A eliminação viral espontânea, após infecção aguda pelo víru...

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Q2398510 Medicina
A eliminação viral espontânea, após infecção aguda pelo vírus da hepatite C (HCV), ocorre em cerca de 20% dos casos e evolui para cura. Os demais, cursam com cronificação da infecção e, em média, 20% desses pacientes podem evoluir para cirrose hepática ao longo de 10 a 50 anos após o contágio inicial. Sobre o tratamento da hepatite C crônica, assinale a alternativa correta. 
Alternativas

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Tema central: Tratamento da hepatite C crônica com antivirais de ação direta (DAAs), considerando genótipos, estágio de doença hepática e condições especiais (como insuficiência renal e cirrose).

Gabarito: A

Por que a alternativa A está correta? Em pacientes com HCV genótipo 1 e insuficiência renal grave (TFG < 30 mL/min) ou em diálise, o esquema elbasvir + grazoprevir é recomendado e seguro, com taxas de resposta virológica sustentada (RVS) >95%. Evita-se sofosbuvir nesses casos em muitos protocolos por depuração renal. Diretrizes do Ministério da Saúde (PCDT), AASLD/IDSA e EASL reconhecem elbasvir/grazoprevir como opção para GT1 (e GT4) em DRC avançada. O raciocínio da prova exige identificar o match entre genótipo e comorbidade renal.

Análise das alternativas incorretas

B) Incorreta. O tratamento não é restrito a fibrose avançada. As diretrizes atuais recomendam tratar praticamente todos os pacientes com infecção crônica por HCV, independentemente do estágio de fibrose, exceto em casos com expectativa de vida muito limitada não modificável. Isso reduz progressão para cirrose, HCC e transmissão. Referências: PCDT-MS, AASLD/IDSA, EASL, OMS.

C) Incorreta. Daclatasvir não é inibidor de protease NS3/4A; é um inibidor de NS5A. Dica para prova: fármacos -previr = inibidores de protease (ex.: grazoprevir); -asvir = inibidores de NS5A (ex.: daclatasvir, elbasvir); -buvir = inibidores de polimerase NS5B (ex.: sofosbuvir). Embora daclatasvir já tenha sido disponibilizado em esquemas do SUS (p.ex., com sofosbuvir), o erro de classe torna a assertiva falsa.

D) Incorreta. Em cirrose descompensada (Child-Pugh B/C) com MELD < 20, a conduta preferida é tratar antes do transplante com esquemas sem inibidores de protease (ex.: sofosbuvir/velpatasvir ± ribavirina), visando estabilizar e até “delistar” alguns pacientes. Postergar para pós-transplante é considerado quando o MELD é alto (≈>20–25) ou há benefício claro em priorizar o enxerto. A afirmação inverte a recomendação. Fontes: AASLD/IDSA, EASL, PCDT-MS.

Estratégias de prova:

  • Associe sufixos dos DAAs à classe-alvo: -previr (NS3/4A), -asvir (NS5A), -buvir (NS5B).
  • Em DRC estágio 4/5, prefira esquemas sem sofosbuvir quando a diretriz local assim orientar; elbasvir/grazoprevir é opção para GT1/4.
  • Na cirrose descompensada, evite inibidores de protease; avalie MELD para decidir pré vs pós-transplante.

Referências rápidas: PCDT Hepatite C – Ministério da Saúde; AASLD/IDSA HCV Guidance; EASL Recommendations; Harrison’s Principles of Internal Medicine; UpToDate.

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O tratamento da hepatite C crônica tem evoluído consideravelmente nos últimos anos com a introdução dos agentes antivirais diretos (DAAs), que têm mostrado altas taxas de cura viral. A alternativa A está correta e refere-se ao tratamento adaptado para pacientes com genótipo 1 do vírus da hepatite C que também possuem insuficiência renal significativa (taxa de filtração glomerular < 30 ml/min). Nesse contexto, o regime de tratamento com elbasvir + grazoprevir é recomendado por ser eficaz e ter um perfil de segurança adequado para pacientes com função renal comprometida, uma vez que não requer ajuste de dose. A alternativa B está incorreta porque o tratamento da hepatite C não está limitado a pacientes com estágios de fibrose avançada; benefícios do tratamento podem ser observados em estágios mais precoces da doença, e as diretrizes atuais recomendam tratamento para todos os pacientes com infecção crônica pelo HCV, independente do grau de fibrose. A alternativa C está incorreta porque o daclatasvir é um inibidor da NS5A e não da protease NS3/4A. Fármacos como o simeprevir e o paritaprevir são inibidores da protease NS3/4A. Por fim, a alternativa D está incorreta, pois não há uma regra absoluta para tratar o HCV apenas após o transplante hepático em pacientes com cirrose descompensada e escore MELD < 20. Decisões de tratamento pré-transplante dependem de uma variedade de fatores, incluindo a gravidade da doença hepática, a disponibilidade de órgãos, o risco de descompensação adicional, e o potencial de melhora no escore MELD que pode impactar a prioridade para transplante. Em muitos casos, tratar o HCV antes do transplante é benéfico para reduzir o risco de recorrência da infecção no fígado transplantado.

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