólise por via metabólica, mas não por esferocitose.
Aplicação clínica: EH: anemia com icterícia, esplenomegalia, MCHC elevado, esferócitos no esfregaço, Coombs direto negativo, teste de EMA-binding reduzido ou fragilidade osmótica aumentada. Tratamento conforme gravidade: ácido fólico, considerar esplenectomia em casos moderados/graves (diretrizes ASH/UpToDate).
Referências rápidas: Harrison’s Principles of Internal Medicine; UpToDate – Hereditary spherocytosis: pathogenesis, clinical features, and diagnosis; Diretrizes da ASH para hemólise hereditária.
Resumo-chave: Se a alternativa citar Espectrina, Anquirina, Banda 3 ou Prot. 4.2, pense em defeito estrutural vertical e EH. Anidrase carbônica = enzima metabólica → EXCETO.
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A anidrase carbônica (alternativa E) é uma enzima envolvida na regulação do pH e no transporte de CO₂, mas sua deficiência não está relacionada à ocorrência de anemia hemolítica.
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