Qual alternativa apresenta a classificação do sujeito da ora...

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Q3409955 Português

Atenção: Leia atentamente o texto a seguir e responda a questão



O lápis mais rápido do Oeste



    Era uma vez um cartunista maluquinho: jornalista, escritor, contador de histórias. Natural de Caratinga (MG), mais velho de uma família com sete irmãos, despontou como um prodígio: aos seis anos, desenho de sua autoria aparecia no jornal A Folha de Minas, em 1939.


    O cartunista demonstrava um talento proporcional às suas sobrancelhas, que chegavam antes do seu próprio rosto. Não importando a cor da camisa ou da calça que usava, não dispensava um colete, para poder sacar imediatamente uma caneta ou um lápis do bolso. Ficou conhecido como o ilustrador mais rápido do Brasil. Desenhava enquanto conversava com várias pessoas ao mesmo tempo. Nada o distraía do universo interior.


    De um guardanapo, de uma toalha de papel de mesa, de uma folha de ofício, gerava seus personagens: A Turma do Pererê (espécie de Sítio do Pica-Pau Amarelo da Mata Atlântica), The Supermãe (Dona Clotildes, sempre a proteger Carlinhos, seu filho adulto em apuros), Flicts (representava a cor bege, que sofria por não se encaixar no arco-íris), além de Jeremias, o Bom, Mineirinho, o Comequieto, entre dezenas de protagonistas.


    O cartunista tinha o olho do coração maior do que a barriga, procurando incansavelmente uma maneira de combater a censura ou a subtração dos direitos humanos. Liderou o revolucionário O Pasquim nos anos 60, um dos principais veículos de contestação da ditadura militar no Brasil, e criou a revista Bundas nos anos 90, para parodiar o mundo das celebridades da revista Caras. 


    O cartunista tinha vento nos pés. Seus livros venderam mais de 10 milhões de exemplares. Nas Bienais e Feiras, suas filas de autógrafos contornavam quadras e jamais terminavam.


    O cartunista tinha fogo no rabo, foguete nas mãos. É autor do clássico O Menino Maluquinho, um Pequeno Príncipe dos trópicos, trazendo à tona um garoto virtuosamente problemático, deliciosamente rebelde e carismático, caracterizado por uma panela na cabeça. Desde seu lançamento, em 1980, já acumulou 129 edições, duas adaptações para o cinema, infinitas versões para o teatro, ópera e histórias em quadrinhos.


    O cartunista tinha umas pernas enormes, capazes de abraçar o mundo: ganhou o prestigiado prêmio de humor do 32º Salão Internacional de Caricaturas de Bruxelas, tornou-se o primeiro latinoamericano a ser convidado para fazer o cartaz de Natal da Unicef, viu sua obra ser traduzida para mais de dez idiomas.


    O cartunista tinha macaquinhos no sótão: mudou a cara da arte gráfica, combinando perfeitamente texto e imagem. Elaborou os cartazes dos mais emblemáticos filmes do Cinema Novo: Os fuzis e Os cafajestes (ambos de Ruy Guerra), O assalto ao trem pagador (Roberto Farias) e Todas as mulheres do mundo (Domingos de Oliveira).


    Dotado de uma simplicidade complexa, o cartunista sentia saudade do futuro mais do que do passado, ainda que seu passado tenha sido gigantesco.


    Ziraldo Alves Pinto morreu dormindo neste sábado (6 de abril), em sua casa no Rio de Janeiro, aos 91 anos. Morreu sonhando. Morreu suavemente. Morreu assoviando. Morreu soltando pipas.


    De tudo o que pode ser dito a respeito de Ziraldo, dá para resumir que foi um menino impossível, mas muito feliz.


Autor: Fabrício Carpinejar – GZH (adaptado).

Qual alternativa apresenta a classificação do sujeito da oração “Ficou conhecido como o ilustrador mais rápido do Brasil”? 
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: Classificação do sujeito na oração, ponto fundamental em Sintaxe para concursos públicos.

Nesta questão, a banca explora o entendimento sobre sujeito desinencial (também denominado implícito ou elíptico), exigindo atenção ao contexto da oração e à concordância verbal.

Justificativa da alternativa correta (D):

Na oração “Ficou conhecido como o ilustrador mais rápido do Brasil”, o sujeito não está expresso, mas pode ser claramente recuperado pelo contexto e pela desinência verbal. O verbo “ficou” está na terceira pessoa do singular, remetendo ao termo anterior – o cartunista – personagem central do texto.

Segundo as gramáticas de Bechara e de Cunha & Cintra, sujeito desinencial é aquele que, embora não apareça de forma explícita na oração, é reconhecido pela terminação verbal e pelo contexto do discurso.
Logo, esta oração tem sujeito desinencial (“ele”, referente ao cartunista).

Análise das alternativas incorretas:

  • A) Indeterminado: Não se aplica: o sujeito indeterminado ocorre quando não se quer ou não se pode identificar o agente, usando verbo na 3ª pessoa do plural (sem referente) ou verbo acompanhado de se indeterminador. Aqui, o sujeito está oculto, mas identificável.
  • B) Inexistente: Ocorre apenas em orações sem sujeito, geralmente com verbos impessoais (ex: “choveu”, “há pessoas”). O verbo “ficou” exige agente e referência.
  • C) Simples: Sujeito simples tem o núcleo explícito na oração (ex: “O cartunista ficou conhecido”). Não é o caso.

Estratégia para provas: Sempre localize o verbo e verifique se a referência do sujeito pode ser recuperada no contexto. Desconfie de enunciados sem sujeito explícito, pois geralmente tratam de sujeito desinencial. Gramáticas oficiais, como as citadas, recomendam: “Observe a concordância e o contexto para identificar o sujeito oculto”.

Resumo: A alternativa D – Sujeito desinencial é a correta, pois o sujeito está implícito e recuperado pela conjugação e pelo texto.

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