O Brasil está prestes a atingir um marco
demográfico histórico: pela primeira vez, terá mais
pessoas de 60 anos ou mais do que crianças e
adolescentes de zero a 14 anos. Segundo projeções
do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística), em 2029 o país contará com 40,1 milhões
de idosos, superando os 39,2 milhões de jovens com
menos de 15 anos.
O Censo Demográfico de 2022 já evidenciou essa
transição em nível regional. Em dois estados, a
população idosa superava a jovem: no Rio Grande do
Sul, havia 115 idosos para cada 100 jovens; no Rio de
Janeiro, 106 para cada 100. Entre as 27 capitais, cerca
de 55% já apresentavam mais idosos do que jovens.
Porto Alegre destacava-se como a capital mais
envelhecida, com 137 idosos para cada 100 jovens,
enquanto São Paulo, a maior cidade do país,
registrava 103 para cada 100.
A idade mediana da população brasileira era de 18
anos em 1950, chegou a 34 anos em 2022 e deve
atingir 49 anos em 2072, quando o país celebrará os
250 anos da Independência. Nessa data, a razão de
idosos poderá alcançar 317 para cada 100 jovens. O
envelhecimento populacional tende, assim, a
consolidar-se como a principal característica
demográfica do Brasil no século 21 — um processo
que traz desafios relevantes, mas também
oportunidades.
O principal desafio decorre do esgotamento do
primeiro bônus demográfico. A proporção de pessoas
em idade ativa (15 a 59 anos) já está em declínio, o
que pode gerar crise fiscal e estagnação econômica
caso o país mantenha uma visão estática das relações
intergeracionais, baseada em um ciclo de vida rígido
— com jovens apenas estudando, adultos
exclusivamente trabalhando e idosos integralmente
aposentados.
A narrativa da catástrofe demográfica tornou-se
recorrente. No entanto, o envelhecimento deve ser
encarado com perspectiva construtiva, pois há outras
duas janelas estratégicas para promover prosperidade
e bem-estar.
O segundo bônus demográfico, ou bônus da
produtividade, ao contrário do primeiro, não é
transitório. Seus efeitos podem se prolongar
indefinidamente, desde que haja investimentos
contínuos em educação, saúde, ciência e
infraestrutura. Esses fatores elevam a produtividade do
trabalho, permitindo que a economia produza mais
com menor uso de insumos humanos e ambientais,
compensando a redução da força de trabalho.
A outra fronteira estratégica é o terceiro bônus
demográfico, ou bônus da longevidade, associado à
expansão de vidas saudáveis e ativas. Esse bônus
depende de como a sociedade se organiza para viver
mais e melhor, ampliando os anos com autonomia e
sem incapacidades severas. Nesse contexto, o capital
humano acumulado ao longo da vida permite que os
idosos continuem contribuindo, compartilhando
experiência, conhecimento e capacidades produtivas.
O professor Andrew Scott, em “The Longevity
Economy” (2021), publicado na The Lancet Healthy
Longevity, argumenta que esse marco exige uma
mudança de paradigma: deixar a ideia de uma
“sociedade que envelhece” para construir uma
“sociedade da longevidade”. Na primeira,
acrescentam-se anos à vida; na segunda, adiciona-se
vida aos anos.
A “sociedade que envelhece” costuma ser vista pela
ótica dos custos, como a expansão dos gastos com
previdência e saúde. Já a “sociedade da longevidade”
enfatiza a transformação do ciclo de vida. Scott
destaca a maleabilidade do envelhecimento — a
possibilidade de intervenções que permitam viver não
apenas mais, mas com mais saúde, maior integração
social e níveis mais elevados de produtividade.
A economia da longevidade exige superar o
etarismo e construir trajetórias de vida mais flexíveis e
multietapas, com requalificação ao longo da vida,
mudanças de carreira e maior inclusão das gerações
maduras no mercado de trabalho, além de maior
capacidade de adaptação por parte dos indivíduos, das
empresas e das políticas públicas.
Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/04/aeconomia-dalongevidade.shtml?utm_source=whatsapp&utm_medium=social&ut
m_campaign=compwa. Acesso em: 25 maio 2026.
Assinale a alternativa que analisa corretamente o
uso da pontuação no excerto.
Incorreta. Gabarito oficial da banca:
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