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Q3503475 Medicina
Considere um paciente do sexo masculino, 35 anos de idade, que apresenta, em consulta, úlcera na perna direita que apareceu ha trés meses. História da doença: ha trés meses, o paciente notou o surgimento de uma lesão tipo vesícula, que associou à picada de inseto, evoluindo para placa e formação de úlcera arredondada, indolor, com secreção de matéria branca. Fez uso de anti-inflamatório e curativo, sem melhora. Apresentou — aumento do diâmetro da úlcera, com secreção amarelada e dor, tendo, então, procurado assistência médica.  
Antecedentes epidemiológicos: presença de cães, ratos e insetos no domicílio. Mora em área de risco para leishmaniose tegumentar. Familiares: filho já teve leishmaniose cutânea. Exame físico: bom estado geral, descorado (+/4+), lesões hipopigmentadas e outras hipercrômicas — disseminadas, gânglio inguinal direito 2 cm doloroso à palpação, não aderido a planos. Lesão ulcerada no terço inferior da perna direita, bordas elevadas e infiltradas, coberta por secreção amarela.
Foi confirmado o diagnóstico de leishmaniose cutânea.  

Em relação ao tratamento nesse caso, assinale com V as afirmativas verdadeiras e com F as falsas.  

( ) Por ser úlcera única, o tratamento tópico é considerado menos tóxico e aceitável.
( ) O uso de anfotericina B lipossomal é recomendado nesse caso pela presença de gânglios no exame físico. 
( ) O paciente deve receber antimoniato de N-metil-glucamina na dose de 10mg/Sb a 20mg/Sb+5/kg/dia como primeira eleição.
( ) Segundo a OMS, as opções de tratamento recomendado para leishmaniose cutânea localizada do Novo Mundo, a depender da espécie, incluem paramomicina, pomada de cloridrato de metilbencetênio, antimoniais intralesionais, crioterapia e termoterapia.

Assinale a sequência correta. 
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Tema central: Leishmaniose cutânea localizada do “Novo Mundo”. Lesão típica: pápula após picada de flebotomíneo evolui para úlcera indolor de bordas infiltradas, com linfadenopatia satélite. No Brasil, predomina o complexo Leishmania (Viannia) braziliensis, com risco de acometimento mucoso — fator crucial para a escolha terapêutica (MS/BR 2017; UpToDate; Harrison).

Sequência correta: A — F F V V

Justificativa da sequência:

(1) Falso — “Por ser úlcera única, tratamento tópico é aceitável.” No Brasil, mesmo com lesão única, a suspeita de Viannia e a presença de linfadenopatia regional aumentam o risco de evolução e mucosa; as diretrizes nacionais priorizam tratamento sistêmico em grande parte dos casos de LTA por L. braziliensis (Ministério da Saúde, 2017). Terapia local é reservada a casos realmente não complicados: poucas lesões pequenas, sem linfangite/adenopatia, fora de face/juntas e sem risco mucoso.

(2) Falso — “Anfotericina B lipossomal indicada pela presença de gânglios.” A anfotericina B lipossomal é opção quando há falha/contraindicação aos antimoniais, formas graves, mucosas, difusas, gestação ou imunossupressão, e não pela adenopatia isolada (OMS 2022; MS/BR 2017; UpToDate).

(3) Verdadeiro — “Antimoniato de N‑metil‑glucamina 10–20 mg Sb+5/kg/dia como primeira eleição.” É o padrão de primeira linha para leishmaniose cutânea no Brasil, por 20 dias, via IM/IV (MS/BR 2017). Requer monitorização de ECG, função hepática, renal e pancreática devido à toxicidade.

(4) Verdadeiro — “Segundo a OMS, opções para LCL do Novo Mundo incluem paramomicina, pomada de cloridrato de metilbencetênio, antimoniais intralesionais, crioterapia e termoterapia.” A OMS (2022) recomenda terapias locais para casos não complicados conforme a espécie: paramomicina tópica 15% (frequentemente formulada com cloridrato de metilbencetênio 12% ou ureia 10%), antimoniais intralesionais, crioterapia e termoterapia. No Brasil, o uso depende da avaliação de risco de mucosa.

Estratégias de prova: - Identifique o cenário epidemiológico (Brasil/Novo Mundo) e a espécie provável. - Presença de adenopatia/linfangite e risco de mucosa favorecem tratamento sistêmico. - Reserve anfotericina B lipossomal para formas graves ou contraindicações aos antimoniais. - Confirmação diagnóstica: exame direto (imprint/escarificação), cultura, PCR, histopatologia; teste de Montenegro ajuda na exposição prévia.

Referências essenciais: Ministério da Saúde do Brasil. Manual de Vigilância da Leishmaniose Tegumentar, 2017; OMS. Leishmaniasis: WHO guideline, 2022; UpToDate, Cutaneous leishmaniasis; Harrison’s Principles of Internal Medicine.

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