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Q3512014 Medicina
Um paciente de 74 anos com quadro de tontura e instabilidade há 6 meses, sem náuseas, leva um exame de vectoeletronistagmografia com nistagmo espontâneo multidirecional, sem efeito inibitório da fixação ocular e com rastreio tipo IV.
Com base nos dados apresentados, a hipótese diagnóstica é de:
Alternativas

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Tema central: diferenciar síndrome vestibular central de periférica a partir de achados da vectoeletronistagmografia (VENG) e do exame oculomotor.

Alternativa correta: C — Síndrome central

Por quê? Três pistas fortes de acometimento central:

  • Nistagmo espontâneo multidirecional: muda de direção com o olhar (gaze-evoked), típico de lesões do tronco/cerebelo. Na periférica, costuma ser unidirecional.
  • Sem inibição pela fixação: a fixação visual não suprime o nistagmo em lesões centrais; na periférica, a fixação geralmente o reduz.
  • Rastreio tipo IV: perseguição suave marcadamente sacádica/irregular (falha do vestibulocerebelo), achado central.

Além disso, a história de tontura crônica com pouca ou nenhuma náusea sugere origem central (menos sintomas vegetativos). Diretrizes e revisões (UpToDate – Evaluation of nystagmus; Harrison’s; Bárány Society – classificação de nistagmos) destacam exatamente esses marcadores para o diagnóstico central.

Por que as alternativas incorretas não se aplicam?

  • A) Periférica irritativa: esperaria-se nistagmo unidirecional (geralmente batendo para o lado do labirinto irritado), com supressão pela fixação e mais sintomas autonômicos. Incompatível com nistagmo multidirecional e ausência de supressão.
  • B) Periférica deficitária: típica de hipofunção labiríntica; nistagmo unidirecional (para o lado saudável), suprimível com fixação e perseguição suave preservada ou pouco alterada. Não condiz com rastreio tipo IV nem com mudança de direção.
  • D) Exame normal: há múltiplas anormalidades (nistagmo espontâneo anormal, falha de supressão e rastreio patológico), logo não é normal.
  • E) Vertigem posicional: crises breves e posicionais (ex.: Dix-Hallpike positivo com nistagmo torsional típico). Aqui o quadro é crônico, sem gatilho posicional claro e com sinais oculomotores centrais.

Estratégia de prova: memorize a regra prática:
Unidirecional + suprime com fixação = periférico.
Muda com o olhar + não suprime + rastreio tipo IV = central.
Idade avançada e pouca náusea reforçam, mas o padrão oculomotor é determinante.

Fontes úteis: UpToDate (Evaluation of the patient with dizziness; Nystagmus: peripheral vs central), Harrison’s Principles of Internal Medicine (cap. neuro-otologia), Bárány Society Consensus on Nystagmus Classification.

Gabarito: C

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