‘Acham que alguém da minha idade deve estar
recolhido em casa. Não vou ser assim nunca’, diz
Ney Matogrosso
Mônica Bergamo / Victória Cócolo
Em 2025 houve a estreia do filme sobre sua
biografia, “Homem com H”, turnês e o projeto
musical Tiny Desk. Aos 84 anos, de onde vem a
energia para abraçar tantos projetos?
Eu também não sei. Na verdade, estou bem cansado.
Estou louco para chegar o fim do ano para descansar.
Vão ser miniférias — isso até o ano novo, em que eu
vou cantar com o Gil no Rio de Janeiro. Depois, tem
show marcado de janeiro até julho.
O corpo é um elemento muito presente no seu
trabalho. O que você faz para se cuidar?
Faço ginástica diariamente quando estou no Rio de
Janeiro, na minha casa. Não faço no hotel porque tem
que vestir o modelito. Gosto de fazer exercício do jeito
que estiver, só de shorts.
Com qual dos projetos você se divertiu mais neste
ano?
Eu gostei de tudo, mas demanda energia. Todos os
projetos me interessavam muito, então eu me envolvi
mesmo. Por exemplo: com o filme ‘Homem com H’, eu
li 12 roteiros, acompanhei três dias de gravação, com
filmagens de 12 horas. Eu tenho prazer trabalhando.
Sobre o filme, como foi se ver projetado numa tela
de cinema? É estranho?
Muito estranho. Mas o Jesuíta Barbosa [protagonista
de “Homem com H”] é muito bom, um ator maravilhoso.
Tinha horas em que, vendo o filme, eu pensava: será
que eles pegaram um pedaço de mim de verdade e
colocaram no filme?
Você declarou que o filme foi um marco e que antes
podia sair na rua, mas agora é abordado o tempo
todo. Como tem sido essa experiência?
Eu sempre andei na rua, aqui no Leblon, estão todos
acostumados. Mas, subitamente, agora vem falar
comigo gente que nunca teria se aproximado. Ontem
[quarta, dia 10] eu saí e, quando estava voltando, veio
um casal de adolescentes. Um devia ter uns 15 anos,
a namorada uns 14. Vieram me pedir uma foto e,
enquanto isso, estava passando um casal de senhores
que disse: “Vocês têm muito bom gosto”. Eu achei tudo
muito engraçado. Eu lá, parado no meio da rua
fazendo foto, e o casal passando e falando dos
meninos. Foi ótimo.
E qual é a sua relação com a finitude e a morte?
Você pensa sobre a morte?
Normal. Eu aceito. Estou convivendo com isso: minha
mãe está com 103 anos, não se levanta mais da cama,
e eu estou vendo que é isso que vai acontecer com ela
— e tenho que aceitar a minha morte também. Eu não
sou paranoico, não sou grilado com a realidade da
vida.
Você canta algumas músicas da Rita Lee no seu
show. Isso te faz se sentir mais perto dela,
especialmente agora que ela se foi?
Acho que sim. Para mim, é um prazer enorme cantar a
Rita. Nós éramos o mesmo lado da moeda. Nosso jeito
de ver o mundo era muito parecido.
Tem alguma música do seu repertório que mudou
de sentido ao longo dos anos?
“Sangue Latino”. Quando lancei, era uma música
normal. Com o passar do tempo, ela significa cada vez
mais para mim. Parece que eu já estava falando de
mim mesmo. Naquela época, eu não tinha meus
mortos, meus caminhos tortos, agora eu tenho.
Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/autores/victoriacocolo.shtml. Acesso em: 25 maio 2026.
Assinale a alternativa em que a reescrita fornecida
está de acordo com as regras de concordância
verbal da norma-padrão.
Incorreta. Gabarito oficial da banca:
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