- Nao comprarei mais bilhetes - prometeu então o escrivão Co...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q3736916 Português
Atenção: Leia o trecho inicial do conto “O escrivão Coimbra”, de Machado de Assis, para responder à questão.

    Aparentemente há poucos espetáculos tão melancólicos como um ancião comprando um bilhete de loteria. Bem considerado, é alegre; essa persistência em crer, quando tudo se ajusta ao descrer, mostra que a pessoa é ainda forte e moça. Que os dias passem e com eles os bilhetes brancos, pouco importa; o ancião estende os dedos para escolher o número que há de dar a sorte grande amanhã, —ou depois, — um dia, enfim, porque todas as coisas podem falhar neste mundo, menos a sorte grande a quem compra um bilhete com fé.
    
        Não era a fé que faltava ao escrivão Coimbra. Também não era a esperança. Uma coisa não vai sem outra. Não confundas a fé na Fortuna com a fé religiosa. Também tivera esta em anos verdes e maduros, chegando a fundar uma irmandade, a irmandade de S. Bernardo, que era o santo de seu nome; mas aos cinquenta, por efeito do tempo ou de leituras, achou-se incrédulo.
    
        Não deixou logo a irmandade; a esposa pode conté-lo no exercicio do cargo de mesario e levava-o as festas do santo; ela, porém, morreu, e o viúvo rompeu de vez com o santo e o culto. Resignou o cargo da mesa e fez-se irmão remido para não tornar lá. Não buscou arrastar outros nem obstruir o caminho da oração; ele é que já não rezava por si nem por ninguém. Com amigos, se eram do mesmo estado de alma, confessava o mal que sentia da religido. Com familiares, gostava de dizer pilhérias sobre devotas e padres.
   
        Aos sessenta anos, ja não cria em nada, fosse do céu ou da terra, exceto a loteria. A loteria sim, tinha toda a sua fé e esperança. Poucos bilhetes comprava a principio, mas a idade e depois a solidão vieram apurando aquele costume e o levaram a não deixar passar loteria sem bilhete.
    
        Nos primeiros tempos, não vindo a sorte grande, prometia não comprar mais bilhetes, e durante algumas loterias cumpria a promessa. Mas lá aparecia alguém que o convidava a ficar com um bonito número, comprava o nimero e esperava. Assim veio andando pelo tempo fora até chegar aquele em que loterias rimaram com dias, e passou a comprar seis bilhetes por semana; repousava aos domingos.

(Adaptado de: ASSIS, Machado de. Contos: uma antologia, volume 11. São Paulo: Companhia das Letras, 1998) 
- Nao comprarei mais bilhetes - prometeu então o escrivão Coimbra.
Ao se transpor o texto acima para o discurso indireto, o verbo sublinhado assume a seguinte forma: 
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: B

Fundamento decisivo: A questão depende da correlação temporal na transposição do discurso direto para o indireto. No trecho "- Não comprarei mais bilhetes - prometeu então o escrivão Coimbra.", o verbo da fala está no futuro do presente ("comprarei") e o verbo de elocução está no pretérito ("prometeu"); por isso, ao reportar a fala, a forma verbal deve passar para o futuro do pretérito, mantendo a posterioridade em relação ao marco passado.

Tema central: correlação temporal verbal
Análise das alternativas
A
Errada
"Compro" está no presente do indicativo. Essa forma elimina a relação de posteridade em relação ao ato de prometer e desloca a ação para um valor de presente, o que não reproduz a estrutura temporal da fala reportada.
B
Certa
A alternativa B está correta porque "compraria" é o futuro do pretérito do indicativo, forma que corresponde, no discurso indireto, ao futuro do presente do discurso direto quando a fala é introduzida por verbo dicendi no passado. Assim, a construção preserva o valor temporal da promessa: ele prometeu, naquele momento passado, que depois não compraria mais bilhetes.
C
Errada
"Comprava" está no pretérito imperfeito do indicativo e traz valor de hábito, continuidade ou ação reiterada no passado. Esse valor aspectual não corresponde a uma promessa pontual projetada para depois do momento em que ele prometeu.
D
Errada
"Comprara" está no pretérito mais-que-perfeito do indicativo e indica anterioridade em relação a outro fato passado. No enunciado, porém, a ação de comprar está projetada para depois da promessa, não para antes dela.
E
Errada
"Comprasse" está no pretérito imperfeito do subjuntivo. Essa não é a conversão regular de "comprarei" nesse contexto, e a estrutura básica de relato indireto com "prometeu" não exige aqui mudança para o subjuntivo.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre "passar para o discurso indireto" e "colocar o verbo em qualquer tempo do passado". O erro está em esquecer que o verbo introdutor "prometeu" desloca o eixo temporal, mas a ideia de posterioridade da promessa precisa ser preservada.
Dica para questões semelhantes
  • Identifique primeiro o tempo verbal da fala original e depois o tempo do verbo que introduz essa fala.
  • Na passagem para o discurso indireto, não procure apenas uma forma no passado; verifique se ela mantém anterioridade, simultaneidade ou posterioridade.
  • Se o discurso direto trouxer futuro do presente e o verbo de elocução estiver no pretérito, teste o futuro do pretérito como forma de manter a posteridade a partir de um marco passado.

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo

Comentários

Veja os comentários dos nossos alunos

A frase original é: "Não comprarei mais bilhetes".

  • Tempo original: Futuro do Presente (algo que ele faria em relação ao momento em que falava).
  • Transposição: Quando o narrador conta o que o escrivão disse, ele projeta esse futuro a partir do passado.
  • Resultado: O escrivão Coimbra prometeu que não compraria mais bilhetes.

Gabarito: B (compraria)

Sempre que encontrar Futuro do Presente (terminado em -rei, -rá, -rão) no discurso direto, o par dele no discurso indireto será quase sempre o Futuro do Pretérito (terminado em -ria).

A alternativa correta para a questão é a B (compraria).,

Para aprender a transpor o discurso direto para o indireto em concursos, você deve focar na correlação verbal (harmonia entre os tempos dos verbos).,

1. Entendendo a Lógica da Transposição

No texto original (discurso direto), o escrivão fala no Futuro do Presente ("Não comprarei"), indicando uma ação que ocorrerá após o momento da fala. No entanto, o verbo que introduz a fala ("prometeu") está no passado (Pretérito Perfeito).

Ao passar para o discurso indireto, o narrador reconta o que foi dito. Como a promessa já ficou no passado, a ação de "comprar" passa a ser um futuro em relação a um fato passado., Segundo as fontes, essa é exatamente a função do Futuro do Pretérito.,

2. A "Regrinha" de Transformação

De forma simplificada, quando o verbo de elocução (prometeu, disse, afirmou) está no passado, a correlação segue este padrão:

Discurso Direto: Futuro do Presente (comprarei).

Discurso Indireto: Futuro do Pretérito (compraria).

Exemplo Transposto: "O escrivão Coimbra prometeu, então, que não compraria mais bilhetes.",

3. Por que as outras alternativas estão incorretas?

A) compro (Presente): É usado no discurso direto para fatos atuais ou habituais; no indireto, não mantém a relação com o passado de "prometeu".

C) comprava (Pretérito Imperfeito): Seria a forma correta se o discurso direto estivesse no Presente (Ex: "Não compro mais" → prometeu que não comprava).

D) comprara (Pretérito Mais-que-Perfeito): Seria usado se o discurso direto estivesse no Pretérito Perfeito (Ex: "Não comprei" → prometeu que não comprara).,

E) comprasse (Pretérito Imperfeito do Subjuntivo): É usado para expressar hipóteses ou condições, geralmente em orações subordinadas dependentes de verbos que indicam desejo ou ordem no passado.,

Fonte: Minhas referências no notebookLM:

"A Gramatica para concursos" de Fernando Pestana

"Moderna Gramática Portuguesa" de Evanildo Bechara

AURA+EGO

ITEM 2: Explicação da Alternativa Correta

Gabarito: B — compraria.

Frase original (discurso direto):

“Não comprarei mais bilhetes”, prometeu o escrivão Coimbra.

O verbo comprarei está no futuro do presente do indicativo.

Ao transformar para discurso indireto, com o verbo introdutor “prometeu” no passado, ocorre o chamado recuo temporal:

  • futuro do presente → futuro do pretérito

Assim, a frase ficaria:

O escrivão Coimbra prometeu que não compraria mais bilhetes.

Portanto, a forma correta é compraria.

ITEM 3: Explicação das Alternativas Incorretas

  • A — compro: presente do indicativo, não há recuo temporal.
  • C — comprava: pretérito imperfeito, não corresponde à ideia de promessa futura.
  • D — comprara: pretérito mais-que-perfeito, indica anterioridade no passado.
  • E — comprasse: pretérito imperfeito do subjuntivo, usado em contextos condicionais ou subordinados específicos.

discurso direto: joao disse > vou estudar

indireto: joao disse que iria estudar

Direto: João disse - Não estudarei.

Indireto: João disse que não estudaria.

Clique para visualizar este comentário

Visualize os comentários desta questão clicando no botão abaixo