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Q3883443 Medicina
Homem de 59 anos, diagnóstico de adenocarcinoma de reto baixo, a 4 cm da borda anal. Ressonância evidencia T3cN2, sem invasão de fáscia mesorretal, sem metástases. Após quimiorradioterapia neoadjuvante com capecitabina + radioterapia, apresenta resposta clínica completa ao exame físico, colonoscopia e ressonância.
Nesse caso, a conduta adequada, segundo a evidência mais atual, é a seguinte:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: A questão traz adenocarcinoma de reto baixo localmente avançado com resposta clínica completa documentada após quimiorradioterapia; nesse cenário, a diretriz ASCRS 2023/2024 admite watch and wait com vigilância intensiva em pacientes selecionados, o que afasta a obrigatoriedade de cirurgia radical imediata e sustenta o gabarito C.

Tema central: Watch and wait
Análise das alternativas
A
Errada
Errada. Tumor a 4 cm da borda anal não impõe ressecção abdominoperineal de forma automática. A necessidade de APR depende da possibilidade de obter margens adequadas e preservar esfíncter, não apenas da altura do tumor. Além disso, o dado decisivo do caso é a resposta clínica completa após neoadjuvância, que abre a possibilidade de watch and wait.
B
Errada
Errada. A frase 'independentemente da resposta' contradiz o critério central da questão. A resposta ao tratamento modifica a conduta: diante de cCR documentada, a diretriz atual admite manejo não operatório com vigilância intensiva, de modo que proctectomia com excisão total do mesorreto não é obrigatória nesse cenário.
C
Certa
A alternativa C está correta porque o caso preenche exatamente o cenário em que a conduta não operatória é aceita pela evidência contemporânea: adenocarcinoma de reto baixo estádio II/III, sem metástases, tratado com quimiorradioterapia neoadjuvante e com resposta clínica completa documentada por exame físico, endoscopia e ressonância. Nessa situação, a preservação de órgão por vigilância rigorosa é opção válida em pacientes selecionados, desde que dentro de protocolo estruturado de seguimento, justamente porque a cCR afasta a necessidade de ressecção radical obrigatória.
D
Errada
Errada. O paciente já recebeu quimiorradioterapia neoadjuvante, e não há indicação padrão de radioterapia adicional antes de cirurgia em caso de cCR. Essa proposta não integra a conduta consagrada para esse cenário e acrescentaria toxicidade sem o racional protocolar apresentado na base.
E
Errada
Errada. Proctocolectomia total não se justifica por risco genérico de carcinoma sincrônico oculto em adenocarcinoma retal esporádico. A base só sustentaria cirurgia ampliada diante de contexto específico, como síndrome hereditária, polipose, doença inflamatória intestinal extensa ou lesões sincrônicas comprovadas, elementos ausentes no caso.
Pegadinha da questão
A banca explora a associação indevida entre reto baixo e cirurgia radical obrigatória, ignorando que o enunciado fornece o dado realmente decisivo: resposta clínica completa confirmada por exame físico, colonoscopia e ressonância, situação em que a conduta watch and wait é aceita com seguimento rigoroso.
Dica para questões semelhantes
  • Em câncer de reto após neoadjuvância, primeiro identifique se o enunciado descreve resposta clínica completa por avaliação clínica, endoscópica e por ressonância.
  • Se houver cCR documentada, não trate cirurgia radical como automática: a diretriz contemporânea admite watch and wait em pacientes selecionados com vigilância estruturada.
  • Não use a baixa altura tumoral como critério isolado para indicar APR; localização baixa, sozinha, não define amputação obrigatória.
  • Diferencie vigilância intensiva de simples observação: watch and wait só faz sentido quando a questão descreve ou pressupõe seguimento rigoroso.

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