O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
As substâncias que o corpo transforma em drogas
ilegais
Os traficantes de drogas encontraram uma forma de
burlar as agências reguladoras, utilizando uma das
ferramentas mais potentes do nosso corpo: o
metabolismo. Os pró-fármacos são substâncias que só
conseguem causar efeito após serem decompostas por
enzimas do sistema digestivo ou por outras reações
químicas do corpo. Embora tenham usos farmacológicos
legítimos (5% a 7% dos medicamentos aprovados
enquadram-se nesta categoria), o seu uso como drogas
recreativas é um fenômeno relativamente novo.
A maioria das drogas ilícitas funciona por meio de
interação com receptores específicos das células
cerebrais, estimulando ou bloqueando a liberação de
substâncias chamadas neurotransmissores. Elas duram
por curto período, até serem transformadas em
substâncias inativas ou com menos atividade, que são
então eliminadas do corpo, normalmente pela urina. Mas,
no caso dos pró-fármacos, uma pequena parte da
molécula precisa ser removida ou substituída antes de
agir sobre esses receptores, o que é feito dentro do
corpo por processos naturais.
Uma questão importante dos pró-fármacos é que eles
são de difícil detecção. As forças policiais precisam de
amostras de referência para comparar com a droga ou
equipamentos avançados para descobrir sua estrutura
molecular. Como a lista desses compostos não é
conhecida e pequenas alterações químicas podem gerar
padrões diferentes que precisam ser analisados, é fácil
deixar passar essas drogas novas - o que também
explica porque muitas delas só apareceram nos boletins
de ocorrência na última década.
Para amostras biológicas, como sangue, urina ou saliva,
existe ainda outra dificuldade. Como os pró-fármacos
precisam ser convertidos dentro do corpo para que se
tornem ativos, eles, de fato, não são encontrados em
casos de overdoses letais, pois a substância prejudicial
causadora da morte é o produto daquela transformação.
Por isso, existem obstáculos para diferenciar os
pró-fármacos dos componentes mais clássicos nos quais
eles são convertidos.
Embora os efeitos gerais que levam à morte sejam os
mesmos, identificar adequadamente qual droga foi
utilizada originalmente pode ajudar a indicar as
tendências das vendas ilegais, seu uso e disponibilidade.
Mas, para incluir essas substâncias na categoria de
drogas ilícitas, é preciso ter evidências de que elas
causam psicoatividade - definindo-as como compostos
que podem afetar as funções mentais, como a cognição,
o humor e as emoções. A psicoatividade também pode ser determinada por testes de laboratório. As drogas são
incubadas com um pequeno número de células e os
pesquisadores determinam se elas se ligam a proteínas
na superfície celular, chamadas de receptores. Mas
muitos pró-fármacos não se ligam aos receptores antes
de serem convertidos.
Embora essas apreensões sejam pouco frequentes e
não atinjam o volume das drogas mais comuns, como a
cocaína, a maconha ou a heroína, o seu surgimento no
mercado ilegal serve de alerta sobre possíveis novas
tendências do mercado de drogas ilícitas. Existem efeitos
desconhecidos potencialmente de duração e intensidade
e também dificuldades para indiciar os fornecedores
desses pró-fármacos.
Com cerca de uma nova substância psicoativa por
semana no mercado ilegal desde 2021, a imensa
diversidade de drogas no mercado indica um dos
principais desafios para os toxicologistas e químicos
forenses.
Uma nova geração de drogas mais difíceis de serem
detectadas circula no mercado ilegal. Novos
entorpecentes aumentam os motivos de preocupação
dos policiais.
Assinale a opção CORRETA de acordo com o texto
base.