Para usuários como Espen Kraft, porém, o "valor dos disquet...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q3836782 Português
As pessoas que não abrem mão dos disquetes


O último disquete foi fabricado há mais de uma década e não tem capacidade para armazenar sequer uma foto produzida por um celular moderno. Ainda assim, algumas pessoas continuam a usá-lo com entusiasmo. Entre elas está Espen Kraft, músico e YouTuber norueguês, que recorre a caixas cheias de disquetes sempre que uma nova ideia musical surge. Para ele, o ritual de escolher um disco, inseri-lo no sintetizador e aguardar o carregamento faz parte do processo criativo, despertando uma sensação de nostalgia e expectativa que considera essencial.

Os disquetes surgiram por volta de 1970 e, durante cerca de trinta anos, foram o principal meio de armazenamento de dados em computadores. Programas e sistemas eram instalados a partir deles e, apesar de hoje representarem uma tecnologia ultrapassada, mantêm apelo duradouro para determinados grupos. Com o avanço do século XXI, foram gradualmente substituídos por CDs graváveis, outros dispositivos e, posteriormente, pelo armazenamento em nuvem. Seu uso tornou-se inviável para o público geral, já que a capacidade máxima não compete com os padrões atuais.

Mesmo assim, disquetes continuam presentes em sistemas industriais e governamentais. Alguns equipamentos de transporte urbano, aeronaves e máquinas de fábrica ainda dependem deles para operar, inclusive para carregar atualizações críticas de software. Como não são mais fabricados desde 2011, existe um número limitado desses discos em circulação, o que os torna um recurso cada vez mais escasso. Empresários como Tom Persky mantêm esse mercado ativo, vendendo disquetes a entusiastas e usuários industriais em diversas partes do mundo.

Uma das razões para a permanência desse formato está relacionada à segurança. Por se tratar de um meio físico, isolado de redes digitais, o disquete reduz as possibilidades de ataques externos, já que qualquer interferência exigiria acesso direto ao disco. Ainda assim, muitas instituições vêm planejando a substituição definitiva desses sistemas por soluções digitais mais modernas, baseadas em conexões sem fio.

Para usuários como Espen Kraft, porém, o valor dos disquetes vai além da funcionalidade. Ele conserva milhares deles, com amostras sonoras raras coletadas ao longo de décadas, muitas das quais seriam impossíveis de recriar. O contato físico com o suporte, os ruídos do carregamento e a limitação técnica ajudam-no a produzir músicas que soam autênticas, como se realmente pertencessem ao passado.

Pesquisadores e entusiastas compartilham desse apego. Universidades reúnem arquivos de disquetes com jogos, dados e registros de antigas subculturas digitais, enquanto comunidades de fãs de computadores antigos continuam a desenvolver e distribuir novos softwares nesse formato. Para muitos, os disquetes simplesmente funcionam e cumprem o propósito para o qual foram criados, sem exigir investimentos caros em atualização tecnológica.

Embora seja cada vez mais difícil manter sistemas baseados em disquetes, o formato persiste na vida de algumas pessoas por suas características únicas.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cy94nqlnqgeo.adaptado
Para usuários como Espen Kraft, porém, o "valor dos disquetes vai além da funcionalidade". Ele conserva milhares deles, com amostras sonoras raras coletadas ao longo de décadas.
Considerando o sentido empregado na expressão destacada do texto, assinale a alternativa correta.
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: D

Fundamento decisivo: "Para usuários como Espen Kraft, porém, o valor dos disquetes vai além da funcionalidade. Ele conserva milhares deles, com amostras sonoras raras coletadas ao longo de décadas." O critério decisivo é semântico-contextual: "valor" designa importância ou relevância atribuída aos disquetes, e "vai além da funcionalidade" indica que essa importância não se limita ao uso prático. A explicação subsequente confirma essa leitura, o que afasta a necessidade de reconhecer figura de linguagem.

Tema central: sentido próprio contextual
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque não há metonímia. O termo "valor" não substitui os disquetes nem representa o conjunto material deles por contiguidade; ele nomeia a importância atribuída a esses objetos no contexto.
B
Errada
Está errada porque força uma metáfora de deslocamento físico em "vai além". No trecho, essa locução é usada de modo abstrato e corrente para indicar que o valor não se limita à funcionalidade, sem exigir leitura figurada decisiva.
C
Errada
Está errada porque não há personificação. O substantivo abstrato "valor" não recebe ação própria de ser animado nem comportamento humano; o enunciado apenas afirma que essa importância excede o aspecto funcional.
D
Certa
A alternativa D está correta porque a expressão é compreendida pelo sentido usual das palavras no contexto do texto. "Valor" não nomeia o objeto material nem cria efeito figurado obrigatório; designa a importância que os disquetes têm para esse usuário. Já "vai além da funcionalidade" indica que essa importância não se restringe à utilidade técnica. O período seguinte confirma isso ao explicar que ele conserva disquetes com amostras sonoras raras acumuladas ao longo de décadas. Portanto, a interpretação exigida é semântica e contextual, sem necessidade de identificar metáfora, personificação ou simbolismo.
E
Errada
Está errada porque atribui ao trecho uma linguagem simbólica que o texto não sustenta. O significado não depende de símbolo nem de substituição do literal por uma leitura subjetiva: ele é explicado diretamente pela informação sobre as amostras sonoras raras e pela conservação dos disquetes ao longo do tempo.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre linguagem abstrata e linguagem figurada, especialmente pela locução "vai além", que pode induzir leitura metafórica automática mesmo quando o contexto a usa apenas para indicar ampliação de sentido.
Dica para questões semelhantes
  • Verifique se o período seguinte explica concretamente a expressão destacada; se explica, isso enfraquece a hipótese de figura de linguagem obrigatória.
  • Não trate toda expressão abstrata como figurada: substantivos como "valor" e "funcionalidade" podem estar em uso literal e contextual.
  • Antes de marcar metáfora, metonímia ou personificação, confirme se há realmente substituição de sentido, traço humano ou relação de contiguidade no trecho.

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo