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Paciente masculino, 69 anos, portador de insuficiência car...

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Q3949092 Medicina
Paciente masculino, 69 anos, portador de insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (FEVE 30%), procura atendimento por quadro de dispneia progressiva e edema de membros inferiores. Durante a avaliação, são realizados exames, os quais evidenciam BNP de 1850 pg/mL e radiografia de tórax evidenciando derrame pleural direito moderado, sem alterações parenquimatosas. Exames laboratoriais não demonstram leucocitose nem elevação de PCR. O paciente nega emagrecimento, febre, ou dor torácica. Com base nas recomendações atuais sobre abordagem do derrame pleural em pacientes com insuficiência cardíaca, qual é a conduta mais adequada nesse momento? 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: Em derrame pleural associado à insuficiência cardíaca, a toracocentese diagnóstica imediata não é obrigatória quando o quadro é clinicamente compatível com congestão cardiogênica, o paciente está estável e não há sinais de infecção, malignidade ou outra causa alternativa. No caso, FEVE 30%, BNP de 1850 pg/mL, dispneia com edema periférico, ausência de leucocitose, PCR elevada, febre, emagrecimento, dor torácica e alteração parenquimatosa sustentam essa conduta conservadora inicial.

Tema central: Indicação de toracocentese diagnóstica no derrame pleural da insuficiência cardíaca
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque unilateralidade direita e volume moderado, isoladamente, não obrigam toracocentese diagnóstica. O caso traz forte contexto de congestão por insuficiência cardíaca e não mostra febre, marcadores inflamatórios elevados, dor torácica, emagrecimento ou infiltrado pulmonar que aumentariam a suspeita de exsudato, infecção ou neoplasia. O erro da alternativa é tratar uma atipia relativa como indicação automática de punção.
B
Certa
A alternativa B está correta porque o conjunto do caso favorece derrame pleural por congestão cardíaca, e a abordagem inicial apropriada, quando o paciente está estável e não há indícios clínicos, laboratoriais ou radiográficos de infecção, malignidade ou outra causa concorrente, é tratar a descompensação da insuficiência cardíaca e reavaliar. A unilateralidade à direita não invalida essa hipótese, porque derrame pleural por insuficiência cardíaca pode ser unilateral, especialmente à direita. A punção fica reservada para dúvida diagnóstica, falha de resposta ao tratamento ou necessidade terapêutica.
C
Errada
Está errada porque tomografia com contraste antes da punção, de forma obrigatória e independentemente da resposta clínica, não é a etapa inicial adequada neste cenário. O enunciado não fornece elementos dominantes para priorizar investigação de neoplasia, tromboembolismo ou doença parenquimatosa. Em um quadro com alta probabilidade de derrame cardiogênico, exame avançado não substitui a conduta inicial de tratar a congestão e reavaliar.
D
Errada
Está errada porque restringe indevidamente a toracocentese apenas à finalidade de alívio sintomático. Mesmo em derrame associado à insuficiência cardíaca, a punção também pode ter indicação diagnóstica quando há dúvida etiológica, má resposta ao tratamento, sinais inflamatórios, dor pleurítica ou outras atipias relevantes. Neste caso específico não há necessidade imediata de punção, mas isso não autoriza transformar a toracocentese em procedimento exclusivamente terapêutico.
E
Errada
Está errada porque cria um critério volumétrico rígido e isolado para puncionar, o que não é sustentado pela base. A decisão de toracocentese não depende apenas de o derrame ocupar mais de dois terços do hemitórax; depende do contexto clínico, da suspeita etiológica, da estabilidade do paciente, da resposta ao tratamento e da necessidade de alívio. Volume radiográfico isolado não define conduta.
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de supervalorizar o fato de o derrame ser unilateral à direita e moderado, como se isso por si só anulasse a hipótese de derrame cardiogênico e impusesse punção imediata.
Dica para questões semelhantes
  • Em derrame pleural com insuficiência cardíaca clinicamente convincente e sem sinais de outra etiologia, a primeira decisão costuma ser tratar a congestão e observar resposta.
  • Derrame unilateral, especialmente à direita, pode ocorrer na insuficiência cardíaca; unilateralidade isolada não basta para indicar punção.
  • Toracocentese ganha força quando há dúvida diagnóstica, atipias relevantes, falha de resposta ao tratamento ou necessidade de alívio sintomático.

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