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"(...) a vida se faz, sem explicação capaz de nos explicar,...

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Q4197208 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


As tempestades sempre passam


    As tempestades vêm, caem, destroem e passam. Sempre passam. Umas demoram mais, outras são quase tão rápidas quanto a queda de um raio, mas passam. Passam como o vento passa, como as marés se repetem, sempre outras em seu movimento de subir e descer. Passam como o ciclo das mulheres, como o corpo que se abre, como a vida que nasce de dentro do ventre e ilumina este mundo no primeiro choro saudando a luz.

    As tempestades passam e deixam no céu a transparência que me fala de outros mundos, de outras dimensões, de momentos esquecidos que precisam ser resgatados, e de outros não vividos, que se perdem na distância, além de qualquer possibilidade, até mesmo para o sonho. 

    As tempestades passam e dão lugar a um sol mais limpo e mais brilhante, que faz mais alegre o dia, para dar lugar a uma lua que, se estiver cheia, é uma ode impressa no céu, mas que, se estiver crescente, é um soneto, e é o momento mais terno e mais suave de todos os que a natureza dá.

    Pouca coisa se compara à noite depois duma tempestade. Pouca coisa tem mais poesia do que o céu limpo mudando de cor, até atingir o azul profundo, onde a lua se deita, como uma cimitarra de ouro, apontando os rumos e as rotas das vidas de cada um de nós.

    A lua depois da chuva é poesia pura, é o encontro da alma com o eterno, do atávico com o futuro, como se todos fôssemos um único corpo, e o universo não se fragmentasse em estrelas e cometas rodeados de planetas, onde, algumas vezes, a vida se faz, sem explicação capaz de nos explicar, mas real como cada um de nós, como cada corpo e cada pensamento. (...)


MENDONÇA, Antônio Penteado. As tempestades sempre passam. Crônicas da cidade. Disponível em .<https://cronicasdacidade.com.br/cronicas/2021/11/28/a
s-tempestades-sempre-passam/>.


"(...) a vida se faz, sem explicação capaz de nos explicar, mas real como cada um de nós"

Assinale a figura de linguagem que se encontra presente no trecho destacado acima.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: No trecho "sem explicação capaz de nos explicar", há reiteração da mesma base de sentido por meio de palavras cognatas, pois "explicação" e "explicar" retomam a mesma noção semântica. Essa redundância expressivo-semântica, entre as alternativas dadas, é a que corresponde a pleonasmo e sustenta o gabarito B.

Tema central: figura de linguagem
Análise das alternativas
A
Errada
Metonímia exige substituição por contiguidade, como parte pelo todo, autor pela obra, continente pelo conteúdo. No trecho, isso não ocorre. O mecanismo presente é repetição de sentido, não troca referencial entre termos.
B
Certa
A alternativa B se sustenta porque o segmento destacado reforça a ideia de explicar com dois vocábulos da mesma família semântica: "explicação" e "explicar". O efeito produzido é de repetição enfática de conteúdo, não de erro gramatical. Na chave adotada pelo gabarito oficial, essa redundância semântico-lexical corresponde a pleonasmo.
C
Errada
Hipérbole exige exagero intencional de uma ideia. Em "sem explicação capaz de nos explicar", não há amplificação excessiva do conteúdo; há apenas reiteração da noção de explicação. Portanto, o critério semântico da hipérbole não se aplica.
D
Errada
Catacrese depende do emprego de uma palavra por falta de termo próprio ou de metáfora lexicalizada de uso corrente. O trecho destacado não apresenta esse tipo de nomeação cristalizada; apresenta repetição de base semântica.
E
Errada
Ironia pressupõe contraste entre o que se diz e o que se quer significar. Aqui, o enunciado é sério e reflexivo, sem inversão de sentido nem crítica por oposição entre literalidade e intenção discursiva. A aparente estranheza da frase não é ironia, mas reforço da ideia de inexplicabilidade.
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de confundir a estranheza do trecho com outras figuras mais chamativas. O ponto decisivo, porém, está na repetição semântico-lexical de "explicação" e "explicar", não em exagero, ironia ou substituição de sentido.
Dica para questões semelhantes
  • Isole o trecho pedido e identifique qual mecanismo realmente aparece nele, sem resolver pela ideia geral do texto.
  • Quando houver palavras da mesma família repetindo a mesma noção, verifique se a banca está cobrando redundância expressiva.
  • Elimine figuras por critério concreto: sem contiguidade, não há metonímia; sem exagero, não há hipérbole; sem sentido contrário, não há ironia.

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Comentários

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A repetição enfática da ideia de "explicar" configura um pleonasmo, utilizado pelo autor para reforçar a dificuldade de se encontrar um sentido lógico para a vida.

"(...) a vida se faz, sem explicação, mas real como cada um de nós". Este seria o correto da frase sem o pleonasmo, se não há explicação, automaticamente não é capaz de explicar.

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