Um paciente de 74 anos com quadro de tontura e instabilidade...
Com base nos dados apresentados, a hipótese diagnóstica é de:
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Tema central: diferenciar síndrome vestibular central de periférica a partir de achados da vectoeletronistagmografia (VENG) e do exame oculomotor.
Alternativa correta: C — Síndrome central
Por quê? Três pistas fortes de acometimento central:
- Nistagmo espontâneo multidirecional: muda de direção com o olhar (gaze-evoked), típico de lesões do tronco/cerebelo. Na periférica, costuma ser unidirecional.
- Sem inibição pela fixação: a fixação visual não suprime o nistagmo em lesões centrais; na periférica, a fixação geralmente o reduz.
- Rastreio tipo IV: perseguição suave marcadamente sacádica/irregular (falha do vestibulocerebelo), achado central.
Além disso, a história de tontura crônica com pouca ou nenhuma náusea sugere origem central (menos sintomas vegetativos). Diretrizes e revisões (UpToDate – Evaluation of nystagmus; Harrison’s; Bárány Society – classificação de nistagmos) destacam exatamente esses marcadores para o diagnóstico central.
Por que as alternativas incorretas não se aplicam?
- A) Periférica irritativa: esperaria-se nistagmo unidirecional (geralmente batendo para o lado do labirinto irritado), com supressão pela fixação e mais sintomas autonômicos. Incompatível com nistagmo multidirecional e ausência de supressão.
- B) Periférica deficitária: típica de hipofunção labiríntica; nistagmo unidirecional (para o lado saudável), suprimível com fixação e perseguição suave preservada ou pouco alterada. Não condiz com rastreio tipo IV nem com mudança de direção.
- D) Exame normal: há múltiplas anormalidades (nistagmo espontâneo anormal, falha de supressão e rastreio patológico), logo não é normal.
- E) Vertigem posicional: crises breves e posicionais (ex.: Dix-Hallpike positivo com nistagmo torsional típico). Aqui o quadro é crônico, sem gatilho posicional claro e com sinais oculomotores centrais.
Estratégia de prova: memorize a regra prática:
– Unidirecional + suprime com fixação = periférico.
– Muda com o olhar + não suprime + rastreio tipo IV = central.
Idade avançada e pouca náusea reforçam, mas o padrão oculomotor é determinante.
Fontes úteis: UpToDate (Evaluation of the patient with dizziness; Nystagmus: peripheral vs central), Harrison’s Principles of Internal Medicine (cap. neuro-otologia), Bárány Society Consensus on Nystagmus Classification.
Gabarito: C
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