Paracoccidioidomicose da cavidade oral. Assinale a alternati...
Gabarito comentado
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Tema central: Paracoccidioidomicose (PCM) com foco em lesões da cavidade oral. É uma micose sistêmica endêmica no Brasil, causada por fungos Paracoccidioides, com porta de entrada respiratória e frequente acometimento mucoso, especialmente oral. As lesões orais são clássicas para o diagnóstico.
Gabarito (alternativa errada): C – Afirmar que os “rebordos alveolares são poupados” está incorreto. Na PCM, a mucosa alveolar/gingival é um dos sítios mais acometidos, com a típica estomatite moriforme (aspecto em “amora”, com pontilhado hemorrágico), podendo envolver também lábios, palato, jugal e língua. Logo, não há “poupança” dos rebordos alveolares (Harrison’s; UpToDate; Consenso Brasileiro de Paracoccidioidomicose).
Por que as demais estão corretas?
A. Paracoccidioides brasiliensis é o principal agente em grande parte do Brasil e é um fungo dimórfico (micélio no ambiente e levedura no tecido). Nota: há outras espécies, como P. lutzii, mas a assertiva permanece correta para concursos (Harrison’s; UpToDate).
B. Lesão oral típica = estomatite moriforme: placas/ulcerações granulomatosas, friáveis, com pontos hemorrágicos, frequentemente em gengiva e rebordos alveolares. É um achado clássico e altamente sugestivo (Consenso Brasileiro; SBI).
D. O acometimento pulmonar pode apresentar opacidades bilaterais perihilares, por vezes descritas como padrão em “asa de borboleta”. Não é exclusivo da PCM nem constante, mas é compatível com o espectro radiológico (infiltrado interstício-alveolar, retículo-nodular, fibrose) frequentemente centrado em regiões hilares e campos médios (Harrison’s; UpToDate). Atenção: o padrão “asa de borboleta” também ocorre em edema pulmonar – use o contexto clínico.
Como chegar à resposta na prova: destaque palavras absolutas como “toda” e “poupados”. Na PCM oral, os rebordos alveolares não são poupados; pelo contrário, são frequentemente comprometidos com estomatite moriforme.
Diagnóstico essencial: suspeitar em adulto rural, tabagista, com lesões orais dolorosas e perda ponderal. Confirmar com exame direto (KOH) ou histopatologia mostrando leveduras com múltiplos brotamentos (“roda de leme”), colorações de prata (Grocott), cultura e sorologia (imunodifusão).
Conduta resumida: itraconazol é primeira linha em quadros leve–moderados por 6–12 meses; casos graves com anfotericina B de desoxicolato ou lipossomal; alternativa: SMX-TMP em uso prolongado. Suporte nutricional e cessação do tabagismo são importantes (Consenso Brasileiro; Ministério da Saúde; UpToDate).
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