Verifica-se o emprego da conjunção “E” (linhas 2, 4, 5, 7) i...
Leia o poema abaixo, de Olavo Bilac, e responda a questão.
Via Láctea
"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...
E conversamos toda a noite, enquanto
A Via Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"
Verifica-se o emprego da conjunção “E” (linhas 2, 4, 5, 7) introduzindo novas orações. É correto afirmar que a conjunção “E” tem:
I. Na linha 4, valor aditivo.
II. Na linha 4, valor adversativo.
III. Nas linhas 2, 5 e 7, o mesmo valor.
IV. Nas linhas 2, 5 e 7, valores distintos.
V. Nas linhas 2, 5 e 7, valor próximo ao de interjeição.
Está correto o que se afirma em:
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Gabarito comentado
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Tema central da questão: O foco está na interpretação semântica da conjunção “e” no texto poético de Olavo Bilac. Essa conjunção, geralmente aditiva, pode adquirir outros valores conforme o contexto, como indica a norma da língua (Cunha & Cintra; Bechara).
Justificativa da alternativa correta (Letra E: I, III e V):
I. Na linha 4, valor aditivo: Corretíssima. Em “E abro as janelas, pálido de espanto...”, o “e” adiciona uma ação à anterior, cumprindo o clássico papel de adição.
III. Nas linhas 2, 5 e 7, o mesmo valor: Essa afirmativa, à primeira vista duvidosa, é passível de aceitação por entender que em todas estas linhas o “e” liga orações e acrescenta informações, mesmo que nuances de sentido possam variar levemente. Em contexto poético, as fronteiras entre adição e matiz expressivo se flexibilizam, como reforça Bechara (Moderna Gramática Portuguesa).
V. Valor próximo ao de interjeição: Nos versos citados, principalmente na linha 2 (“E eu vos direi, no entanto”), o “e” pode sugerir um início de fala, atuando quase como elemento de retomada enfática — próximo a um apelo ou exórdio, função aproximada à da interjeição no texto literário.
Análise das alternativas incorretas:
II. Valor adversativo: Incorreta. O “e” na linha 4 (“E abro as janelas...”) não expressa oposição, mas sim adição.
IV. Valores distintos: Afirmar que são todos distintos pode forçar a interpretação além do razoável para a leitura do poema. Há sim matizes, mas a predominância é da adição, alinhando-se à leitura proposta pela assertiva III, aceita pelo gabarito e frequentemente pela banca.
Estratégia para provas: Analise sempre o contexto da conjunção “e”. Note se ela mais adiciona, opõe, inicia discurso ou sugere consequência. No texto literário, as funções podem se mesclar, por isso atenção ao efeito de sentido e, em caso de dúvida, privilegie o valor aditivo como padrão, salvo claro sinal de oposição ou conclusão.
Dica final: Segundo Cunha & Cintra, a conjunção “e” é “altamente polissêmica”, podendo assumir funções expressivas no discurso direto e poético.
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e)
I, III e V.
I. Na linha 4, valor aditivo.
III. Nas linhas 2, 5 e 7, o mesmo valor.
V. Nas linhas 2, 5 e 7, valor próximo ao de interjeição.
NTERJEIÇÃO
Interjeição é a palavra invariável que exprime emoções, sensações, estados de espírito, ou que procura agir sobre o interlocutor, levando-o a adotar certo comportamento sem que, para isso, seja necessário fazer uso de estruturas linguísticas mais elaboradas.
Ex:
Ai! Ai! Ai! Machuquei meu pé...
ai: interjeição
sentença (sugestão): "Isso está doendo!" ou "Estou com dor!"
que sufoco hein! desvendar o sentido num texto desse é bem difícil.
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