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Ano: 2022 Banca: IBFC Órgão: SES-DF Prova: IBFC - 2022 - SES-DF - Médico - Pneumologia |
Q1943030 Medicina
Homem de 67 anos, portador de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), vem para a primeira consulta ambulatorial com você. Espirometria recente com VEF1 pós-broncodilatador = 58%. Tem tosse pouco secretiva e alguns episódios de sibilância. Nega outras comorbidades e já cessou tabagismo há 3 anos. Perdeu seguimento médico prévio e a única medicação que usa por conta própria é salbutamol aerossol, 1 jato a cada 12/12h. Atualmente está com um escore mMRC = 1 e escore CAT = 8. No último ano teve quatro exacerbações da DPOC, sendo que permaneceu internado em duas dessas ocasiões. Hemograma com contagem de eosinófilos = 180 células/mm3 . Para este caso, assinale a alternativa que contempla a classificação clínica da DPOC, segundo o GOLD (Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease) e a melhor conduta terapêutica.
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Tema central: Esta questão aborda a classificação clínica e conduta terapêutica na Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), conforme o Relatório GOLD 2025 – principal referência internacional para diagnóstico e manejo da DPOC.

Análise do caso: Trata-se de paciente idoso, ex-tabagista, com VEF1 = 58% (obstrução moderada) e histórico de quatro exacerbações/ano, sendo duas graves (internações). O escore mMRC = 1 e CAT = 8 indicam leve impacto sintomático, porém chama atenção o alto risco de exacerbações.

Dica de prova: Segundo a nova classificação GOLD, “exacerbador” (Grupo E) é o paciente com ≥2 exacerbações leves/moderadas ou ≥1 grave nos últimos 12 meses. Pacientes sintomáticos, mas sem exacerbação ou com apenas 1 leve, enquadram-se em grupos A ou B. Fique atento ao número e gravidade das exacerbações no enunciado!

Justificativa da alternativa correta (A):

A alternativa sugere a troca do salbutamol (SABA, uso apenas para alívio) por tiotrópio (LAMA de longa duração), que reduz sintomas, exacerbação e internações, consolidado pelo GOLD 2025: “Pacientes do Grupo E devem receber LABA + LAMA de início; é aceitável iniciar com monoterapia se não houver acesso simultâneo a ambos”. O VEF1 e exames não contraindicam o LAMA. A opção, apesar de citar GOLD C (termo antigo), está correta quanto à conduta, portanto deve ser assinalada.

Análise das alternativas incorretas:

  • B) A troca por formoterol (LABA) isolado não cobre adequadamente o perfil exacerbador. GOLD recomenda associação ou LAMA prioritariamente para Grupo E.
  • C) Azitromicina diária é opção adjuvante, nunca como primeira linha. Atua para redução adicional das exacerbações, mas só é indicada em casos refratários pela diretriz.
  • D) Budesonida isolada (CI) não é indicada sem associação e só é indicada se eosinófilos ≥300 células/mm³ ou asma associada, o que não ocorre aqui.
  • E) Ipratrópio de resgate não é superior ao tratamento de manutenção com LAMA.

Estratégia de resolução: Priorize identificar número e tipo de exacerbações, e sempre relacione com os grupos A/B/E do GOLD. Atenção para não se confundir com níveis sintomáticos baixos e risco elevado por exacerbação!

Referências essenciais: GOLD 2025, Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Ministério da Saúde, e obra “Doenças Pulmonares” (SBPT).

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Comentários

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A resposta correta para esta questão é a alternativa A - Classificação GOLD C. Trocar o salbutamol por tiotrópio. Isso ocorre porque, de acordo com a classificação GOLD, pacientes com DPOC são classificados em quatro grupos (A, B, C e D) com base em seus sintomas e na gravidade da doença. Neste caso, o paciente apresenta um VEF1 pós-broncodilatador de 58%, quatro exacerbações no último ano, além de já ter sido internado duas vezes. Ele também apresenta um escore mMRC de 1 e escore CAT de 8. Esses fatores indicam uma doença mais grave, classificando-o como GOLD C. A melhor conduta terapêutica seria trocar o salbutamol por tiotrópio, um broncodilatador de ação prolongada que ajuda a melhorar os sintomas e a qualidade de vida do paciente com DPOC.

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