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Q364510 Português
                        Texto: A melhor resposta à dor

        As cidades constituem-se como o maior artefato da cultura. E, justamente, se opõem à natureza. Qualquer condição urbana é um intervento sobre as condições naturais, o que desequilibra o status quo.
        O convívio é algo necessariamente conflituoso, tenso, perigoso. E, como não temos o controle sobre a natureza, precisamos trabalhar com o imponderável e revesti-lo de cuidados compatíveis com as possibilidades do universo em convivência.
        A ocupação das margens de rios é um modelo convencional na produção urbana. Todas as culturas o fizeram. Muitas cidades já sofreram com enchentes - e mesmo assim se mantiveram no mesmo lugar. É que razões mais determinantes foram escolhidas.
        Também a ocupação de encostas e de morros é outro modelo universal. Mas há encostas firmes, há encostas frágeis. Há encostas que rompem sem ação antrópica e outras onde é a ação do homem que causa a derrubada.
        No entanto, as cidades vitoriosas foram aquelas que souberam ajustar suas razões às da natureza. Mas, para o fazerem, planejaram, escolheram, construíram sistemas próprios, capazes de alcançar um patamar de confiança e conforto em que pudessem superar as incertezas do meio.
        O Rio de Janeiro é uma cidade que tem aprendido. Das tragédias da década de 60, emergiu o serviço de geotecnia extremamente bem-sucedido da GeoRio. Nesses 40 anos, a cidade tem investido poderosamente na contenção de encostas e na eliminação de risco.
        O Rio também tem investido na proteção a famílias em risco. É claro que não é simples, considerando-se que a falta de política habitacional é uma realidade no nosso país. Mas é considerável o esforço do município no reassentamento de famílias, pelo menos desde a década de 90, através do programa Morar Sem Risco.
        O monitoramento das condições meteorológicas é outro trabalho importante que obviamente não previne as chuvas, mas pode ser útil na prevenção do dano. Monitorar e informar, alertar as famílias em risco, é tarefa complexa, de grande exigência tecnológica, que hoje já pode ser feita com bom resultado.
        Agora, ante a dor, a melhor resposta será a busca da cooperação.


(Sérgio Magalhães - O Globo, 16/01/2011- disponível em: http://www.cidadeinteira.blogspot.com/ - fragmento)
Em “Muitas cidades já sofreram com enchentes...” faz-se uso do recurso que consiste em designar partes (cidadãos, autoridades) pela palavra que nomeia o todo (cidades). O mesmo recurso é empregado em:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a substituição semântica em que o todo nomeia as partes: no trecho “Muitas cidades já sofreram com enchentes - e mesmo assim se mantiveram no mesmo lugar.”, “cidades” representa a coletividade humana ligada a elas, e a alternativa correta é a que reproduz esse mesmo mecanismo, “O colégio foi o grande campeão das olimpíadas estudantis”.

Tema central: substituição semântica todo-parte
Análise das alternativas
A
Errada
“Muitos” refere-se diretamente a pessoas indeterminadas que compram produtos. Não há nome de instituição, coletividade ou totalidade substituindo indivíduos. O item traz referência direta, não relação semântica de todo pelas partes.
B
Errada
“Balas” designa literalmente os doces, e “nós” designa literalmente os sujeitos da ação. Não ocorre substituição semântica de entidade coletiva por pessoas que a compõem. A referência é literal.
C
Errada
“Alguns taxistas” nomeia diretamente os profissionais mencionados. A frase não usa um todo institucional ou coletivo para representar indivíduos; ela já apresenta a parte de modo denotativo.
D
Certa
Na alternativa D, “colégio” nomeia a instituição como um todo, mas o referente efetivo da vitória são os alunos ou a equipe que participaram das olimpíadas estudantis. É o mesmo deslocamento semântico do trecho-base: usa-se o nome da entidade coletiva no lugar das pessoas que agem em nome dela.
Pegadinha da questão
A banca descreve o recurso pelo efeito semântico, e não pela nomenclatura técnica, o que pode levar o candidato a marcar frases com substantivos genéricos ou coletivos sem perceber que só vale quando há substituição efetiva entre instituição/coletividade e pessoas. No trecho-base, “cidades” deve ser lido como coletividade humana, não apenas como espaço geográfico.
Dica para questões semelhantes
  • Verifique se o substantivo usado nomeia uma instituição, lugar ou coletividade, mas a ação recai de fato sobre as pessoas ligadas a ele.
  • Não confunda referência genérica a pessoas com substituição semântica: indeterminação de sujeito não é, por si só, o recurso pedido.
  • Leia o termo no contexto: se o sentido literal não basta e o enunciado projeta habitantes, gestores, alunos ou equipe, há chance de ser o mesmo mecanismo.

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Comentários

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O "colégio" está substituindo substituindo os "alunos", os quais foram campeões.

metonímia

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