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Q3512012 Medicina
Um paciente de 4 anos comparece a consulta ambulatorial com um quadro de hiperemia e edema na região pré-auricular direita e saída de secreção purulenta através de um pequeno orifício na região anterior da hélice à direita. A mãe relata um episódio semelhante a esse, há cerca de 1 ano.
Com base na história clínica, o provável diagnóstico é:
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: malformações congênitas peri-auriculares, especialmente o seio/fístula preauricular que pode infeccionar e drenar secreção por um pequeno orifício anterior à hélice.

Alternativa correta: D – “coloboma auris infectado”

“Coloboma auris” é termo clássico usado para o seio (ou fístula) preauricular, uma anomalia congênita por falha de fusão dos montículos de His (1º e 2º arcos branquiais). Localiza-se tipicamente anterior à hélice (raiz superior), como um pequeno óstio cutâneo que pode permanecer assintomático ou inflamar de forma recorrente, com hiperemia, edema e drenagem purulenta — exatamente os achados do caso, inclusive com episódio prévio semelhante.

Conduta: no episódio agudo, antibiótico antiestafilocócico (ex.: cefalexina; considerar cobertura para S. aureus/MRSA conforme cenário), analgesia e, se houver abscesso, incisão e drenagem. Após resolução, indicar exérese completa do trajeto fistuloso para prevenir recidivas. Diagnóstico é clínico; ultrassonografia pode auxiliar no mapeamento do trajeto em casos recorrentes. Referências: UpToDate (Preauricular pits and sinuses), Cummings Otolaryngology, Nelson Textbook of Pediatrics.

Por que as outras estão incorretas?

A) Parotidite aguda: edema pré-auricular existe, mas o pús drena pelo ducto de Stensen na mucosa bucal (oposto ao 2º molar superior), não por órifício cutâneo. Curso geralmente febril, dor ao mastigar e hipossalivação. Incompatível com o orifício anterior à hélice.

B) Higroma cístico (linfangioma): massa cervical flácida, transiluminável, usualmente no triângulo posterior do pescoço, sem óstio cutâneo e sem drenagem purulenta recorrente. Não é típico da região pré-auricular com orifício.

C) Cisto tireoglosso: lesão mediana do pescoço, próxima ao osso hioide, que se move com deglutição e protrusão da língua. Não ocorre na orelha.

E) Linfadenite tuberculosa (escrofulose): linfonodos cervicais aumentados, evolução crônica com “abscesso frio” e fístulas cutâneas no pescoço. A topografia e a presença de um óstio congênito pré-auricular apontam contra essa hipótese.

Dicas para a prova: identifique palavras-chave: “pequeno orifício anterior à hélice” + “drenagem purulenta recorrente” = seio preauricular infectado. Diferencie de parotidite pelo local de drenagem (ducto de Stensen) e de cistos cervicais pela topografia.

Resumo prático: criança com óstio pré-auricular + infecção recorrente → tratar infecção aguda e programar exérese do trajeto após resolução para evitar recidivas. (Fontes: UpToDate 2024; Cummings; Nelson; AAP)

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