O escritor toca nas significações existentes para torná-las ...

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Ano: 2013 Banca: VUNESP Órgão: TJ-SP Prova: VUNESP - 2013 - TJ-SP - Contador |
Q395830 Português
                                   O que é ler?

       Começo distraidamente a ler um livro. Contribuo com alguns pensamentos, julgo entender o que está escrito porque conheço a língua e as coisas indicadas pelas palavras, assim como sei identificar as experiências ali relatadas. Escritor e leitor possuem o mesmo repertório disponível de palavras, coisas, fatos, experiências, depositados pela cultura instituída e sedimentados no mundo de ambos.
       De repente, porém, algumas palavras me “pegam”. Insensivelmente, o escritor as desviou de seu sentido comum e costumeiro e elas me arrastam, como num turbilhão, para um sentido novo, que alcanço apenas graças a elas. O escritor me invade, passo a pensar de dentro dele e não apenas com ele, ele se pensa em mim ao falar em mim com palavras cujo sentido ele fez mudar. O livro que eu parecia soberanamente dominar apossa-se de mim, interpela-me, arrasta-me para o que eu não sabia, para o novo. O escritor não convida quem o lê a reencontrar o que já sabia, mas toca nas significações existentes para torná-las destoantes, estranhas, e para conquistar, por virtude dessa estranheza, uma nova harmonia que se aposse do leitor.
       Ler, escreve Merleau-Ponty, é fazer a experiência da “retomada do pensamento de outrem através de sua palavra”, é uma reflexão em outrem, que enriquece nossos próprios pensamentos. Por isso, prossegue Merleau-Ponty, “começo a compreender uma filosofia deslizando para dentro dela, na maneira de existir de seu pensamento”, isto é, em seu discurso.


                                   (Marilena Chauí, Prefácio. Em: Jairo Marçal, Antologia de Textos Filosóficos. Adaptado)


O escritor toca nas significações existentes para torná-las destoantes, estranhas, e para conquistar, devido_________estranheza, uma nova harmonia que se aposse do leitor, envolvendo-______.

De acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, as lacunas da frase devem ser preenchidas, correta e respectivamente, com:
Alternativas

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O ponto que decide a questão está na reescrita do trecho "por virtude dessa estranheza, uma nova harmonia que se aposse do leitor": em "devido_________estranheza", a locução exige preposição "a" e, diante de substantivo feminino com artigo, ocorre crase, formando "devido à estranheza"; já em "envolvendo-______", o pronome retoma "o leitor" e funciona como objeto direto de "envolver", o que impõe "o". Isso leva a "à ... o".

Tema central: crase e pronome oblíquo
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A é a única que resolve corretamente as duas exigências da frase. Na primeira lacuna, a construção normativa é "devido à estranheza", com crase pela fusão da preposição com o artigo feminino. Na segunda, o termo retomado é "o leitor", extraído de "uma nova harmonia que se aposse do leitor", e esse referente entra como objeto direto de "envolver"; por isso, o pronome adequado é "o", resultando em "envolvendo-o".
B
Errada
Erra as duas lacunas. Em "devido a estranheza", falta a crase exigida pela estrutura "devido à estranheza". Além disso, "lhe" não serve aqui, porque o referente "o leitor" é objeto direto de "envolver", não objeto indireto.
C
Errada
A primeira lacuna fica inadequada na norma-padrão, porque "devido essa estranheza" omite a preposição exigida pela construção. A segunda também está errada: "lhe" não corresponde ao objeto direto de "envolver"; o pronome correto seria "o".
D
Errada
A segunda lacuna está adequada com "o", mas a alternativa cai na primeira: "à essa" é indevido nessa construção. A crase não pode ser usada dessa forma antes do demonstrativo apresentado na alternativa; a reescrita correta é "à estranheza".
E
Errada
A primeira lacuna não corresponde à reescrita pedida, porque o núcleo esperado é "estranheza", formando "à estranheza", e não "a essa". A segunda também erra ao usar "lhe", já que "envolver" pede, nesse contexto, objeto direto retomado por "o".
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: trocar "o" por "lhe" só porque o referente é pessoa e tentar manter mecanicamente o demonstrativo de "dessa estranheza", produzindo formas inadequadas como "essa", "a essa" ou "à essa".
Dica para questões semelhantes
  • Em reescrita com "devido a", verifique se o termo seguinte é substantivo feminino com artigo; se for, a forma esperada é com crase.
  • Antes de escolher pronome oblíquo, identifique a função sintática do termo retomado: se o verbo pede objeto direto, não use "lhe".
  • Não preserve demonstrativos do trecho original automaticamente; confira se a nova estrutura realmente os comporta.
  • Quando houver duas lacunas, resolva cada uma por critério próprio: regência/crase de um lado e transitividade/pronominalização do outro.

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Comentários

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[...], devido  à estranheza,[...] :  quando a frase vem especificando ao que é devido, pela regra, tem crase.

[...],  envolvendo-o . Envolve alguém com/em algo. (VTDI). Envolvendo ele (o leitor) na (em+a) leitura.

 O "lhe", só seria usado se o verbo envolver pedi-se preposição.

Já o  pronome "essa" indica que algo está perto da pessoa com quem falo, ou distante da pessoa que fala, o que não há sentido no contexto acima.

Ficou em dúvida quanto o acento grave em "à estranheza", troque por um substantivo masculino, apareceu "ao", é caso de crase!! já no caso de verbo no gerúndio não antecedido de "em", será caso obrigatório de ênclise. Alternativa A. 

quando vc envolve, vc envolve quem ou o que... VTD ---- se é VTD significa que o pronome utilizado deve ser O, A , OS, AS

ou seja, já eliminamos os ítens B, C e E

Agora, se observarmos, antes de pronome indefinido não se usa crase, ou seja, eliminamos a letra D


Sobrou a Letra A que é o gabarito

Justificativa da letra d

Não se usa crase antes de pronome demonstrativo

se tem marilena chauí, tem comuna na parada! 

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