Uma paciente de 65 anos apresenta história de radioterapia d...

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Q3512004 Medicina
Uma paciente de 65 anos apresenta história de radioterapia de cabeça e pescoço para tratamento de um câncer de nasofaringe há 3 anos. Há 2 meses, notou um rápido aumento da região anterior do pescoço, associado a disfonia.
Seus exames tiveram os seguintes resultados: otoscopia normal; rinoscopia anterior sem alteração; orofaringoscopia normal; videolaringoscopia com paralisia de prega vocal direita em posição de abdução; endoscopia nasal normal; palpação do pescoço evidenciando tireoide aumentada de volume à direita com presença de um nódulo; ultrassonografia cervical com presença de nódulo sólido em lobo tireoidiano direito medindo 3 cm; ausência de linfonodomegalia cervical.
O próximo passo para o esclarecimento diagnóstico dessa paciente é: 
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Tema central: avaliação diagnóstica de nódulo tireoidiano em paciente de alto risco (história de radioterapia cervicofacial), com crescimento rápido e paralisia de prega vocal ipsilateral — sinais fortemente suspeitos de malignidade e invasão do nervo laríngeo recorrente.

Alternativa correta: C — Punção aspirativa por agulha fina (PAAF)

A PAAF, idealmente guiada por ultrassom, é o exame de primeira linha para esclarecer nódulos tireoidianos com risco de malignidade. Neste caso, há múltiplos sinais de alto risco: radioterapia prévia, nódulo sólido de 3 cm e paralisia vocal direita, sugerindo invasão neural. As Diretrizes da ATA 2015 e o NCCN 2024 recomendam PAAF para nódulos ≥1 cm com características clínicas/sonográficas suspeitas; com paralisia vocal, a indicação é inequívoca. A PAAF fornece citologia (Bethesda) para guiar conduta (cirurgia, estadiamento, teste molecular). Referências: ATA 2015 (Haugen et al.), NCCN Thyroid Carcinoma v.2.2024, UpToDate, Harrison’s.

Como pensar na prova (estratégia):

  • Identifique fatores de alto risco (radioterapia, disfonia com paralisia, crescimento rápido).
  • Para nódulo sólido ≥1 cm com alto risco: PAAF imediata. Evite condutas que retardem o diagnóstico.

Por que as demais estão incorretas?

  • A — Tomografia computadorizada cervical: a TC auxilia em estadiamento e avaliação de extensão extratireoidiana/traqueal, mas não substitui a confirmação diagnóstica inicial. Além disso, contraste iodado pode atrapalhar terapias com radioiodo no curto prazo. Primeiro, PAAF; TC é etapa subsequente se indicado.
  • B — Reavaliar em 6 meses: totalmente inadequado perante sinais de alto risco de câncer (paralisia de prega vocal e crescimento rápido). Diretrizes contraindicam observação expectante nesses cenários.
  • D — Fonoterapia para disfonia: aborda sintoma, não a causa. Disfonia com paralisia vocal ipsilateral ao nódulo sugere invasão neoplásica; postergar diagnóstico é erro.
  • E — Dosagem de cálcio e calcitonina: Calcitonina pode ser considerada quando suspeita de carcinoma medular, mas não é o próximo passo primordial aqui. O principal é confirmar malignidade por PAAF. Cálcio não esclarece o diagnóstico do nódulo.

Achados que sustentam malignidade neste caso: idade avançada, radioterapia prévia, nódulo sólido de 3 cm, paralisia de prega vocal (sugere acometimento do nervo laríngeo recorrente). Em prática, pensar em carcinoma papilífero agressivo, pouco diferenciado ou até anaplásico em crescimento rápido.

Conclusão: Diante de nódulo tireoidiano de alto risco com disfonia por paralisia vocal, a PAAF é o próximo passo indicado para definir a citologia e orientar a conduta.

Gabarito: C

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