Na realização de método sorológico podem ocorrer mecanismos...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q3329361 Técnicas em Laboratório
Na realização de método sorológico podem ocorrer mecanismos de interferência na detecção de anticorpos. Sobre este tópico, pode-se dizer que:
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Tema central: interferências em métodos sorológicos para detecção de anticorpos (ELISA e Luminex SAB). Essas interferências podem causar falsos negativos (ex.: efeito prozona/gancho) ou falsos positivos (ligações inespecíficas por anticorpos heterófilos).

Alternativa correta: B
Os anticorpos anticardiolipina (aCL) são usados na investigação de síndrome antifosfolípide e outras doenças autoimunes e podem interferir em ELISA de anticorpos anti-HLA por ligações inespecíficas a superfícies de poliestireno, fosfolipídeos residuais ou proteínas de bloqueio, elevando o sinal de fundo. Isso está descrito em manuais de imunensaios (The Immunoassay Handbook) e diretrizes de validação de interferentes (CLSI EP07), além de revisões em transplante e imunologia (UpToDate; ASHI Standards). Estratégias laboratoriais incluem controles de fundo, bloqueadores, repetição com diluição ou plataforma alternativa.

Por que as demais estão incorretas?

A. Afirmar que IgM anti-HLA não provoca prozona é incorreto. O efeito prozona ocorre em títulos muito altos de anticorpos (IgG ou IgM), ou por ativação de complemento, levando a sinal reduzido no ELISA/Luminex SAB. Diluição seriada, uso de EDTA/heat inactivation ou DTT (para reduzir IgM) são medidas clássicas. Referências: ASHI/UpToDate.

C. Falso dizer que aCL não são empregados em autoimunes. Eles são marcadores diagnósticos da síndrome antifosfolípide (critérios internacionais). Além disso, podem causar ligações inespecíficas em ELISA, precisamente o oposto do enunciado. Diretrizes: UpToDate; revisões em APS (SBC/BSH).

D. A ideia de que IgM não compete com IgG na fase sólida é equivocada. IgM pode ocupar epítopos e/ou ativar complemento, dificultando a detecção de IgG alorreativos (estéricos e por deposição de C1q/C3). Por isso, muitos laboratórios tratam amostras com DTT ou usam detecção específica para IgG para minimizar interferência. Referências: ASHI Standards; UpToDate.

E. Dizer que o “empacotamento” nas porções Fc não interfere é errado. Em imunensaios, há efeitos de crowding/estereoscopia e interferência por anticorpos que reconhecem Fc (p. ex., rheumatoid factor, HAMA), gerando falsos positivos ou mascarando epítopos. A densidade de antígeno/anticorpo na matriz pode reduzir a acessibilidade do conjugado detector. Referências: The Immunoassay Handbook; CLSI EP07.

Dicas para a prova:
- Palavras-gatilho: prozona, IgM, complemento, aCL, ligações inespecíficas.
- Frases com “não ocorre” exigem cautela: em imunensaios, quase sempre há exceções e interferentes.
- Se suspeitar de prozona, pense em diluir a amostra e usar EDTA/DTT.

Referências de apoio: UpToDate (HLA antibody testing; antiphospholipid antibodies), ASHI Standards, CLSI EP07, The Immunoassay Handbook, Harrison’s (Immunology overview).

Gabarito: B

Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo