Assinale a alternativa que apresenta os principais riscos n...
Gabarito comentado
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Tema central: acidente por lagarta Lonomia está classicamente associado a coagulopatia de consumo com sangramentos, podendo evoluir para hemorragias graves (inclusive intracranianas).
Alternativa correta: A – Distúrbios de coagulação e risco de hemorragias.
Após o contato cutâneo com os espinhos, o veneno é absorvido e, após período de latência (geralmente 6–24 h), surgem sinais de hipofibrinogenemia, aumento de TP/INR e TTPa e elevação de produtos de degradação da fibrina. Toxinas como LOPAP (ativador de protrombina) e LOSAC (ativador do fator X) desencadeiam consumo de fatores de coagulação e hiperfibrinólise, levando a defibrinação e sangramentos cutâneo-mucosos (epistaxe, gengivorragia), hematúria e, nos casos graves, hemorragia interna. Isso explica clinicamente e fisiopatologicamente a alternativa A. (Ministério da Saúde; Instituto Butantan; UpToDate; Harrison’s)
Como diagnosticar na prática:
Suspeite em história de contato com “taturanas” + dor/ardor local seguido de sangramento horas depois. Confirme com coagulograma: fibrinogênio baixo ou indetectável, TP/TTPa prolongados, PDF/D-dímero elevados. Hemograma pode mostrar anemia por sangramento.
Conduta essencial:
- Soro antilonômico (SALon) é o tratamento específico: tipicamente 10 ampolas em quadros moderados (sangramento mucoso/alterações laboratoriais) e 20 ampolas nos graves (sangramento importante/“sangue incoagulável”).
- Suporte: evitar AINEs e injeções IM; se necessário, administrar crioprecipitado/fibrinogênio e PFC após o soro. Medidas locais: lavar com água e sabão; não friccionar.
Estrategia de prova (pegadinhas): ao ver “Lonomia”, associe imediatamente a síndrome hemorrágica. Descarte alternativas que falem de neurotoxicidade, anafilaxia predominante, necrose extensa ou arritmias.
Análise das incorretas:
B – Paralisia muscular progressiva e flácida: típico de neurotoxinas (botulismo, Micrurus, carrapato). Lonomia não causa paralisia flácida significativa.
C – Salivação excessiva e edema pulmonar: quadro colinérgico/hipercatecolaminérgico (organofosforados, escorpionismo grave) e não do envenenamento por Lonomia.
D – Anafilaxia e necrose cutânea: anafilaxia é rara e necrose cutânea lembra Loxosceles (aranha-marrom). Em Lonomia, o fenótipo dominante é hemorrágico.
E – Arritmias cardíacas fatais: podem ocorrer em escorpionismo (Tityus) e intoxicações cardiotóxicas (aconitina, digoxina), não são características da Lonomia.
Referências úteis: Ministério da Saúde – Manual de Diagnóstico e Tratamento de Acidentes por Animais Peçonhentos; Instituto Butantan – Soro Antilonômico; UpToDate (Caterpillar envenomation); Harrison’s Principles of Internal Medicine (envenomations).
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