Um paciente de 65 anos, com quadro de roncos e apneia noturn...
Ao exame, o paciente é identificado com IMC de 40, circunferência cervical de 47, fossas nasais permeáveis e amígdala grau 1.
Nesse caso, o tratamento preconizado é:
Gabarito comentado
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Tema central: Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS) grave, confirmada por IAH=40, em paciente obeso (IMC 40), pescoço espesso e comorbidades (HAS e DPOC). O dado decisivo: SAOS grave + comorbidades → tratamento de primeira linha é pressão positiva contínua em vias aéreas (CPAP).
Alternativa correta: B — CPAP
O CPAP reduz o colapso faríngeo, normaliza o IAH, melhora a oxigenação, sintomas e controle pressórico. Em “síndrome de overlap” (DPOC + SAOS), o CPAP reduz exacerbações, hospitalizações e mortalidade. Diretrizes da AASM (2019) e recomendações da Associação Brasileira do Sono/ABORL-CCF indicam CPAP como terapia de escolha para SAOS moderada a grave. Em obeso com amígdalas pequenas e via nasal pérvia, a chance de benefício cirúrgico isolado é baixa; o CPAP é mais efetivo e seguro.
Raciocínio clínico (como chegar rápido à resposta):
1) IAH ≥30 = SAOS grave → pensar em CPAP.
2) Comorbidades (HAS, DPOC) reforçam CPAP.
3) Ausência de obstrução nasal relevante e amígdalas grau 1 desfavorecem cirurgia palatal.
4) IMC 40 reduz eficácia de opções não-PAP.
Análise das alternativas incorretas
A — Uvulopalatofaringoplastia (UPFP): Eficácia limitada em obesos e com amígdalas pequenas. Melhores resultados ocorrem com tonsilas 3–4 e colapso palatal predominante. Em DPOC, risco perioperatório é maior e não trata colapso multissegmentar. Não é primeira linha em SAOS grave (AASM, ABS/ABORL-CCF).
C — Septoplastia e turbinectomia: Cirurgias nasais não tratam SAOS quando não há obstrução nasal importante; servem como adjuvantes para melhorar adesão ao CPAP. Com fossas nasais pérvias, não há indicação como terapia principal.
D — Aparelho intraoral (avanço mandibular): Indicado preferencialmente para SAOS leve a moderada ou quando o paciente com SAOS grave recusa ou não tolera CPAP. Eficácia cai com IMC elevado e IAH alto. Não é a primeira escolha neste cenário (AASM).
E — Avanço maxilomandibular (AMM): Cirurgia eficaz em casos selecionados (especialmente com alterações esqueléticas), porém é terapia de segunda linha para intolerantes ao CPAP. IMC 40 aumenta riscos e reduz previsibilidade; recomenda-se tentativa e otimização do CPAP antes.
Pegadinhas e dicas de prova: Grave + comorbidades quase sempre = CPAP. Procure no enunciado pistas de obstrução anatômica clara (tonsilas volumosas, deformidades craniofaciais) para considerar cirurgia; ausência dessas pistas reforça CPAP. Lembre: cirurgias nasais são adjuvantes, não curativas da SAOS.
Referências rápidas: AASM Clinical Practice Guideline (2019) para PAP em SAOS; UpToDate; recomendações da Associação Brasileira do Sono e ABORL-CCF para manejo da SAOS.
Gabarito: B — CPAP.
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