A alternativa em que há uma explicação correta para o termo ...
AS QUESTÕES DE 1 A 15 ESTÃO RELACIONADAS AO TEXTO ABAIXO
TEXTO
1 Não existe um único espaço por excelência para a política educacional. Ela se processa onde há pessoas imbuídas
2 da intenção de aos poucos conduzir a criança a ser o modelo social de adolescente e, posteriormente, de jovem e adulto
3 idealizado pelo grupo social em que está situado.
4 A intenção de uma política educacional pode ser clara e visível, ou então obscura e camuflada. Conhecendo a
5 intenção de uma política educacional, poderá ser compreendido outro aspecto que a envolve – o poder. Esse aspecto da
6 elaboração da política educacional permite associá-la, para uma melhor interpretação, a duas antiquíssimas e também muito
7 atuais vertentes da práxis política.
8 Pelo fato de a política educacional ser estabelecida por meio do poder de definição do processo pedagógico, em
9 função de um grupo, de uma comunidade ou de setores dessa comunidade, ela tanto pode ser resultado de um amplo
10 processo participativo, em que todos os membros envolvidos com a tarefa pedagógica (professores (as), alunos (as) e seus
11 pais) debatem e opinem sobre como ela é, como deverá ser e a que fim deverá atender, como também pode ser imposição
12 de um pequeno grupo que exerce o poder sobre a grande maioria coletiva.
13 Atualmente, existem duas versões de política educacional correspondentes às práxis políticas aristotélicas e
14 platônicas. Na linha platônica, há a política educacional tecnocrática, e, na vertente aristotélica, há a política educacional
15 municipalizante.
16 Na vertente platônica, aqueles que elaboram a política educacionalsão representantes do Estado – um pequeno grupo
17 de pessoas que também desenvolve a atividade normativa sobre o sistema de ensino público, sem, contudo, ser responsável
18 pelo fornecimento do ensino.
19 Essa elite é conhecida como representante da tecnocracia. Na esfera educacional, a tecnocracia tem um perfil
20 antidemocrático, já que continuamente reserva para si o monopólio das virtudes necessárias para a direção da educação.
21 O planejamento, um instrumento para a concretização da política educacional, quando é tecnocrático, obedece a
22 uma orientação platônica, ou seja, não é flexível e não sofre mudanças de acordo com a dinâmica da realidade.
23 A legislação educacional é outro instrumento técnico da política educacional, que garante a homogeneização
24 ideológica na educação e a centralização administrativa.
25 Uma alternativa à política educacional tecnocrática de inspiração platônica é a política municipalizante. Ela implica
26 um poder maior em favor doslocais onde se estabelece a autonomia do complexo escolar, o que comumente é compreendido
27 como municipalização do ensino.
28 A política educacional municipalizante assegura recursos públicos desvinculados de posições político-partidárias e
29 pressupõe participação, controle e comprometimento por parte da comunidade com o motivo educacional.
30 Essa descentralização não requer a existência da dispendiosa burocracia. Há bastante flexibilidade nos currículos
31 escolares, permitindo que ocorram mudanças quando e onde elas se fizerem necessárias. A gestão de cada unidade escolar
32 é bastante democrática, pois os (as) diretores (as) de cada escola pertencem à comunidade em que ela está localizada, o que
33 faz da figura do administrador escolar uma espécie de ponte entre a instituição e o contexto em que ela está inserida.
34 Assim, a política educacional tem muito a ver com o contexto e a organização política de cada sociedade, e o seu
35 perfil depende em grande parte desse aspecto da sociedade em que ela existe.
36 Se a cultura de um povo é democrática e ele atua nas decisões políticas, é provável que sua política educacional
37 acate as sugestões e os anseios da população, mas em contextos autoritários, nos quais o povo é subjugado por uma cultura
38 extremamente dominadora, é comum predominar uma política educacional de cunho platônico.
Por Eliane da Costa Bruini - Colaboradora Brasil Escola Graduada em Pedagogia Pelo Centro Universitário Salesiano de São Paulo – UNISAL FONTE: https://educador.brasilescola.uol.com.br/politica-educacional/o-que-politica-educacional.htm |
A alternativa em que há uma explicação correta para o termo transcrito é
Gabarito comentado
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Tema central da questão:
A questão avalia a interpretação de texto aliada à compreensão da função semântica e sintática de termos no contexto. Exige do candidato a capacidade de reconhecer relações lógicas expressas por advérbios/conectivos e identificar funções sintáticas com base em análise textual pela norma-padrão.
Análise da alternativa correta – Letra C:
“Assim” exprime valor conclusivo.
O termo “Assim”, no início do período, exerce papel de conector conclusivo, retomando ideias anteriores para apresentar uma consequência ou fechamento lógico. Como ensina Bechara (Moderna Gramática Portuguesa), advérbios como “assim”, quando utilizados isoladamente, sinalizam uma conclusão, semelhante a “portanto” ou “dessa forma”. Exemplo: “Estudou muito. Assim, foi aprovado.” No trecho do texto, “Assim” introduz uma síntese da relação entre política educacional e organização social, confirmando seu valor conclusivo.
Por que as demais estão incorretas?
A) “bastante”, na frase “Há bastante flexibilidade nos currículos escolares”, modifica o substantivo “flexibilidade” e, neste caso, atua como adjetivo, não como advérbio. Como adjetivo, “bastante” deveria concordar em número (“flexibilidades bastantes”, se fosse plural). Logo, a justificativa está inadequada.
B) “mudanças” é o sujeito na oração “que ocorram mudanças”, visto que o verbo “ocorrer” é intransitivo — não admite objeto direto. Segundo Cunha & Cintra, sujeito é o termo sobre o qual se declara algo, e neste contexto, “mudanças” realiza a ação do verbo.
D) “é comum” NÃO constitui uma oração subordinada com dependência sintática. Trata-se de predicado nominal (“é comum predominar uma política…”), em que “comum” é predicativo do sujeito, e não uma oração substantiva predicativa.
Dica para concursos:
Fique atento(a) às funções dos conectivos, aos papéis sintáticos dos termos, e à diferença entre advérbios (invariáveis) e adjetivos (variáveis). Desconfie de justificativas simplificadas demais ou que fogem ao contexto.
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