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Q1748141 Português

Os três pássaros do rei Herodes (lenda) 


Pela triste estrada de Belém, a Virgem Maria, tendo o Menino Jesus ao colo, fugia do rei Herodes. Aflita e triste ia em meio do caminho quando encontrou um pombo, que lhe perguntou:

– Para onde vais, Maria?

– Fugimos da maldade do rei Herodes, – respondeu ela.

Mas como naquele momento se ouvisse o tropel dos soldados que a perseguiam, o pombo voou assustado.

Continuou Maria a desassossegada viagem e, pouco adiante, encontrou uma codorniz que lhe fez a mesma pergunta que o pombo e, tal qual este, inteirada do perigo, tratou de fugir.

Finalmente, encontrou-se com uma cotovia, que, assim que soube do perigo que assustava a Virgem, escondeu-a e ao menino, atrás de cerrado grupo de árvores que ali existia.

Os soldados de Herodes encontraram o pombo e dele souberam o caminho seguido pelos fugitivos.

Mais para a frente a codorniz não hesitou em seguir o exemplo do pombo.

Ao fim de algum tempo de marcha, surgiram à frente da cotovia.

– Viste passar por aqui uma moça com uma criança no regaço?

– Vi, sim – respondeu o pequenino pássaro – Foram por ali.

E indicou aos soldados um caminho que se via ao longe. E assim afastou da Virgem e de Jesus os seus malvados perseguidores.

Deus castigou o pombo e a codorniz.

O primeiro, que tinha uma linda voz, passou a emitir, desde então, um eterno queixume.

A segunda passou a voar tão baixo, tão baixo, que se tornou presa fácil de qualquer caçador inexperiente.

E a cotovia recebeu o prêmio de ser a esplêndida anunciadora do sol a cada dia que desponta.

Fonte (adaptada):

https://armazemdetexto.blogspot.com/2017/11/lenda-os-tres-passaros-do-rei-herodes.html.

No período “Finalmente, encontrou-se com uma cotovia, que, assim que soube do perigo que assustava a Virgem, escondeu-a e ao menino...”, o verbo em destaque está conjugado no seguinte tempo e modo:
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central da questão: Morfologia verbal, mais especificamente a identificação do tempo e modo do verbo “assustava” no contexto. Compreender os tempos e modos verbais permite interpretar melhor ações em relação ao tempo do discurso, competência essencial em provas de Português em concursos públicos.

Análise da alternativa correta:

O termo em destaque, "assustava", está conjugado no pretérito imperfeito do indicativo. Pela norma-padrão, esse tempo verbal indica uma ação inacabada, habitual ou contínua no passado.

Veja a conjugação do verbo “assustar” no pretérito imperfeito do indicativo segundo referências como Bechara (Moderna Gramática Portuguesa):
Eu assustava, Tu assustavas, Ele/Ela assustava, Nós assustávamos, Vós assustáveis, Eles assustavam.

No contexto, “o perigo que assustava a Virgem” expressa uma situação contínua no passado — o medo não era pontual, mas persistente enquanto ela fugia.

Portanto, a alternativa D) Pretérito imperfeito do indicativo está correta.

Análise das alternativas incorretas:

A) Pretérito perfeito do indicativo: Assustou indicaria uma ação concluída, o que não ocorre no texto; a ação é contínua.

B) Pretérito imperfeito do subjuntivo: Usado para hipóteses ou condições (se eu assustasse), não ocorre aqui.

C) Pretérito mais-que-perfeito do indicativo: Indica ação passada antes de outra já passada (assustara). No texto, “assustava” não cumpre esse papel.

E) Pretérito perfeito do subjuntivo: Utilizado em construções como quando eu tiver assustado, o que não corresponde ao uso do texto.

Estratégia de resolução para provas: Sempre releia o período para identificar se se trata de uma ação contínua, habitual ou pontual no passado. Desconfie de finais de verbos em “-ava”, “-ia”: geralmente pertencem ao pretérito imperfeito do indicativo.

Resumo da regra: “Pretérito imperfeito do indicativo indica ação passada habitual, contínua ou de pano de fundo para outra ação.” (Cf. Celso Cunha & Lindley Cintra, Nova Gramática do Português Contemporâneo).

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Comentários

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Hoje - ELA - ASSUSTA - Presente indicativo

ONTEM - ELA ASSUSTOU - Pretérito perfeito Indicativo

Naquele tempo - ELA ASSUSTAVA - Pretérito Imperfeito Indicativo

Pretérito Imperfeito do Indicativo = não há limites estabelecidos em " assustava ".

A desinência do pretérito imperfeito do indicativo é VA/VE(no caso de alomorfia, normalmente, acontece no verbo da segunda pessoa do plural, por exemplo: Vós faláveis...) isso no caso dos verbos da primeira conjugação; porém os verbos de segunda e terceira conjugações possuem a desinência A/E(no caso de alomorfia), por exemplo: Vós permitíeis.

GABARITO D

pretérito imperfeito do indicativo se refere a um fato ocorrido no passado, mas que não foi completamente terminado. Expressando, assim, uma ideia de continuidade e de duração no tempo.

É usado em lendas e fábulas e confere um caráter mais polido a pedidos e afirmações. Pode ser utilizado também com sentido de futuro do pretérito para indicar uma ação que seria consequente de outra que acabou por não acontecer.

  • Eu fazia patinação artística quando era criança.
  • Eu comia um sorvete todos os domingos com minha avó.
  • Ele estudava francês e alemão, mas agora só estuda alemão.

Destrinchando a questão.

Assustava, no contexto apresentado NÃO apresenta ideia de uma ação concluída no passado. Portanto, não poderia ser Pretérito Perfeito (ações concluídas) eliminamos assim as alternativas A e E.

O pretérito mais que perfeito é um tempo verbal que indica que uma ação passada ocorreu antes que outra, o que não é o caso. Eliminamos a alternativa C.

Restam as alternativas B e D. Ambas tratam do pretérito imperfeito do subjuntivo e indicativo respectivamente.

O indicativo trás ideia de certeza no tempo verbal, ex: Eu gosto de chocolate. (ideia de certeza) enquanto o subjuntivo traz a ideia de incerteza, exemplo: Espero que você esteja bem (ideia de incerteza) não é possível afirmar no trecho exemplificado se a pessoa está, de fato, bem.

Perceba que no trecho "assim que soube do perigo que assustava a Virgem" temos esta ideia de certeza, sendo, portanto, o tempo verbal correto é o Pretérito Imperfeito do Indicativo, alternativa correta: Letra D.

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