Um lactente de 6 meses apresenta febre alta, prostração, tos...

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Q2592983 Medicina

Um lactente de 6 meses apresenta febre alta, prostração, tosse seca e aumento da frequência respiratória. Ao exame físico, observa-se rinite purulenta e crepitações bilaterais nos pulmões. O hemograma revela leucocitose com neutrofilia e o raio-X de tórax demonstra pneumonia multilobar. Qual o agente etiológico mais provável?

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Tema central: pneumonia comunitária em lactentes. O enunciado traz um quadro agudo com febre alta, prostração, taquipneia, rinorreia purulenta, crepitações bilaterais, leucocitose com neutrofilia e radiografia com acometimento multilobar — conjunto típico de pneumonia bacteriana “típica” em lactente.

Alternativa correta: B — Streptococcus pneumoniae

O S. pneumoniae é o agente bacteriano mais frequente de pneumonia em crianças menores de 2 anos. Costuma cursar com febre alta, toxemia, leucocitose com neutrofilia e infiltrado alveolar/lobar, podendo ser multilobar. A rinite purulenta sugere infecção bacteriana de vias aéreas superiores concomitante, que favorece doença pneumocócica. Diretrizes da SBP e PIDS/IDSA apontam o pneumococo como principal etiologia nessa faixa etária e padrão clínico-radiológico descrito.

Por que as demais estão incorretas?

A — Staphylococcus aureus: costuma associar-se a quadros pós-influenza, evolução rápida com pneumatoceles, empiema/derrame pleural e maior gravidade. Embora possa ser multilobar, faltam pistas radiológicas/ clínicas típicas (cavitações, derrame importante). Mantém-se como diagnóstico diferencial se houvesse complicações.

C — Haemophilus influenzae tipo b (Hib): após vacinação, é raro nessa idade em crianças imunizadas. Quando presente, pode causar pneumonia, mas é menos prevalente que pneumococo. A ausência de sinais de gravidade como derrame importante e a epidemiologia atual tornam o Hib menos provável (SBP; OMS).

D — Mycoplasma pneumoniae: típico de pré-escolares maiores e escolares (>5 anos), com quadro subagudo, tosse persistente, febre mais baixa e padrão intersticial em radiografia, além de pouca leucocitose. Em lactentes é incomum.

E — Chlamydia pneumoniae: também mais comum em escolares/adolescentes. Em lactentes, a clamídia relevante é C. trachomatis (2–12 semanas), com tosse em “staccato”, afebril e eosinofilia, o que não corresponde ao quadro descrito.

Estratégia de prova: em lactentes, associe: idade + febre alta/toxemia + neutrofilia + padrão alveolar/lobar (até multilobar) → pense primeiro em S. pneumoniae. Padrão intersticial e sintomas arrastados sugerem atípicos; pneumatoceles/derrame volumoso levantam S. aureus; cenário de não vacinado pode sugerir Hib.

Conduta (para revisar): SBP/PIDS recomendam amoxicilina como primeira linha em casos ambulatoriais; critérios de internação (ex.: acometimento multilobar, toxemia, hipoxemia) indicam terapia IV com ampicilina/penicilina G ou ceftriaxona. Cobertura para S. aureus (oxacilina) é reservada se houver complicações sugestivas (empiema, cavitações).

Referências: Diretrizes SBP – Pneumonia Comunitária; PIDS/IDSA CAP Guidelines; OMS Pocket Book; UpToDate, Community-acquired pneumonia in children.

Gabarito: B

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