Um paciente de 50 anos, com história de hipoacusia e zumbido...

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Q3511988 Medicina
Um paciente de 50 anos, com história de hipoacusia e zumbido em orelha direita que se iniciaram há 1 ano e que vêm piorando nos últimos 3 meses, apresentou otoscopia normal. Realizou também audiometria, que evidenciou hipoacusia neurossensorial moderada na orelha direita com 50% de discriminação e audição normal em orelha esquerda com discriminação de 100%.
O exame complementar a ser solicitado nesse caso é: 
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: perda auditiva neurossensorial unilateral progressiva, com baixa discriminação de fala desproporcional ao limiar tonal, sugerindo lesão retrococlear (ex.: schwannoma vestibular). Otoscopia normal afasta causa condutiva.

Alternativa correta: B — Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico (PEATE/ABR)

O PEATE avalia a condução neural do nervo coclear ao tronco encefálico (ondas I–V, até ~10 ms). Em perdas retrococleares, há atrasos de latência/interpicos e assimetria entre as orelhas. Diante de SNS unilateral + discriminação 50% (pior do que o esperado para perda moderada), o exame indicado para rastrear comprometimento do VIII par/ponte é o PEATE. Observação importante para provas: a ressonância magnética com gadolínio é o padrão-ouro para schwannoma vestibular; quando não está entre as opções, o melhor próximo é o PEATE. Referências: UpToDate; Cummings Otolaryngology; recomendações AAO-HNS para investigação de assimetria auditiva.

Como identificar no enunciado:

- Unilateral e progressiva + zumbido → pense em retrococlear.
- Discriminação de fala muito baixa para o grau da perda → sugere lesão neural (não apenas coclear).
- Otoscopia normal → descarta componente condutivo.

Análise das alternativas incorretas

A) Processamento auditivo central (PAC): testagem indicada quando a audição periférica é normal e há queixa de compreensão em ambientes ruidosos. Aqui há SNS unilateral; não é prioridade nem responde à hipótese de retrococlear.

C) Video Head Impulse Test (vHIT): avalia reflexo vestíbulo-ocular dos canais semicirculares (função vestibular periférica). O caso é auditivo, sem queixa vestibular predominante. Não rastreia schwannoma pelo componente auditivo.

D) Potencial evocado auditivo de média latência (MLR): explora vias talâmico-corticais (10–50 ms). Útil em pesquisas de PAC/sedação, mas pouco sensível para lesão do nervo coclear/tronco. Não é exame de escolha.

E) Potencial evocado auditivo de longa latência (LLR): respostas corticais (>50 ms, P1–N1–P2), dependem de atenção e integram processamento central. Não é adequado para triagem de retrococlear.

Pegadinha de prova: a baixa discriminação pode induzir à opção “processamento auditivo central”, mas a assimetria periférica na audiometria obriga a investigar retrococlear com PEATE (ou RM, se disponível).

Conclusão: diante de SNS unilateral com discriminação muito reduzida, solicite PEATE para rastrear lesão no VIII par/tronco. Se a prova trouxer Ressonância Magnética de condutos auditivos internos, ela supera o PEATE como padrão-ouro.

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