Um paciente de 30 anos tem história de hipoacusia na orelha ...
Ao exame, verificam-se otoscopia normal e audiometria com hipoacusia neurossensorial severa na orelha esquerda. Uma tomografia computadorizada de mastoide em corte coronal e axial evidenciou a cóclea e o vestíbulo formando uma cavidade cística à esquerda.
Diante do quadro exposto, concluiu-se que a etiologia da hipoacusia se deve a:
Gabarito comentado
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Tema central: Hipoacusia neurossensorial congênita por malformação do ouvido interno. Otoscopia normal + perda neurossensorial severa desde o nascimento + TC mostrando cavidade cística cócleo-vestibular direciona para malformação labiríntica.
Alternativa correta: D – Displasia de Mondini
Justificativa: A displasia de Mondini (incomplete partition tipo II) é uma malformação congênita do labirinto com cóclea hipoplásica (≈1,5 voltas) e vestíbulo dilatado, frequentemente com aqueduto vestibular alargado. Na TC pode haver aspecto cístico do conjunto cócleo-vestibular, conferindo a impressão de cavidade única. Clinicamente, cursa com hipoacusia neurossensorial severa, muitas vezes unilateral, e otoscopia normal. Referências: Cummings Otolaryngology; UpToDate (Congenital inner ear malformations); classificação de Sennaroğlu.
Estratégia para a prova: destaque palavras-chave: “desde o nascimento” (congênito), “otoscopia normal” (sugere lesão retrococlear/coclear), “cavidade cística cócleo-vestibular” (malformação do ouvido interno). Isso exclui causas adquiridas e condutivas.
Análise das alternativas incorretas:
A – Neurinoma do acústico (schwannoma vestibular): típica apresentação é perda neurossensorial unilateral progressiva em adultos, não congênita. Diagnóstico por RM de meatos acústicos internos, não por TC com cavidade cócleo-vestibular. Incompatível com “desde o nascimento”.
B – Fixação congênita do estribo: causa hipoacusia condutiva (ou mista), com otoscopia normal e TC mostrando espessamento da platina/estenose da janela oval. O caso traz perda neurossensorial severa, logo não se encaixa.
C – Aqueduto vestibular alargado (EVA): é congênito e pode cursar com SNHL, mas a imagem típica é alargamento do aqueduto (>1,5 mm no ponto médio), não “cóclea e vestíbulo formando cavidade cística”. Além disso, EVA costuma ser flutuante/progressiva e frequentemente bilateral.
E – Síndrome de Usher: caracteriza-se por retinite pigmentosa, acometimento vestibular em alguns subtipos e hipoacusia bilateral congênita/infantil. O caso é unilateral e não há achados oftalmológicos.
Diagnóstico e conduta prática: Confirmar com TC de alta resolução e, se necessário, RM. Reabilitação com aparelho auditivo ou implante coclear (conforme indicação). Atenção a malformações com risco de fístula de líquor em cirurgias do estribo. Diretrizes e revisões: UpToDate; Cummings Otolaryngology.
Pegadinha da questão: “cavidade cística” orienta para malformação congênita do labirinto. Não confundir com causas adquiridas (schwannoma) nem condutivas (estribo).
Gabarito: D
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