A experiência de contar histórias para crianças despertou e...

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Q3700115 Português

Leia o texto para responder à questão:


    Por muito tempo se opôs linguagem oral e linguagem escrita, embora a voz e o livro sejam companheiros, e a biblioteca, em particular, seja um ambiente “natural” para a oralidade: é o lugar de milhares de vozes escondidas nos livros que foram escritos a partir da voz interior de um autor. Quando lê, cada leitor faz reviver essa voz, que provém às vezes de muitos séculos atrás. Mas para as pessoas que cresceram longe dos suportes impressos, alguém tem que emprestar sua voz para que entendam aquela que o livro carrega.

    Nos últimos anos, em muitos países, a oralidade foi redescoberta, e o oral e o escrito foram combinados nos espaços dedicados a facilitar a apropriação da cultura escrita. Na Argentina, oficinas foram montadas para ajudar as mulheres a encontrarem, ou reencontrarem, uma boa relação com a narração oral, a fim de que pudessem, em seguida, contar ou ler histórias para as crianças. Algumas eram analfabetas, mas disseram logo de saída que, se não sabiam ler, podiam contar. A pesquisadora Silvia Seoane ouviu-as e observou-as durante as oficinas. Ela se espantou com o trabalho de apropriação, de reinterpretação e de elaboração estética que operavam a partir das histórias trazidas pelas contadoras profissionais. Surpreendeu-se com essa segunda oralidade, que diferia da oralidade espontânea do cotidiano e cuja lógica interna era próxima à da narração escrita; com o surgimento progressivo do desejo de elas mesmas lerem os contos e, então, também de aprenderem a ler.


(Michèle Petit. A arte de ler, 2021. Adaptado)

A experiência de contar histórias para crianças despertou em algumas mulheres a vontade de
Alternativas

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Tema central: Interpretação de Texto. Esta questão exige do candidato compreender a relação entre oralidade e escrita e identificar, a partir das informações do texto, a consequência específica da experiência das mulheres nas oficinas de contação de histórias.

Justificativa para a alternativa correta (B):

O texto informa que algumas mulheres, mesmo sendo analfabetas, disseram saber contar histórias. Participando das oficinas, desenvolveram um trabalho de apropriação e elaboração estética com as narrativas orais. O trecho fundamental é: “com o surgimento progressivo do desejo de elas mesmas lerem os contos e, então, também de aprenderem a ler.”

Ou seja: a prática da oralidade despertou o desejo de aprender a ler (Alternativa B: aprender a ler, já que dominavam a linguagem oral, mas não a escrita).

Fundamentação teórica: Segundo Bechara (Gramática Pedagógica do Português Brasileiro), a oralidade precede a escrita e pode atuar como fator motivador para a alfabetização. Celso Cunha & Lindley Cintra destacam que as linguagens oral e escrita se relacionam e se complementam no processo de aquisição da linguagem.

Análise das alternativas incorretas:

A) Não há menção à intenção das mulheres de expandir as oficinas para outros públicos.

C) O texto não trata da profissionalização das contadoras; fala apenas da atuação delas nas oficinas.

D) Embora falem de apropriação e reinterpretação, não se menciona a criação de narrativas próprias, mas sim de recontar as já existentes.

E) Nenhum trecho indica que elas passaram a usar linguagem erudita ou menos espontânea. O foco está no desejo de ler e não na mudança de estilo comunicativo.

Dica de prova: Atenção aos verbos do texto e a palavras que indicam mudança de postura ou desejo. Aqui, a evolução de “contar histórias” para “querer ler” é central para marcar a alternativa correta.

Resumo: A vivência com a oralidade proporcionou às mulheres o desejo de dominar a escrita, mostrando a interligação entre os processos de escuta, fala e leitura.

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GABARITO LETRA B

Com o surgimento progressivo do desejo de elas mesmas lerem os contos e, então, também de aprenderem a ler.

"Surpreendeu-se com essa segunda oralidade, que diferia da oralidade espontânea do cotidiano e cuja lógica interna era próxima à da narração escrita; com o surgimento progressivo do desejo de elas mesmas lerem os contos e, então, também de aprenderem a ler."

B) aprender a ler, já que dominavam a linguagem oral, mas não a escrita.

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