Helena, mulher cis, 56 anos, é levada ao pronto atendimento ...
Helena, mulher cis, 56 anos, é levada ao pronto atendimento devido a episódio de fraqueza súbita em membro inferior direito, que dificultou a marcha, há cerca de 6 horas, evoluindo com crises convulsivas. O acompanhante informa que a paciente é acompanhada em UBS por hipertensão arterial, dislipidemia e diabetes mellitus, com antecedente de AVE isquêmico há 8 anos, do qual se recuperou sem déficits. Ao exame neurológico, apresenta Glasgow 14, déficit neurológico focal restrito a membro inferior direito, preservando força nos demais membros, sem alteração de fala, com reflexos pupilares normais, sem desvio de rima labial e ausência de sinais de irritação meníngea. Sinais vitais estáveis, exceto temperatura axilar de 37,7°C. Teste rápido para HIV na admissão foi reagente. Realizada RM de crânio abaixo.

O diagnóstico mais provável para este caso é
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Neurotoxoplasmose é o diagnóstico mais provável.
Trata-se da infecção oportunista do sistema nervoso central mais comum em pacientes com HIV não tratados ou com diagnóstico recente, especialmente na ausência de profilaxia prévia. [1-3]
O quadro clínico de Helena — déficit focal motor de instalação subaguda (membro inferior direito), crise convulsiva, febre baixa e sorologia para HIV recém-diagnosticada — é compatível com o perfil típico de apresentação da toxoplasmose cerebral, que classicamente cursa com cefaleia, febre, encefalopatia, convulsões e déficits focais. [4]
Radiologicamente, a neurotoxoplasmose caracteriza-se por lesões localizadas preferencialmente nos núcleos da base e na transição córtico-subcortical (junção corticomedular), com realce em anel (ring-enhancing) após contraste, frequentemente múltiplas (até 86% dos casos), associadas a edema vasogênico extenso. [3-4]
Um achado específico, embora pouco sensível, é o sinal do alvo excêntrico (nódulo excêntrico dentro da lesão com realce em anel).
Por que as demais alternativas são menos prováveis:
- AVE isquêmico — embora o antecedente de AVE prévio e os fatores de risco cardiovascular sejam relevantes, a associação com HIV recém-diagnosticado, febre e convulsões torna uma lesão oportunista infecciosa mais provável do que um evento puramente vascular.
- Tuberculoma cerebral — deve permanecer no diferencial, sobretudo em áreas endêmicas para tuberculose, mas é estatisticamente menos frequente que a toxoplasmose como causa de lesão focal com convulsão em pacientes HIV positivos. [6-7]
- Linfoma primário do SNC — tende a ocorrer em imunossupressão mais avançada (CD4 < 50 céls/µL), geralmente como lesão única periventricular, com restrição à difusão (ADC baixo) e aumento do rCBV na perfusão, diferente do padrão esperado aqui. [4][8-9]
- Abscesso bacteriano cerebral — possível, mas menos comum como causa de lesão focal cerebral nesse contexto epidemiológico, sendo mais associado a uso de drogas injetáveis ou foco infeccioso contíguo/hematogênico identificável. [1][7]
Vale ressaltar que o diagnóstico definitivo de toxoplasmose geralmente é presuntivo, baseado em quadro clínico-radiológico compatível, sorologia IgG positiva para Toxoplasma e resposta terapêutica ao tratamento empírico, sendo a biópsia reservada para casos sem resposta à terapia específica
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