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Q3832395 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Comunicar ainda é um ato humano


Vivemos um tempo paradoxal: nunca foi tão fácil produzir conteúdo, mas nunca foi tão difícil produzir sentido. Em meio a textos automatizados e narrativas guiadas por algoritmos, surge uma questão essencial: o que acontece quando delegamos às máquinas não apenas a forma, mas a intenção do que comunicamos? O risco central não é a substituição do humano, mas o esvaziamento do significado.

Sem intenção consciente, a comunicação se transforma em mero estímulo eficiente, porém vazio. Quando sistemas decidem o que deve emocionar ou convencer, perde-se a responsabilidade sobre o porquê da mensagem. Onde não há intenção humana, há o perigo da manipulação disfarçada de inovação.

Nesse cenário, comunicar exige ética. Não basta dominar ferramentas tecnológicas; é preciso usá-las para ampliar a consciência, não para anestesiá-la. A inteligência artificial reflete valores e visões de mundo de quem a cria, mas carece de um elemento insubstituível: a consciência ética humana.

A IA pode ampliar e organizar vozes, mas não cria intenção. A intenção é o núcleo da comunicação. Criar e comunicar continuam sendo atos humanos profundos, encontros entre consciência e linguagem. A tecnologia pode amplificar, mas apenas o humano decide o que merece ser dito.

Texto Adaptado

MCSILL, James. Comunicar ainda é um ato humano. Hoje em Dia, [s.l.], [s.d.]. Disponível em: https://www.hojeemdia.com.br/opiniao/opiniao/comunicar-ainda-e-um-at o-humano-1.1097630 . Acesso em: 16 dez. 2025. 
Considerando o texto "Comunicar ainda é um ato humano", avalie sua tipologia e assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: A tipologia predominante se define pelas marcas discursivas do texto, que apresentam tese, problematização e juízo de valor sobre um tema abstrato, sem regras, instruções, publicidade ou neutralidade informativa. Isso se evidencia em trechos como “Vivemos um tempo paradoxal: nunca foi tão fácil produzir conteúdo, mas nunca foi tão difícil produzir sentido. Em meio a textos automatizados e narrativas guiadas por algoritmos, surge uma questão essencial: o que acontece quando delegamos às máquinas não apenas a forma, mas a intenção do que comunicamos? [...] Nesse cenário, comunicar exige ética. [...] A intenção é o núcleo da comunicação.”; por isso, a alternativa correta é D.

Tema central: ética da comunicação tecnológica
Análise das alternativas
A
Errada
Incorreta porque o texto não se organiza como normativo. Não há regras explícitas, enumeração de deveres formais, comandos regulatórios nem padronização de condutas. A frase “Nesse cenário, comunicar exige ética.” expressa juízo reflexivo e valorativo, não estrutura normativa.
B
Errada
Incorreta porque o texto não tem caráter instrucional nem didático-operacional. Não apresenta passo a passo, procedimentos, orientações de uso ou explicação prática sobre ferramentas digitais. A organização textual gira em torno de reflexão sobre efeitos éticos da tecnologia na comunicação.
C
Errada
Incorreta porque a finalidade publicitária é incompatível com o sentido do texto. Não há promoção de produto, marca, serviço ou solução comercial baseada em IA. Ao contrário, o autor destaca limites e riscos, como em “O risco central não é a substituição do humano, mas o esvaziamento do significado.” e “Onde não há intenção humana, há o perigo da manipulação disfarçada de inovação.”
D
Certa
A alternativa D está correta porque identifica a função predominante do texto: refletir e argumentar sobre um tema abstrato, com eixo ético e posição avaliativa do enunciador. O texto problematiza a comunicação mediada por IA, formula uma questão central, sustenta a tese de que o risco maior é o esvaziamento do significado e reafirma a centralidade da intenção humana: “A IA pode ampliar e organizar vozes, mas não cria intenção. A intenção é o núcleo da comunicação.” Isso caracteriza um texto dissertativo-reflexivo.
E
Errada
Incorreta porque o texto não é neutro nem centrado em dados objetivos. O enunciador assume posição explícita e avaliativa, com marcas como “risco central”, “perigo da manipulação” e “comunicar exige ética”. Além disso, não há levantamento factual, estatísticas ou exposição impessoal.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre tema tecnológico e tipologia textual: como o texto fala de IA e comunicação, pode parecer didático, informativo ou até normativo, mas suas marcas reais são de problematização argumentativa e reflexão ética.
Dica para questões semelhantes
  • Identifique se o texto apresenta tese e juízo de valor; se isso ocorrer, a tendência é dissertativo-reflexiva ou dissertativo-argumentativa, não informativa neutra.
  • Não confunda tema com função: falar de tecnologia não transforma o texto em didático, instrucional ou técnico.
  • Frases de valor geral, como “comunicar exige ética”, não bastam para classificar o texto como normativo; é preciso haver prescrição organizada de regras.
  • Verifique a finalidade discursiva dominante: problematizar um tema é diferente de instruir, anunciar ou apenas informar.

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