Incluem características clínicas da otite externa necrotizante:
Gabarito comentado
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Tema central: A otite externa necrotizante (também chamada “maligna”) é uma infecção invasiva do conduto auditivo externo que pode acometer a base do crânio. Ocorre tipicamente em idosos diabéticos ou imunodeprimidos e é, na maioria, causada por Pseudomonas aeruginosa. O quadro clássico: otalgia intensa e persistente (pior à noite), otorreia purulenta e tecido de granulação no assoalho do CAE (junção osteocartilaginosa).
Alternativa correta: D – Combina os elementos-chave: dor persistente + secreção purulenta + granulação no CAE em hospedeiro de risco (diabético/imunodeficiente). Esse conjunto é altamente sugestivo de otite externa necrotizante, conforme descrito em revisões de referência (UpToDate; Cummings Otolaryngology; Harrison).
Por que as demais estão incorretas?
A) Foca em “cheiro fétido”, “sangramento” e “não cicatrização”. Não são critérios definidores. Fetidez pode ocorrer em várias otites; sangramento não é achado típico; “não cicatrização do CAE” é vago e não específico.
B) “Otorreia crônica sem cheiro” com otalgia sugere otite externa simples ou otite média crônica. Ausência de granulação e de hospedeiro de risco afasta o diagnóstico de forma invasiva.
C) Descreve dor persistente, otorreia e granulação, mas em paciente não diabético ou imunodeficiente. Embora casos em imunocompetentes existam, o padrão epidemiológico clássico é em diabéticos/imunodeprimidos; as bancas cobram esse ponto como discriminador.
Como reconhecer na prova:
- Dor desproporcional ao achado otoscópico, pior à noite.
- Granulação no assoalho do CAE (ponto de entrada da infecção para o osso temporal/base do crânio).
- Paciente diabético/imunossuprimido.
Diagnóstico: Otoscopia com cultura da secreção; VHS/CRP elevados; TC para erosão óssea e RM para extensão de partes moles; cintilografias (Ga-67/FDG-PET) podem auxiliar no seguimento. Avaliar pares cranianos (especialmente VII).
Tratamento (conduta de prova): - Antipseudomonais sistêmicos: ciprofloxacino VO em casos leves com boa adesão; em casos graves, cefepime/ceftazidima ou piperacilina-tazobactam IV, por 6–8 semanas, guiado por clínica e marcadores inflamatórios. - Controle rigoroso da glicemia, limpeza do CAE, gotas tópicas apenas como adjuvantes. - Cirurgia restrita a desbridamento/abscesso; evitar manipulação agressiva.
Pegadinhas: “Cheiro fétido” e “sangramento” não definem o diagnóstico. Foque na tríade dor + purulência + granulação no paciente de risco.
Referências: UpToDate (Otitis externa: Necrotizing), Harrison’s Principles of Internal Medicine, 21ª ed.; Cummings Otolaryngology–Head and Neck Surgery; AAO-HNS materiais educativos.
Gabarito: D
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