O uso de medicamentos corticoesteroides, tanto na fase aguda...

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Q34697 Medicina
A esclerose múltipla é uma doença que se caracteriza
principalmente por áreas multifocais de desmielinização no
encéfalo e na medula espinhal. Acerca dessa neuropatia, julgue os
próximos itens.

O uso de medicamentos corticoesteroides, tanto na fase aguda (durante um surto da doença) quanto na fase crônica, está associado ao fato de esses medicamentos reduzirem significativamente a incapacidade física de longo prazo e a frequência de novos surtos nos pacientes portadores dessa patologia.
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Comentário da Questão – Esclerose Múltipla e o uso de Corticoesteroides

Tema central: A questão aborda o tratamento da esclerose múltipla (EM), mais especificamente o papel dos corticoesteroides nas fases aguda e crônica da doença.

Explicação didática:

  • EM é uma doença autoimune caracterizada por desmielinização multifocal do sistema nervoso central, levando a episódios recorrentes (surtos) e possível progressão crônica da incapacidade.
  • O tratamento do surto é feito com corticoesteroides em altas doses (ex: metilprednisolona 1g/dia IV por 3 a 5 dias), acelerando a recuperação clínica do paciente, mas não altera a evolução natural ou previne novos surtos ou incapacidade a longo prazo.
  • No controle crônico, o objetivo é impedir a recorrência dos surtos e retardar a progressão da doença. Para isso, utilizam-se medicamentos modificadores do curso da doença (MMCD) como interferon beta, acetato de glatirâmer, fingolimode, entre outros.

Justificativa da alternativa correta:

A alternativa E) errado está correta porque, conforme o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) de Esclerose Múltipla do Ministério da Saúde:

“A base do tratamento da recidiva envolve o uso de corticosteroide em altas doses para diminuir a inflamação e acelerar a recuperação do paciente […]. O uso prolongado de corticosteroides não é indicado, pois não reduz a frequência de novos surtos nem previne incapacidade de longo prazo.”

Corticoides só têm evidência de benefício na fase aguda; na crônica, seu risco supera benefícios, podendo causar efeitos adversos significativos (osteoporose, infecções, diabetes, hipertensão).

Análise crítica das alternativas:

  • C) certo: Errada! Fere a evidência científica: corticoides NÃO reduzem incapacidade a longo prazo nem a ocorrência de novos surtos. Isso caracteriza pegadinha comum em concurso que tenta confundir ao ampliar indevidamente o papel do corticoide.
  • E) errado: Correta! Está de acordo com protocolos e consensos nacionais e internacionais.

Dica para provas: Sempre associe corticoesteroides à fase aguda dos surtos na EM. Para manutenção/crônico, lembre dos modificadores do curso e nunca do corticoide.

Fontes confiáveis: PCDT Esclerose Múltipla (Ministério da Saúde, 2023), Harrison’s Principles of Internal Medicine, 20ª edição, UpToDate, revisões sistemáticas publicadas no PubMed.

Resumo: O uso de corticoides está restrito à fase aguda e não deve ser feito de forma crônica na EM.

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Pulsos de metilprednisolona podem ser feitos no tratamento dos surtos. Na fase crônica, acredito que não.

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