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Q2398454 Português
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      Entre as sugestões que vieram da editora sobre meu novo livro, havia a de trocar “índios” por “indígenas”. Sempre fui um defensor do politicamente correto. Algumas mudanças na ética verbal, porém, me parecem contraproducentes. Em certos momentos dos anos 90, “favela” virou “comunidade”. “Favelado” era um termo pejorativo e é compreensível que os moradores dessas áreas não quisessem ser chamados assim, mas mudar para “morador de comunidade”. Mas embora a mudança amacie na semântica, não leva água encanada, esgoto e luz para ninguém. Pelo contrário.

     A gente ouve “comunidade” e dá a impressão de que aquelas pessoas estão todas de mãos dadas fazendo uma ciranda em torno da horta orgânica, não apinhando-se em condições sub-humanas, sem esgoto, asfalto, educação, saúde. Talvez fosse bom deixarmos o incômodo nos tomar toda vez que disséssemos ou ouvíssemos “favela” ou “favelados”. Nosso objetivo deveria ser dar condições de vida decente para aquela gente, não nos sentirmos confortáveis ao mencioná-la.

    O mesmo vale para “morador em situação de rua”. Parece que o cara teve um problema pra voltar pra casa numa terça, dormiu “em situação de rua” num ponto de ônibus e na quarta vai retornar ao conforto do lar. É mentira. A pessoa que mora na rua tá ferrada, é alguém que perdeu tudo na vida, até virar “mendigo”. “Mendigo” é um termo horrível não porque as vogais e consoantes se juntem de forma deselegante, mas pelo que ele nomeia: gente que dorme na calçada, revira lixo pra comer, não tem sequer acesso a um banheiro. Mas quando a gente fala “morador em situação de rua” vem junto o mesmo morninho no coração de “comunidade”: essa situação, pensamos, é temporária. Vai mudar. Logo, logo, ele estará em outra.

     Não, não estará se não nos indignarmos com a indigência, e agirmos. Algumas palavras têm que doer, porque a realidade dói. Do contrário, a linguagem deixa de ser uma ferramenta que busca representar a vida como ela é e se torna um tapume nos impedindo de enxergá-la. Sobre “índios” e “indígenas”, li alguns textos. Os argumentos giram em torno do fato de “índio” ter se tornado um termo pejorativo, ligado aos preconceitos que os brancos sempre tiveram com os povos originários da América: preguiçosos, atrasados, primitivos. Tá certo. Mas o problema, pensei, não está no termo “índio”, mas no preconceito do homem branco.


(PRATA, Antonio. As palavras e as coisas. Folha de São
Paulo, 03.07.2022. Adaptado).
Assinale a alternativa cuja reescrita do texto emprega a crase de acordo com a norma-padrão da Língua Portuguesa.
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: A questão exige o conhecimento sobre o uso correto da crase na norma-padrão, principalmente envolvendo regência nominal e situações específicas em que o acento grave deve ou não ser aplicado.

Regra fundamental da crase: Utiliza-se crase quando há a fusão da preposição "a" com o artigo feminino "a" ou "as". Isso ocorre, em geral, antes de palavras femininas que exigem preposição.

Análise da alternativa correta (D):

Em "Devido à falta de condições de moradia, as pessoas optam por uma vida em situação de rua.",

  • "Devido" é uma palavra que exige a preposição "a".
  • "Falta": substantivo feminino que admite o artigo "a".
  • A fusão entre a preposição "a" + artigo "a" resulta na crase ("à falta").

Logo, alternativa D está correta conforme a regra. Essa construção está amparada por gramáticas consagradas, como Bechara e Cunha & Cintra, que reforçam o uso obrigatório da crase neste caso.

Análise das alternativas incorretas:

A) "Aberto à mudanças": Erro de concordância. "Mudanças" está no plural, o artigo deveria ser "às". Contudo, não se usa crase aqui porque a expressão correta é "aberto a mudanças", sem artigo. Não há fusão, logo, sem crase.

B) "Se submete à dormir": Não se usa crase antes de verbos no infinitivo ("dormir"), pois são palavras masculinas e não aceitam artigo feminino. Correto: "se submete a dormir".

C) "Recorrer à ela": Não ocorre crase antes de pronomes pessoais ("ela"), pois estes são palavras que não admitem artigo. Forma correta: "recorrer a ela".

Dicas para provas: Sempre identifique se há preposição pela regência do termo anterior, verifique o gênero (feminino) e cheque se há artigo. Não use crase antes de verbos, pronomes pessoais ou palavras masculinas.

Conclusão: O conhecimento preciso das regras de crase permite um desempenho seguro em provas. Treine repetições e atenção aos detalhes de regência para não cair em pegadinhas.

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Comentários

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A - O termo mudanças é um substantivo feminino no plural, portanto o correto seria utilizar ''às''

B - Não se usa crase antes de verbo ''À dormir''

C - Não se usa crase antes de pronomes pessoais ''À ela''

GAB: ''D'' - O que é devido é devido a alguma coisa, + a falta = a+a = à.

A) Não concorda no plural

B)Antes de verbo

C) Antes de pronome

Só sobra a letra D

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