Analise sintaticamente o período "Quem não achava a melodia...

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Q3771658 Português
Letra e melodia


Cinco crianças se sentavam para assistir ao seriado favorito no tapete da sala, e eu era uma delas. Não lembro uma cena marcante sequer, mas a música de abertura está tatuada em minha mente. A letra dizia: "Ei, criança, não venda seus sonhos tão cedo. Pra onde você olhar haverá um coração, alguém para dar a mão". Só descobri seu sentido mais de uma década depois, quando aprendi um pouco de inglês.

Sempre me considerei do grupo que gosta da poesia dos versos, e me espanto ao perceber que já amava algumas músicas muito antes de saber sobre o que elas falavam. Minha mãe sempre foi fã dos hits dos anos 80 e 90, o tipo de música que todo mundo na minha família gosta. Ninguém precisa entender qualquer língua para sentir um arrepio com os acordes iniciais de Africa, do Toto.

Essa música, minha preferida, remete a tardes com minha mãe, quando eu não entendia nada do que dizia — e ainda assim já a amava. Crescer foi descobrir que essas canções tinham belas melodias e mensagens com as quais muitos podem se identificar.

Às vezes acontece o contrário: você descobre que a música que amava fala um bocado de abobrinhas. Outras, porém, revelam sentidos ainda melhores. Quem não achava a melodia de "Como nossos pais" bonita quando era pequeno? Mas talvez só alguém mais velho entenda a dor de Elis e Belchior no verso "eu sinto tudo na ferida viva do meu coração".

Talvez bom mesmo seja isso: amar algo mesmo sem compreendê-lo, permitir que desperte afeto, como uma criança que se apaixona pela melodia sem fazer ideia do que ela diz.


Texto Adaptado


PETROPOULEAS, Suzana Correa. Letra e melodia. In: Portal de Livros Abertos da USP. São Paulo: Universidade de São Paulo, [s.d.]. Disponível em: https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/view/7 30/648/2404 . Acesso em: 16 nov. 2025.
Analise sintaticamente o período "Quem não achava a melodia de 'Como nossos pais' bonita quando era pequeno?" e, com base na classificação dos tipos de predicado e das funções do predicativo, assinale a alternativa correta.
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central da questão: Análise sintática do predicado nas orações, mais especificamente a identificação de predicado verbo-nominal e predicativo do objeto, conceitos fundamentais para provas de Português em concursos.

Justificativa da alternativa correta (C):

O predicado da frase em análise é verbo-nominal, pois contém um verbo significativo (“achar”), seguido de um objeto direto (a melodia de ‘Como nossos pais’) e um predicativo do objeto (“bonita”). Na sintaxe normativa, como esclarece Bechara (Moderna Gramática Portuguesa), o verbo “achar” nessa construção é transitivo direto-predicativo, ou seja, além de completar-se por objeto direto, atribui-lhe uma característica.

Exemplo análogo: “Considero este artigo útil.” (“útil” predica o objeto “este artigo”).

Assim, a alternativa C está correta ao indicar que o verbo é transitivo direto-predicativo, que há um complemento (objeto direto) e que ao mesmo tempo se atribui uma qualidade ao objeto direto, função clássica do predicativo do objeto.

Análise das alternativas incorretas:

A) Errada. Considera “bonita” como adjunto adnominal, mas adjunto adnominal caracteriza nomes e não atribui estados; neste caso, trata-se de um predicativo do objeto, como explicitado acima.

B) Errada. Declara que “bonita” seria predicativo do sujeito, mas a característica é atribuída ao objeto, não ao sujeito (quem "achava" é o sujeito; quem se tornava “bonita” era a melodia, ou seja, o objeto).

D) Errada. Chama o predicado de nominal e trata “achar” como verbo de ligação (ser, estar, permanecer), o que é flagrante equívoco – “achar” é verbo significativo, de ação.

Pontos de atenção para concursos: Questões desse tipo podem confundir o candidato ao vincular “característica” ao sujeito, ou ao nome, sendo fundamental lembrar que o predicativo do objeto classifica ou qualifica o objeto, não o sujeito, e que verbos de ligação são restritos (ser, estar, parecer, etc.). Redobre a atenção em notas sutis como o uso de verbos significativos (como "julgar", "considerar", "achar") que, frequentemente, exigem esse tipo de análise verbo-nominal.

Referências: Bechara (2009), Cunha & Cintra (2017), Rocha Lima (2019).

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