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Ano: 2021
Banca:
Instituto UniFil
Órgão:
Prefeitura de Cornélio Procópio - PR
Provas:
Instituto UniFil - 2021 - Prefeitura de Cornélio Procópio - PR - Professor de Educação Física
|
Instituto UniFil - 2021 - Prefeitura de Cornélio Procópio - PR - Professor Educação Básica 1º ao 5º Ano e/ou Educação Infantil |
Q4329996
Não definido
Texto associado
A falta de emoção do home office
Alice Ferraz*
Meu primeiro emprego, aos 17 anos, foi como
vendedora de loja de uma conhecida marca de moda em
São Paulo, na década de 1980. Lembro-me da sensação
de liberdade que, a partir de então, começou a fazer parte
da minha vida: depois do colégio, eu ia ao trabalho. A
liberdade não era só pelo dinheiro que, claro, fazia parte
do pacote, mas da enorme gama de possibilidades que
se abriam na minha “pequena” vida até então cercada de
cuidados e de um inabalável cerco familiar.
Como vendedora, tive que aprender mais sobre
paciência com clientes, a resistência física para se
manter em pé por horas e a controlar impulsos de
compras, afinal, estava o dia todo em um oásis de
consumo. Depois disso, fui trabalhar no escritório de uma
confecção no extremo oposto de onde eu morava em São
Paulo. Nesse momento, conhecer a cidade com meu guia
no colo (sim, não existia Waze) tornou-se um desafio e
motivo de satisfação diária. Estava mais longe de casa,
mais solta no mundo que se abria muitas vezes com certa
violência, mostrando-me faces até então escondidas por
uma vida cheia de limites rígidos e cuidados de uma
família tradicional.
De emprego em emprego, acordar pela manhã e
sair de casa para exercer meu papel como parte
integrante da sociedade me fazia (e faz até hoje) sentir
um “frio no estômago”, um entusiasmo que está ligado ao
desconhecido, ao imprevisível que o dia pode e
certamente irá trazer. Durante a semana passada, em um
desses encontros fortuitos que sempre se mostram como
a “cereja” do meu dia, encontrei uma jovem de 22 anos
no escritório. Ela estava passando em frente e entrou
para visitar a irmã, minha colaboradora há mais de uma
década. Animada, cheia de atitude, cabelos molhados
soltos em um descompromisso proposital com a imagem,
lembrou-me de mim mesma nessa idade.
Estava a caminho de uma consulta médica de
rotina, feliz ao andar na rua e me disse algo que, apesar
de intuir, não tinha ainda tido o contato para sentir. “A vida
de home office não tem emoção.” A frase “pulou” da sua
boca em um encontro em pé no meio da empresa. “Fui
contratada e, uma semana depois, estava em home
office. Não conheço meu chefe pessoalmente, nem os
diretores. Passo os dias sentada em Zoom e calls. Já
soube que será assim por prazo indeterminado e estou
procurando outro emprego”, explicou. Olhando para trás,
não posso me imaginar nessa idade sem a emoção do
dia a dia na rua em uma grande cidade como São Paulo.
Os encontros casuais no trânsito, na rua, na copa dos
escritórios para um café, os almoços com colegas, as
reuniões presenciais e seu rito, a escolha do que vestir
para o dia e quem sabe um happy hour, tudo fazia parte
do experimentar. Experimentar a vida.
A pandemia nos transformou e dar um próximo
passo nas regras e modelos de trabalho é necessário.
Pensar em como não tirar e sim somar para que a
experiência de viver a aventura profissional seja melhor
do que era parece ser agora o grande desafio das
empresas. Estar em casa o dia todo em frente ao
computador não pode ser a melhor solução. A convivência física e o sentimento que ela gera é
primordial para nosso desenvolvimento emocional em
sociedade.
*ALICE FERRAZ É ESPECIALISTA EM MARKETING DE
INFLUÊNCIA E ESCRITORA, AUTORA DE “MODA À
BRASILEIRA”
Disponível em https://www.terra.com.br/noticias/a-falta-de-emocao-dohome-office,db3c64c3ab4372f0f3003cc1d4373886bjiea3rv.html
Analise: “Passo os dias sentada em Zoom e
calls.” E assinale a alternativa correta.