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Q3949103 Medicina
Homem de 62 anos, motorista de aplicativo, procura avaliação ambulatorial com pneumologista devido a quadro de fadiga progressiva e dificuldade de concentração durante o trabalho. Refere roncos altos e episódios de apneia observados pela esposa durante o sono. Apresenta IMC de 32 kg/m 2 e circunferência cervical de 44 cm. Nega doenças cardíacas conhecidas. Pressão arterial em consulta: 148/88 mmHg. Aplicado o questionário STOP-BANG, obtém-se pontuação de 7. A escala de sonolência de Epworth é 9. A polissonografia tipo III demonstra IAH = 34 eventos/hora, sem outras alterações. O paciente questiona sobre opções de tratamento e pede para evitar “equipamentos desconfortáveis”. Com base nas informações mencionadas e nas evidências atuais sobre SAHOS, assinale a alternativa correta.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: A diretriz da AASM 2019 indica PAP/CPAP como tratamento da SAHOS em adulto com diagnóstico confirmado por teste do sono, especialmente quando há doença moderada-grave, sintomas e/ou hipertensão; no caso, o IAH de 34/h confirma SAHOS grave e define a alternativa D como correta.

Tema central: Tratamento da SAHOS
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque o dispositivo de avanço mandibular não tem eficácia equivalente ao CPAP na SAHOS moderada a grave. Pela diretriz AASM/AADSM 2015, ele é alternativa principalmente quando há intolerância ao CPAP ou preferência por terapia não-PAP, mas o CPAP permanece superior na redução de IAH e dessaturação, sobretudo na doença mais grave. A banca explorou a confusão entre melhor tolerabilidade em alguns casos e equivalência de eficácia fisiológica, que não existe aqui.
B
Errada
Está errada porque transforma a titulação em laboratório com polissonografia tipo I em exigência preferencial obrigatória por suposta incapacidade do exame tipo III de permitir ajuste terapêutico. A base afirma o contrário: em adultos com OSA confirmada e sem comorbidades significativas, a diretriz da AASM 2019 permite iniciar PAP com APAP em casa ou fazer titulação em laboratório. Portanto, o estudo tipo III não impede o ajuste de pressão no cenário descrito.
C
Errada
Está errada porque agonistas de GLP-1 podem atuar como estratégia adjuvante para perda de peso em obesos selecionados, mas não substituem genericamente o CPAP como terapia primária da SAHOS moderada-grave confirmada. O erro médico da alternativa é equiparar tratamento farmacológico da obesidade ao controle mecânico da obstrução faríngea durante o sono. A base ainda ressalta que isso não autoriza afirmar substituição padrão por semaglutida neste caso.
D
Certa
A alternativa D está correta porque o paciente tem SAHOS grave confirmada pelo IAH de 34/h, além de sintomas diurnos e hipertensão. Nesse cenário, o CPAP/PAP é o tratamento padrão de primeira linha, pois reduz o colapso faríngeo durante o sono, diminui os eventos respiratórios, melhora sintomas diurnos relacionados à SAHOS e pode reduzir de forma modesta a pressão arterial em hipertensos com SAHOS. Interfaces nasais costumam ser usadas na prática para otimizar conforto e adesão, sem que isso represente regra mandatória universal.
E
Errada
Está errada porque o manejo ambulatorial habitual da OSA requer confirmação diagnóstica formal por teste do sono antes de instituir PAP. A diretriz de PAP da AASM parte de OSA já diagnosticada. Hipertensão, obesidade, profissão de risco e alta probabilidade clínica não autorizam, por si só, iniciar CPAP empiricamente nesse contexto. Além disso, o próprio caso já informa que o diagnóstico foi confirmado por polissonografia tipo III.
Pegadinha da questão
A banca tentou fazer o candidato trocar tratamento de escolha por alternativa mais aceitável ao paciente: o desejo de evitar equipamento desconfortável não torna o avanço mandibular equivalente ao CPAP na SAHOS grave confirmada. Também tentou induzir erro com Epworth não muito alto e com a ideia ultrapassada de que exame tipo III exigiria titulação exclusivamente laboratorial.
Dica para questões semelhantes
  • Em SAHOS confirmada com IAH ≥ 30/h, pense primeiro em PAP/CPAP como tratamento padrão, especialmente se houver sintomas e/ou hipertensão.
  • Aparelho oral é alternativa para intolerância ou preferência por não-PAP, mas não deve ser tratado como equivalente ao CPAP na doença moderada-grave.
  • Não confunda triagem com decisão terapêutica: STOP-BANG alto aumenta probabilidade pré-teste, mas a conduta se ancora no estudo do sono e na gravidade pelo IAH.
  • Em paciente sem comorbidades significativas, a necessidade de titulação exclusivamente por PSG tipo I pode estar errada, porque APAP domiciliar é opção aceita pela diretriz.

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