Na sociedade medieval, o sentimento de infância não
existia, o que não quer dizer que as crianças não
fossem negligenciadas, abandonadas ou desprezadas.
O sentimento da infância não significa o mesmo que
afeição pelas crianças: corresponde à consciência da
particularidade infantil, essa particularidade que
distingue essencialmente a criança do adulto, mesmo
jovem. Essa consciência não existia. Por essa razão,
assim que a criança tinha condições de viver sem a
solicitude constante de sua mãe ou de sua ama, ela
ingressava na sociedade dos adultos e não se
distinguia mais destes. (Ariès, 1981, p. 156). Segundo
o autor, com o passar do tempo, surge um sentimento
pela infância denominado “paparicação”. Esse
sentimento advém do fato da criança ser vista como
ingênua, gentil e graciosa. Nesse sentido, a criança
passa a ser uma distração para os adultos. Ainda,
segundo Ariès (1981), outro sentimento relacionado
à infância foi o de compreender a mente da criança,
a fim de melhorar os métodos de educação. Esse
sentimento surge a partir do século XVII e inspira
toda a educação do século XX. Nesse sentido, os
adultos não viam mais a criança como um indivíduo
divertido e agradável, ou seja, ela não era mais vista
como uma distração para adultos e passou a ser vista
como um mero objeto a ser
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