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Q3511993 Medicina
Uma paciente de 65 anos queixa-se de obstrução nasal à esquerda e sensação de plenitude aural à esquerda há 4 meses. A otoscopia está normal à direita e com secreção em orelha média à esquerda. A imitanciometria apresentava uma curva tipo A à direita e curva de tipo B à esquerda.
Nessa paciente, é fundamental a realização do seguinte exame:
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Tema central: em adultos, especialmente idosos, a associação de obstrução nasal unilateral com otite média com efusão (OME) unilateral é um sinal de alerta para obstrução da tuba auditiva por lesão do cavum (nasofaringe), incluindo neoplasia (ex.: carcinoma de nasofaringe).

Achados que sustentam OME à esquerda: otoscopia com secreção em orelha média e timpanometria tipo B (curva plana), indicativa de líquido em orelha média; o lado direito normal com curva tipo A.

Resposta correta: A — videoendoscopia nasal para análise do cavum

Justificativa: a nasofibrolaringoscopia (videoendoscopia nasal) é o exame essencial para visualizar a nasofaringe, a tuba auditiva (tórus tubário) e identificar massa/hipertrofia/vegetação que cause disfunção tubária e efusão. Em adulto com OME unilateral, excluir neoplasia é prioritário antes de tratar apenas o ouvido. Diretrizes e revisões (AAO-HNS, UpToDate; Cummings Otolaryngology) recomendam nasofaringoscopia em OME unilateral em adultos; o NICE também orienta investigação de câncer em casos persistentes.

Raciocínio clínico: obstrução nasal ipsilateral + efusão unilateral crônica → pensar em obstrução mecânica da tuba por tumor de nasofaringe, pólipo/coanal, rinosinusite crônica com hipertrofia adenoidea residual (menos comum em idosos). O exame que muda conduta é a endoscopia nasal com possível biópsia.

Por que as outras estão incorretas?

B) Emissão otoacústica (DPOAE): avalia função coclear (células ciliadas externas). Pode estar ausente por efusão (barreira condutiva), mas não investiga a causa nasofaríngea; não resolve a questão-chave.

C) PEATE/BERA: testa via auditiva neural (tronco encefálico). Útil em neuropatia/retrocochlear, não em suspeita de obstrução da tuba por lesão do cavum.

D) Vectoeletronistagmografia: exame vestibular para tontura. Sem indicação neste quadro sem sintomas vestibulares.

E) Eletrococleografia: voltada para hidropisia endolinfática/Doença de Ménière. Não avalia efusão/massa nasofaríngea.

Pegadinha de prova: muitos pensam em “medir audição” primeiro (ex.: audiometria/OAEs), mas em OME unilateral no adulto a prioridade é achar a causa. Portanto, endoscopia nasal vem antes de exames eletrofisiológicos.

Conduta prática: realizar videoendoscopia nasal; se lesão, biópsia e estadiamento (TC/MRI). O tratamento do ouvido (ex.: tubo de ventilação) só após abordar a etiologia.

Referências: AAO-HNS Clinical Practice; UpToDate – Otitis media with effusion in adults; Cummings Otolaryngology; NICE Suspected Cancer Recognition and Referral.

Gabarito: A

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