O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Como foi a descoberta do "fungo zumbi" brasileiro.
O autor principal do trabalho que descreve o
Purpureocillium atlanticum é o micologista brasileiro João
Araújo, professor na Universidade de Copenhague, na
Dinamarca.
Em entrevista à BBC News Brasil, ele detalhou que a
expedição envolveu diversos pesquisadores, de várias
áreas do conhecimento, que foram até uma reserva
particular chamada Alto da Figueira, no município de
Nova Friburgo, para observar e catalogar novas espécies
de plantas, fungos e animais.
Os especialistas observaram a "ponta" do fungo —
conhecida tecnicamente como estroma, ou corpo de
frutificação — no chão da floresta e, com a ajuda de um
canivete, Araújo escavou a área ao redor para retirá-lo
por inteiro.
A análise mostrou que a espécie havia infectado uma
aranha de alçapão, que já estava morta.
Esse corpo de frutificação citado anteriormente é a
estrutura pela qual os esporos do fungo são liberados
para garantir a propagação da espécie.
"Daí, uma vez em contato com outra aranha, os esporos
perfuram o exoesqueleto para chegar à hemolinfa, onde
estão os órgãos e o 'sangue' do bicho", detalha Araújo,
que também é pesquisador associado honorário do Kew
Gardens.
"Essas células do fungo começam então a se reproduzir
e rapidamente o corpo do hospedeiro [a aranha de
alçapão] fica todo tomado."
"O fungo solta substâncias para lutar contra o sistema
imunológico do hospedeiro, que acaba morrendo",
completa o pesquisador.
Araújo explica que uma espécie de fungo, a
Purpureocillium atypicola, que tem uma ação
semelhante, já havia sido descrita anteriormente em
lugares como Japão, Estados Unidos e Tailândia.
Só que uma análise mais detalhada revelou que fungos
classificados como integrantes dessa espécie podem
ser, na verdade, diferentes espécies, com genéticas e
características próprias.
"Nós vimos que, de fato, são espécies bastante distintas,
que foram todas agrupadas dentro desse nome,
Purpureocillium atypicola", observa o cientista.
"O que propomos agora, a partir das novas informações,
é que o Purpureocillium atypicola é, na verdade um
complexo de várias espécies, que inclui o
Purpureocillium atlanticum entre eles."
Para fazer esse tipo de observação tão detalhada, a
equipe de pesquisadores contou com uma nova
ferramenta: o Oxford Nanopore, um pequeno aparelho que permite fazer o sequenciamento genético de seres
vivos de forma portátil, no próprio campo de pesquisa.
"A grande vantagem desta tecnologia é poder usá-la logo
ali, no momento em que o fungo ainda está fresco",
contextualiza o micologista Vasco Fachada, do Kew
Gardens, que não esteve envolvido diretamente com a
pesquisa do Purpureocillium.
"O fato de o tecido do fungo ainda estar vivo aumenta a
probabilidade de uma sequência genética de qualidade e
de um estudo melhor", complementa ele.
Dezenas de espécies catalogadas pelo termo genérico
"fungos zumbi" já foram descritas pela Ciência.
A mais famosa delas é o Ophiocordyceps, que foi
retratado num dos episódios do documentário Planet
Earth, da BBC Studios, narrado pelo naturalista britânico
David Attenborough.
Esse trecho do documentário serviu de inspiração para
os criadores da franquia The Last of Us, que faz sucesso
no videogame e na televisão.
Na ficção, a história se passa num futuro
pós-apocalíptico, em que a civilização entrou em colapso
depois de uma pandemia causada por um fungo capaz
de controlar a mente das pessoas e transformá-las em
zumbis.
Na vida real, os gêneros Cordyceps e Ophiocordyceps
são capazes de invadir o organismo de insetos, como
algumas formigas, controlar o sistema nervoso deles e
levá-los para um lugar mais alto, onde os esporos do
microrganismo se espalham com facilidade.
Mas qual a relação entre o Ophiocordyceps e o
Purpureocillium atlanticum recém-descoberto?
"O Purpureocillium está na família do Ophiocordyceps,
então eles são próximos, são primos, vamos dizer
assim", responde Araújo.
Ao contrário do que foi descrito com diversos
representantes dos Ophiocordyceps, que controlam o
sistema nervoso do inseto-hospedeiro para que ele
morra num lugar mais alto, para facilitar o espalhamento
de esporos, isso não parece acontecer com o
Purpureocillium atlanticum: a aranha vítima desse fungo
foi encontrada enterrada, e o esporo do fungo cresceu
em direção ao solo, acima da camada de terra e folhas
que cobriram o local onde o artrópode padeceu.
Mas, apesar dos paralelos entre vida real e ficção, a
princípio não há motivos para se preocupar com o
Purpureocillium atlanticum: ele se especializou em
infectar aranhas de alçapão e parece não causar
nenhum mal para seres humanos ou outras espécies.
"Dezenas de espécies catalogadas pelo termo genérico
'fungos zumbi' já foram descritas pela Ciência."
O trecho acima apresenta concordância verbal e nominal
adequadas. A partir desse trecho, analise as frases a
seguir e identifique aquela que apresenta concordância
INCORRETA.
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