Homem, 49 anos, em tratamento quimioterápico por carcinoma p...

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Q3883426 Medicina

Homem, 49 anos, em tratamento quimioterápico por carcinoma pulmonar, procura o pronto-socorro por febre iniciada há 6 horas. Relata calafrios, mal-estar e queda do estado geral.


Exame físico: paciente febril, abatido, PA 90 x 60 mmHg, FC 110 bpm, FR 24 irpm, SpO₂ 92% em ar ambiente.


Exames laboratoriais: hemoglobina 9,3 g/dL, leucócitos 700/mm³ (neutrófilos 50%), plaquetas 97.000/mm³.


Diante desse quadro, a conduta mais adequada é a seguinte:

Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: O critério que resolve a questão é febre neutropênica grave de alto risco: leucócitos 700/mm³ com 50% de neutrófilos dão ANC aproximado de 350/mm³, portanto <500/mm³, e o enunciado ainda traz hipotensão, taquicardia, taquipneia, hipoxemia e prostração; nessa situação, a conduta correta é iniciar imediatamente antibiótico intravenoso empírico com cobertura antipseudomonas, como cefepime.

Tema central: Febre neutropênica grave
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque há neutropenia importante, sim: o que define é a contagem absoluta de neutrófilos, não o percentual isolado. Com 700 leucócitos/mm³ e 50% de neutrófilos, o ANC é cerca de 350/mm³, caracterizando neutropenia grave. Além disso, a indicação de antibiótico não depende de cateter venoso central; febre associada a ANC <500/mm³, ainda mais com instabilidade hemodinâmica, já impõe antibioticoterapia imediata.
B
Errada
Está errada porque amoxicilina-clavulanato associada a ciprofloxacina é esquema oral reservado a pacientes selecionados de baixo risco, estáveis e sem sinais de sepse. Aqui há hipotensão, taquicardia, taquipneia, hipoxemia, prostração e neutropenia grave, o que define alto risco e torna inadequado manejo ambulatorial oral.
C
Errada
Está errada porque, na febre neutropênica, culturas e busca de foco devem ser realizadas prontamente, mas sem atrasar o antibiótico. Neste caso, postergar a antibioticoterapia até hemoculturas ou identificação do foco contraria a necessidade de tratamento empírico imediato em um quadro com risco de evolução para sepse e choque séptico.
D
Certa
A alternativa D está correta porque o quadro exige cobertura empírica inicial contra bacilos gram-negativos, especialmente Pseudomonas aeruginosa. O dado decisivo é a neutropenia grave pelo ANC aproximado de 350/mm³ associada a sinais sistêmicos de gravidade, o que caracteriza alto risco para bacteremia e sepse e afasta manejo oral ou espera por definição etiológica. Cefepime é uma opção clássica adequada nesse cenário por atender ao requisito de terapia intravenosa antipseudomonas imediata.
E
Errada
Está errada porque a urgência em tratar não autoriza uso indiscriminado dos 'antibióticos mais potentes disponíveis' para todo paciente em quimioterapia com febre. A terapia empírica deve ser imediata, porém racional e guiada por estratificação de risco, gravidade clínica e necessidade de cobertura específica. O erro da alternativa é trocar conduta dirigida por maximalismo sem critério.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: não calcular o ANC e concluir erroneamente que 50% de neutrófilos significa ausência de neutropenia grave, e lembrar do esquema oral de baixo risco sem perceber que hipotensão, taquipneia e prostração tornam o caso obrigatoriamente de alto risco.
Dica para questões semelhantes
  • Em paciente oncológico com febre, calcule sempre o ANC: leucócitos totais × fração de neutrófilos.
  • ANC <500/mm³ com febre caracteriza febre neutropênica até prova em contrário.
  • Hipotensão, taquicardia, taquipneia, hipoxemia ou prostração afastam manejo oral e exigem terapia intravenosa imediata.
  • Hemoculturas podem e devem ser colhidas, mas nunca à custa de atraso no antibiótico empírico.

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