A vitória da melancia quadradaHá quase dez anos, em agosto d...
Há quase dez anos, em agosto de 2007, falei de um agricultor japonês, da ilha de Shikoku, que não se conformava com a dificuldade para guardar uma melancia na geladeira. O formato da fruta não ajudava – grande e arredondada, tomava muito espaço na prateleira e deixava cantos vagos e ociosos, difíceis de ser ocupados. Além disso, era instável, não parava quieta, era complicado cortá-la. Nosso herói perguntou-se se esse erro de design da natureza não seria passível de correção.
Como agricultor de mão cheia, calculou que, se começasse a cultivar melancias em caixas de vidro, elas acabariam adotando o formato da caixa. Talvez precisasse de muitas gerações de melancias para atingir o efeito, mas os japoneses não são como nós, sabem esperar – e, se ele não conseguisse, seus descendentes continuariam a tarefa. O importante era produzir uma melancia quadrada, não importava quantos sóis nascessem e morressem.
Levou 20 anos, mas, naquele ano de 2007, o lavrador conseguiu. A melancia quadrada era uma realidade. Li aquilo e empolguei-me tanto que escrevi uma coluna a respeito. Há poucos dias, vi pela televisão que as melancias quadradas são um sucesso nos mercados asiáticos e que o Japão fatura milhões com sua produção e exportação. É bom saber que uma empreitada deu certo. Pois, para minha surpresa, descobri que o Ceará também se tornou produtor de melancias quadradas – e que os cearenses estão competindo em vendas com o Japão! Interpreto isto como um alento. Quem sabe, no futuro, inspirando-nos em bons exemplos, não seremos também um país?
Considere a frase do último parágrafo.
Quem sabe, no futuro, inspirando-nos em bons exemplos, não seremos também um país?
No trecho reescrito nas alternativas, a expressão destacada apresenta ideia de condição em: