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Q3511979 Medicina
Uma paciente de 25 anos, com queixa de dificuldade em entender a fala das pessoas em ambientes ruidosos, nega hipoacusia ou zumbidos. Também não reporta história de otites na infância. Ao exame, são identificadas otoscopia normal e audiometria dentro dos padrões da normalidade.
O exame que deve ser solicitado para esclarecimento das queixas da paciente é:
Alternativas

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Tema central: Queixa de “dificuldade para entender fala em ambientes ruidosos” com audiometria e otoscopia normais aponta para alteração do processamento auditivo central (PAC), e não para perda auditiva periférica.

Alternativa correta: B – Processamento auditivo central

O DPAC caracteriza-se por dificuldade em decodificar e organizar informações sonoras complexas, especialmente fala no ruído, apesar de limiares auditivos normais. O exame adequado é uma bateria comportamental de PAC, aplicada por fonoaudiólogo, incluindo testes como fala no ruído, dígitos dicóticos, padrões de frequência/duração e Gaps-in-Noise, entre outros. Esses testes avaliam habilidades de segregação, integração binaural e processamento temporal, alinhados às diretrizes da ASHA e da American Academy of Audiology (AAA) para PAC. Referências: ASHA Practice Portal – Central Auditory Processing; AAA Guidelines for the Diagnosis, Treatment, and Management of Children and Adults with Central Auditory Processing Disorder.

Por que as outras alternativas estão incorretas?

A – Eletrococleografia (EcoG): útil para investigar hidropsia endolinfática/doença de Ménière (relação SP/AP), ou monitorização intraoperatória. Não é exame de escolha para queixa isolada de compreensão no ruído com audiometria normal.

C – Ressonância magnética de crânio: indicada quando há suspeita de lesão retrococlear (ex.: schwannoma vestibular), geralmente com hipoacusia neurossensorial assimétrica, zumbido unilateral ou alterações no ABR. Não há esses achados aqui; portanto, RM não é o próximo passo lógico.

D – Avaliação neuropsicológica: útil em hipóteses de déficits cognitivos (atenção, memória, funções executivas) que mimetizam dificuldade auditiva. Pode ser complementar, mas não substitui a testagem específica do PAC diante de queixa auditiva típica.

E – Eletroencefalograma (EEG): exame para epilepsia/encefalopatias; não avalia habilidades auditivas centrais relacionadas à compreensão de fala no ruído.

Dicas de prova e raciocínio clínico

- Sinal-chave: “dificuldade de entender fala em ruído” + audiometria normal → pense em DPAC e peça bateria de PAC (testes comportamentais específicos).

- Evite a armadilha de pedir RM sem sinais de retrococlear (assimetria, zumbido unilateral, vertigem focal, ABR alterado).

- Em casos selecionados, testes eletrofisiológicos (p.ex., P300/MMN) podem complementar, mas o padrão inicial é a avaliação comportamental de PAC (UpToDate; ASHA/AAA).

Fontes úteis: ASHA Practice Portal – Central Auditory Processing; AAA (2010) Guidelines on CAPD; UpToDate – Central auditory processing disorders in adults.

Gabarito: B

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